sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Cais das codornizes (IV)

A proposta de hoje é Sisters of mercy, de Leonard Cohen. No codornizes, a versão original, n'o meu cais, uma interpretação céltica de Sting com os Chieftains.

Blogues à sexta (VII)

Long Play! Banda de covers

O blogue desta semana é diferente da maioria e diferentes são as razões que ditaram a sua escolha. Há oito dias, passei pelo Refúgio das Freiras, a Santos, para ouvir os Long Play. Conhecia a vocalista, Joana Feu, dos tempos do Trítono, que ouvira no Bairro Alto e no bar BS, ali na Rua da Imprensa Nacional. Já era apreciador. Agora fiquei fã.

A voz da miúda que conquistava o público sentada, à guitarra, ganhou energia sem perder doçura. A dona da voz também. Joana solta-se, percorre todo o bar (que deixa de parecer exíguo), dança, impõe um ritmo à noite, põe-nos a cantar. É de uma naturalidade irresistível. De Sting a Alanis Morrissette, passando por Bob Marley, Prince e uma interpretação sentida de Ben Harper, que me cativou, o alinhamento faz-se de nomes famosos, mas foge à banalidade e ao óbvio. Guilha Marinho (guitarra), Rui Pereira (bateria) e Bruno Stélio (baixo) são instrumentistas competentíssimos. Cheira-se à distância que não estamos perante mais uma banda de amadores.

Na noite em que ouvi os Long Play, emocionou-me ouvir Se eu voltar, de Pedro Abrunhosa, num dueto entre a Joana e a minha cunhada Ana Knapič, que garanto que há-de dar cartas na música e não só. Ouçam-na aqui, a solo. E ouçam-na, em breve, aqui no codornizes.

Para acabar, apontamentos do blogue desta banda: tem música a tocar em permanência, calendário de actuações, slideshows dos artistas, improvisos divertidos (do Sexual healing, que referi acima) e uma lista de bares com actuações ao vivo. Falta-lhe uma actualização mais frequente, mas vale pela divulgação deste projecto meritório.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

De Agosto a Novembro

video

In the garden, Autumn is, indeed the crowning glory of the year, bringing us the fruition of months of thought and care and toil. And at no season, safe perhaps in Daffodil time, do we get such superb colour effects as from August to November.
Rose G. Kingsley, The Autumn Garden, 1905

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Promessa cumprida no momento certo

Não foi uma surpresa, mas caiu-me nas mãos mesmo quando estava a precisar. Soube tão bem ouvir esta versão da música que abriu este blogue que decidi pô-la aqui sem esperar pelos dois meses de blogue, que era a ideia original. Celebremos, em vez disso, a visita quatro mil, que cá veio entre a noite de ontem e a manhã de hoje. Celebremos o sol ou a chuva que vier. Obrigado, Teresa, por me lembrares que há tanto, tanto mundo para ver...


Andy Williams, Moon River (com Henry Mancini ao piano)

Não vai parar?


Aimee Mann, Wise up (da banda sonora do Magnolia)

It's not
What you thought
When you first began it
You got
What you want
Now you can hardly stand it though,
By now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
There's a cure
And you have finally found it
You think
One drink
Will shrink you 'til you're underground
And living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
So just... give up

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sagrada Família

Como areia molhada na mão
O movimento ascendente das torres
(Como o teu corpo, e tudo, não tem rectas).

Agosto 2005

Poema a lembrar um de muitos périplos espanhóis, enquanto espero pelo próximo e já anunciado, do qual prometo à M. trazer frutos galegos ao som do Mar adentro.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (VIII)

Já aqui estiveram? Em que circunstâncias? Gostaram? Os voos da codorniz, à segunda ou à terça neste blogue, pretendem suscitar a partilha de histórias de viagens. Vamos a isso?

Cabo de Gata, Espanha

Foi ao nascer do sol que me deixei enfeitiçar pelo Cabo de Gata, ou no Cabo de Gata. Eram oito da manhã do último dia do ano passado e a luz dava às rochas escuras um tom de cobre. A tentação era grande de nos deitarmos para trás, sobre a pedra, permitindo que nos penetrassem os raios amarelados daquele Inverno... só que a beleza da luz não aquece e a terra ainda estava fria, pelo que foi de dentro do carro, chauffage ligada, que tentámos adivinhar o que pensaria o Mediterrâneo. Depois da feia Almería, este finis terrae deu-nos ânimo para percorrer toda uma costa. Depois de Ronda e Gibraltar, com macacos assanhados e tudo, o ar sevilhano foi testemunha de um mergulho de cabeça num daqueles anos que mudam uma vida. Ou duas.

domingo, 25 de novembro de 2007

Sunday soundbytes (VI)

Mais uma frase para pensar, desta vez com música de Cat Stevens... a música chama-se Sitting, mas este vosso amigo só anseia por estar lying down até de manhã. Um dia iniciado com travesseiros quentes em Sintra, passeio até Seteais, volta dos tristes pelo Guincho até à marginal, continuado com caril de lentilhas, chouriços picantes e vinho verde (muita família, muita conversa, muito agradável) e encerrado com sopa de endivias dá muito trabalho, muito mesmo!

sitting.mp3

sábado, 24 de novembro de 2007

Fim-de-semana em Lisboa

Pôr do sol do dia 7 de Novembro de 2004,
visto da cozinha da minha mãe

Às vezes sinto-me descurar a cidade. Por mais que precise do banho de alma que são os fins-de-semana no campo, faz bem namorar Lisboa sem ser ao ritmo do metro e do autocarro.

Gosto da minha casa. Foi ela que ensinou a um madrugador inveterado, desses que não suportam o peso de um tecto e quatro paredes enquanto há sol lá fora, que o sol também é bom visto de dentro, que a janela torna mais intenso o seu beijo numa face. Acho que nunca vou deixar de acordar cedo, e a pulsão do ar livre vai continuar a ser mais forte, mas de quando em vez gosto de me deixar seduzir por uma manhã entre quarto, sala e cozinha, café à discrição e discos pedidos.

Lisboa merece ser passeada. A Avenida da Igreja aqui ao lado, porção de ADN que se me colou desde a casa dos pais, na Rio de Janeiro, e que manteria ainda que vivesse nos antípodas. Uma caminhada até à Versailles ou, porque não, à Baixa, onde teria estado hoje não fora a preguiça... depois, há bairros como Marvila, Bica, os Prazeres a descer para Alcântara, o eixo Lapa/Rocha do Conde de Óbidos/Santos-o-Velho, em que ninguém pensa à primeira quando pensa em passear. E jardins - mormente o da Gulbenkian, mas também o Amália Rodrigues, no alto do Parque Eduardo VII, o da Estrela e até, malgré soi-même, o Campo Grande, onde o Avô Quim nos levava.

E o rio? Um brunch na Delidelux, um esticão do Terreiro do Paço ao Restelo (um pulo às tias), ou trepar ao Castelo e tomar um mojito no Bar das Imagens ou no Chapitô. Ou então virar o espelho ao contrário e ir ver Lisboa da Outra Banda: estou há séculos para conhecer o Cais do Ginjal e tenho um brinde prometido no Porto Brandão. Sem esquecer a Linha, para onde aponta, hoje, o meu cata-vento... bom, hoje e todos os dias, pois é lá que trabalho, e felizmente consigo disfrutar disso. E a outra linha, a de Sintra, chá na Raposa e travesseiro na Piriquita (e o comboio para a praia, com os miúdos, que não passa do próximo Verão).

Um fim-de-semana em Lisboa é isto, e pode ser tudo o resto. Noitadas de copos a ouvir boa música (são dois links) ou a dançar sem pensar em nada, mais tempo para os amigos, programas culturais aos montes (que bom ter alguém que nos sublinha a Time Out de uma ponta à outra, para não deixarmos de ver coisas bonitas!) e, em breve, as feirinhas de Natal de que tanto gosto.

Um fim-de-semana em Lisboa, em navegação solitária ou de mãos dadas, é um poema de amor à minha terra.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ainda os mortos de ontem

Fernando Fernán-Gómez morreu aos 86 anos. Era actor, escritor, guionista, realizador e encenador. A sua quota no meu portefólio pessoal inclui a belíssima peça Las bicicletas son para el verano, sobre a Guerra Civil espanhola - que me levou às lágrimas quando a vi em Madrid -, o pai doente de Alzheimer em Todo sobre mi madre, de Almodóvar, o inquisidor de El rey pasmado (adaptação de Gonzalo Torrente Ballester por Imanol Uribe) e o professor de La lengua de las mariposas, belíssimo filme de José Luis Cuerda sobre contos de Manuel Rivas

Fernán-Gómez no documentário La silla de Fernando,
de Luis Alegre e David Trueba (ouçam também isto, que vale a pena)


Maurice Béjart tinha 80 anos. Era o nome do bailado contemporâneo, tão depressa coreografando Stravinsky, Mozart e Ravel como Queen, Elton John ou Jacques Brel e Barbara, cuja La solitude escolhi para o homenagear. Vi dois espectáculos seus no Coliseu dos Recreios, um deles com figurinos de Gianni Versace, e tive pena de falhar um terceiro. Sei pouco de dança, mas sei que o mestre punha os corpos a dançar lindamente.

La solitude, letra e música de Barbara,
coreografia de Maurice Béjart

A mão no meu corpo

A mão no meu corpo
esquerda?
avança-me direita, faz
descentrar o coração
para que fique mais longe da cabeça

A mão no meu centro
tua?
toca-me a minha paz
arranca o coração
para que fique mais perto do teu estômago

A mão no meu dentro
qual?
desenha a silhueta de um rapaz
sem coração
para que fique alguma fome em ti


Novembro 2000

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Blogues à quinta (VI)

Zoo bizarro


"Nada no mundo é insignificante" é o mote do contemplado de hoje. Adoro, como adoro a imagem dos macacos no cabeçalho. Este é um blogue que deve dar muito gozo a fazer. JG enche a página branca de coisas insólitas, com doses sabiamente calculadas de seriedade e humor. Não sei onde é que vai buscar tantas ideias, tantos pormenores e pormaiores, mas adivinho que o trabalho de pesquisa seja árduo. E divertido.
O impacto visual é forte: imagens grandes e nunca banais, por vezes em movimento, aparelhos incríveis que alguém tenta vender, versões destorcidas de ícones famosos, ilusões de óptica e outras curiosidades. Mas nem por isso a palavra é preterida. Há poemas e prosas muito bons (mas mesmo muito bons), epitáfios, apontamentos históricos e efemérides.
Um breve exercício de pesca à linha traz-nos a história de um menino que não rezava à virgem, uma imagem linda de um dos animais que mais gosto (é um puffin, ou papagaio-do-mar), uma declaração de amor invulgar, duas danças e uma brincadeira com palavras.

Duetos no céu

23 Julho 2004 - Carlos Paredes e Serge Reggiani (Le petit garçon acompanhado à guitarra portuguesa);

30-31 Julho 2007 - Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni (uma sarabanda au delà des nuages);

21-22 Novembro 2007 - Fernando Fernán-Gómez e Maurice Béjart (corpos em movimentos de rotação e translação, com a voz cava do espanhol a declamar).

Nenhuma morte inesperada. Nenhuma aceite sem pestanejar.

Apetece-me brindar sem saber bem a quê

E embora não perceba a letra toda da canção, tenho a certeza de que é a esta alegria que quero erguer o meu copo.


Cin cin con gli occhiali, de Herbert Pagani (1968)

Cin cin dai noi siamo speciali,
portiamo gli occhiali, dai vieni con noi.
Cin cin dai il mondo è di tutti,
dei belli e dei brutti, è nostro se vuoi.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Baú das codornizes (III)

Eis, a pedido de uma leitora, o genérico de Postman Pat, uma série infantil deliciosamente inglesa. Via isto ao fim-de-semana, de manhã, quando só havia RTP e eu acordava tão cedo que tinha de gramar meia hora de mira técnica antes dos desenhos animados. Na altura, era mesmo carteiro Pat. Mais tarde, chamaram-lhe Paulo. A música, em português, era algo tão ingénuo como "O carteiro / o carteiro / e o seu gato / preto e branco". Há tempos, alguém me falou numa versão francesa do Pat. Nunca ouvi, mas no Youtube há uma em sueco. Aproveito para desejar que muitos jeunes et vieux facteurs continuem a entregar muitas cartas manuscritas, em todas as línguas e dialectos.



Bryan Daly, Postman Pat

terça-feira, 20 de novembro de 2007

I want to ride it where I like

Um raio de sol atrevido dá-me vontade de voltar atrás no tempo... quem me dera que o passeio de bicicleta estivesse ainda a começar!



Queen, Bicycle race

(...)
Bicycle races are coming your way
So forget all your duties oh yeah!
Fat bottomed girls they'll be riding today
So look out for those beauties oh yeah

(...)

À Sandra, ao Ludgero, ao Tiago, ao Ricardo, à Fernanda, à Cidália, seis camaradas com muita pedalada. À Teresa e à Sofia Knapic, à Fernanda, à Filipa, à Marta e à Gina, pelo almoço. E ao Miguel, que não esteve neste passeio, mas foi noutros, e com quem ouvia esta música quando era miúdo.

Carta cantada



Para a Sofia não ter saudades. Descansa, que o nosso carteiro não há-de morrer tão cedo.

NOTA: Depois de publicada, esta entrada tornou-se parte de um "Cais das Codornizes" involuntário. Aqui, pusemos a tocar uma versão de estúdio. Já o meu cais preferiu ouvir Moustaki ao vivo.

O voo da codorniz com Google Earth (VII)

Mais uma secção a tornar-se menos fixa... Os voos descolarão, doravante, à segunda ou à terça, conforme o vento. O de hoje até é a uma zona ventosa, por isso acompanhem-no com cuidado. A ideia, nunca é de mais recordar, é dizerem-nos o que vos sugere a paisagem.

Do Toxofal de Baixo à Praia dos Belgas, Portugal

Sobrevoo o itinerário e não quero crer... pedalei mesmo 17-quilómetros-17, com subidas e descidas, sem levar a bicicleta pela mão uma única vez? Assim foi. O passeio organizaram-no bons amigos, naquela que viria a ser a última manhã de sol do Verão até então imorredouro. O grupo compunham-no sete magníficos, entre eles o menos desportista dos vossos amigos (enchanté!).
Chamo-lhe passeio, não prova ou corrida, porque foi esse o ritmo a que pedalámos. A apreciar as cores das fazendas do Toxofal, o vale do Paço, a vista da Serra d'El-Rei para Baleal, Peniche e Berlenga... houve momentos de cumplicidade a dois ou a três, lado a lado em estradas menos movimentadas, num fluir de recordações, confidências e amizades antigas e recentes. O breve périplo pelo areal deu para inspirar a fundo e com tempo o ar que nos ia entrando, durante o trajecto, pelas narinas muito abertas.
Regresso tranquilo, já com um sentimento de missão cumprida e, no íntimo, o alívio de ver que o impossível nem sempre o é, que há caminhos alternativos (especulámos tanto, tanto!), que a aventura do mar ao fundo emociona tanto como o calor do regresso ao campo.
À chegada, esperava-nos um almoço de reis, cortesia dos que não pedalaram. Espetadas de peru grelhadas, bacalhau com coentros, ratatouille, o melhor pão do mundo e, para sobremesa, arroz doce (o balanço entre input e output de calorias foi, ainda assim, benigno). Vinho tinto e um café bem conversado encerraram essa parte da jornada. Pelo que me detenho aqui.

Baú das codornizes (II)


O título da última entrada merece ser explicado. Era a primeira linha, em português do Brasil, desta canção deliciosa do Bambi. Não encontrei essa versão, pelo que vos deixo com a original, Little April showers, para podermos entrar na noite singing in the rain.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Pinga, pinga, pinga chuvinha...


Mariza, Chuva

Ei-la, por fim, a impregnar a terra do cheiro que me faz abrir a janela do carro para inspirar fundo, indiferente às gotas grossas e ao frio, tentando senti-la nos olhos e na ponta do nariz, mas sem descurar o perigo de uma auto-estrada com piso-manteiga. Tinha saudades da chuva, de andar a fugir dela ou de escolher entregar-me ao seu duche, como fazíamos no liceu, de entrar em casa a patinhar o chão e de ensopar o patamar com o guarda-chuva, de vê-la da lareira, a diluir o contorno, o relevo e a textura das coisas. E os meus.
Esta noite não me chateou acordar com o ruído das bátegas na janela e, embora tenha trazido guarda-chuva, não o abri no curto trajecto entre carro e trabalho. Quis deixar que a chuva, a primeira deste Outono singular, me molhasse o rosto gelado e cansado, como na canção de Jorge Fernando que a Mariza canta ali em cima e que só posso dedicar a quem ma ensinou.
É esta a minha forma de lhe dar as boas-vindas, de mostrar respeito e reverência por uma Natureza de equilíbrios que nem sempre compreendemos, de agradecer o cinzento quase acastanhado do céu sobre as colinas do meu Oeste e o cinzento quase branco que assume sobre a linha de Cascais. Resgato um poema de há dez anos. Se não tenho medo da chuva, porquê ter medo de mim?

Grey sky
Days flowing by
Tomorrow is the same
Yesterday lost my name
Today I catch the train
That stops in every town
I'm sitting on my own
But really do not mind
And really do not care
For it will stop again
I'll meet you there
We'll bind

Do mosteiro, em tom de confissão...

Foi impressionante. Escandaloso. Pornográfico, até. E foi uma delícia! Das cornucópias (algumas ainda quentes) ao mexido dos anjos, passando por pudins de azeite, rabanadas, broinhas de gema e tartes de alfarroba (esta não acabei), pouco nos escapou. Ah, e também houve morgado de Beja e uma espécie de arroz doce com ovos moles.
A mostra de doces e licores conventuais que pintou de amarelo-torrado o Mosteiro de Alcobaça (que melhor cenário?) ocupava três salas, qual delas a mais aliciante. Bancas e bancas de doces, queijadas, bolos, bolachas e licores tentavam os gulosos. A atender estavam simpáticas figuras vestidas segundo a moda de há uns séculos, que sabiam vender o seu produto.
Foi daqueles dias em que dizemos: “Hoje é para a desgraça”. O facto de haver no grupo outros grandes entusiastas das barrigas de freira, lérias e brisas do Lis serviu de agravante: todos provámos do prato de todos, com avidez, com gula, com o prazer de um pecado capital praticado entre paredes sacras. Valha-nos a bênção de um cálice de Bénédictine, doce e fortíssimo, o trabalho purificador de um flute de espumante com licor de maçã e o bafo contundente de uma cigarrilha na noite gelada de Alcobaça. É para repetir!

domingo, 18 de novembro de 2007

Sunday soundbytes (V)

Na semana passada, houve quem achasse duro falar-se aqui da morte do domingo... mas não é só no fim-de-semana que há coisas boas. Amanhã de manhã deixarei o refúgio toxofalense que tanta paz me dá, mas não tenho razões para me queixar da vida de segunda a sexta. Sem ela, nem estes tempos de ritmo diferente sabiam tão bem. É de Girl, dos Beatles, o trecho musical escolhido para este domingo, que ainda não morreu.
girl.mp3

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Página 161, desta vez em lume brando

Descubro com 15 dias de atraso que não foi só a Ana a acorrentar-me à deliciosa cadeia da página 161, a que aderi com gosto... já antes dela Manuel Alberto Valente, d'A Origem das Espécies, me lançara o repto.

Não vejo motivo para não repetir a dose, por isso cá vai...

As regras são:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica acaso e não escolha.
2. Abra o livro na página 161.
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passe o desafio a cinco blogueiros.

Não me veio parar à mão um romance nem um livro de poesia, antes Na cozinha com Jamie Oliver. O resultado é este:

Deixe levantar fervura, ponha a tampa e cozinhe em lume brando durante cerca de 1 1/2 horas, até estar macio

Querem melhor para o fim-de-semana? Ainda por cima com direito a escolher os ingredientes... a mim, já agora, cabe-me escolher os próximos contemplados deste movimento: a comadre Floppy, o Pedro José, o poeta Vieira Calado, a artística e musical Mateso e alguém do meu querido Palavras da Tribo. Bom fim-de-semana e obrigado a quem tiver sido o 3000.º visitante do codornizes!

Blogues à sexta (V)

A semana do codornizes termina sempre com um blogue que valha a pena visitar. À quinta ou à sexta, consoante os afazeres, este espaço é dos camaradas do éter.

O mito de celofane ou Toto, I've a feeling we're not in Kansas anymore


A primeira coisa a dizer sobre o blogue da m. é que não sei qual dos dois nomes é o "oficial". O que não importa muito, porque gosto dos dois. Ao deixar-me envolver pelo celofane deste mito, também eu tenho, como a Dorothy d'O feiticeiro de Oz, a sensação de já não estar na sala, sentado em frente ao computador... mas o caminho para a estrada amarela está longe de ser evidente!

É este um espaço curioso, de um intimismo contido e por vezes hermético, sempre inquieto e sobre fundo escuro. A poesia está presente nos textos e nas imagens, há uma boa dose de introspecção e, para quem quiser vê-los, estímulos preciosos para pensar sobre a vida e o mundo. Gosto dos idiomas a fluir conforme os dias, porque cada um deles tem formas únicas de expressar sentimentos e ideias. Gosto de uma primeira pessoa assumida mas que não anda a exibir-se. Gosto do que conheço da autora deste blogue.

Quem aceitar esta humilde sugestão deverá preparar-se para paranóias incuráveis, Gael García Bernal a partir corações (neste caso não é um lugar-comum), um Outubro escandido em Novembro com desejos para Dezembro, uma dança electrizante e el llanto de Rebekah del Río no desconcertante Mulholland Drive de David Lynch.

Lar, doce lar



Going home é a última faixa da banda sonora original de Local hero, um filme dos anos 80. Recomendo a fita e a banda, que é de Mark Knopfler. E dedico a música à Ana Lobo da Costa, uma global hero que gosto de saber que gosta de estar em casa. E já agora, ao som da guitarrada, podemos ler este poema de António Ramos Rosa...

Casa de sol onde os animais pensam
erguida nos ares com raízes na terra
ampla e pequena como um pagode
com salas nuas e baixas camas
casa de andorinhas e gatos nos sótãos
grande nau navegando imóvel
num mar de ócio e de nuvens brancas
com antigos ditados e flores picantes
com frescura de passado e pó de rebanhos
ó casa de sonos e silêncios tão longos
e de alegrias ruidosas e pães cheirosos
ó casa onde se dorme para se renascer
ó casa onde a pobreza resplende de fartura
onde a liberdade ri segura

in Voz inicial, 1960

Cais das codornizes (II)

À primeira vista é uma música de Chico César, que lembramos cantada pela Daniela Mercury, no seu Feijão com Arroz (1996). Mais recentemente, descobrimo-la cantada por Pedro Guerra num dueto com o autor... en bilingüe!
A voz da Daniela lembra as tardes de Verão, ao pôr-do-sol, num pátio virado à Berlenga... a versão do Pedro e do Chico recorda os últimos serões românticos e algumas danças de princípio de noite.


Quando não tinha nada eu quis
Quando tudo era ausência esperei
Quando tive frio tremi
Quando tive coragem liguei
Quando chegou carta abri
Quando ouvi Prince dancei

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Manhã emersa

Elton John, I need you to turn to

Gosto da música deste gajo. Gosto desta em particular. Gostei da última vez que a ouvi. E de outra, no banco de trás de um carro, em viagem, com todos a cantar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Mortadelo y Filemón

Os agentes da T.I.A fazem 50 anos! Aqui vai um abraço fuertísimo para o Mortadelo dos mil disfarces e para o seu chefe Filemón Pi (Salaminho no Brasil, Salamão em Portugal). E cumprimentos para o Superintendente Vicente, a vetusta secretária Ofélia, o desastroso professor Bactério e, em representação dos vilões, o meu preferido: Chapeau, el Esmirriau.
Os tebeos do Mortadelo, presença de longa data lá em casa, chegaram-me, sobretudo, das viagens a Espanha (às vezes iam só os meus pais e traziam-nos aquelas compilações pesadíssimas). Delicio-me com os disparates desta dupla, que, sem que déssemos por isso, fez meio século sem perder a graça. Outro abraço terá de ir, pois, para Francisco Ibáñez, o autor.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Poppy day

Papoilas de papel polvilham, esta semana, os campos e as cidades do Reino Unido e de outros locais do mundo. O Dia da Recordação foi anteontem, mas não será o atraso a impedir que o assinalemos aqui. Foi à 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1919 que foram honrados, pela primeira vez, os mortos da que então se chamava apenas Grande Guerra, e que ainda não fora ultrapassada em horror pela de 20 anos mais tarde.

Tenho especial carinho por este emblema, que não uso há muitos anos, mas a cujo significado me associo. Foi mais uma coisa que ficou das paragens que ilustrei no último voo da codorniz... impressiona ver todos os anos, diante do Cenotáfio de Londres, as lágrimas vertidas pelos veteranos, em número cada vez menor. O dinheiro da venda das pequenas flores que todos põem à lapela revertem a favor dos feridos e incapacitados da guerra.

A papoila passou a ser símbolo de paz por causa de um poema escrito pelo médico canadiano John McCrae (1872-1918), que esteve na frente belga. Foi composto em 1915, em homenagem ao seu amigo Alexis Helmer, morto em combate. É bonito. Ei-lo.

In Flanders Fields

In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved, and were loved, and now we lie
In Flanders Fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders Fields.

Cais das codornizes


Nasce hoje uma rúbrica interblogueira - o cais das codornizes. A ideia nasceu a propósito da música Tes Gestes, que o meu cais e o codornizes publicaram em duas versões. Nesse dia, ouvimos Georges Moustaki e Serge Reggiani. Hoje, o cais volta a Moustaki e Barbara canta no codornizes. A música é La ligne droite Esperem por mais duetos...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (VI)


Old Marston, Oxford, Inglaterra

Vivi no número 1 da Fane Road entre Setembro de 1986 e Abril de 1987. Fui feliz. Descobri a neve, o Halloween, o Poppy Day (que foi ontem e sobre o qual preparo entrada para amanhã), a Bonfire Night (que foi há uma semana e que contarei qualquer dia), os padres casados, a custarda com ameixas quentes, os Christmas carols e os iogurtes de ruibarbo. Conheci o Aidan, o Magnus, a Tamara e o Gus. Fui ao meu primeiro jogo de futebol no estádio (Oxford United 1:1 Everton). Passeei por Londres, Gales, a Cornualha, Stonehenge e, claro, Oxford, os colleges (que paz, os veados do Madgalene!), o mercado coberto, os parques, o rio, Carfax... saudades desses tempos, muitas. E também de uma passagem por lá, em boa companhia, há cerca de um ano.

Here stays the Sun, xurururu, here stays the sun...



O Verão, que é como quem diz o Estio-de-todos-os-anos, conseguiu mesmo espraiar-se até ao seu homónimo de São Martinho...

Toute la vie
sera pareille à ce matin,
aux couleurs
de l'été indien


L'Été indien, de Joe Dassin, de que a Avó Gina tanto gostava

domingo, 11 de novembro de 2007

Sunday soundbytes (IV)

O fim do fim-de-semana é propício a reflexões. No codornizes, assinalamos a morte do domingo com um trecho musical que faça pensar. Desta vez, talvez por o fim-de-semana ter sido bom e não apetecer que acabasse, deu-me para matutar sobre o mundo cão em que vivemos. Com a ajuda de Xibombombom, das brasileiras As Meninas.

xibombombom.mp3

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

O serão de Eugénia na página 161

A Ana, que se arrisca a ser promovida a tema do dia neste blogue, fez-me um desafio através da sua long and winding door. Aceitei, pelo que o codornizes passa a fazer parte da corrente "Página 161". Eis o modus operandi:

1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica acaso e não escolha.
2. Abra o livro na página 161.
3. Na referida página procure a 5.ª frase completa.
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passe o desafio a cinco bloguistas.

O livro, no meu caso, é O segredo da bastarda, da luso-argentina Cristina Norton. Não se espantará quem me conhece se disser que a coisa não podia correr bem à primeira: a página 161 é um minúsculo capítulo com apenas três frases... sigo o exemplo da desafiadora e vou à página par que ladeia a que seria primeira escolha (a 160, prossigo, perspicaz). E a frase é:


A primeira coisa que Eugénia fez ao regressar à cidade foi ir ao palácio do Bomsucesso beijar a mão ao pai; uma hora depois começaram a aparecer os restantes membros da família, avisados pelos criados da chegada da irmã, e a tarde prolongou-se num serão como os de sempre, onde se misturaram novidades com lembranças dos tempos em que eram crianças e o riso se tornou fácil, contagiante.


Apesar dos muitos caracteres, penso que tive sorte. A frase é bonita e creio que todos reconhecerão no serão de Eugénia dias passados em família, há mais ou menos tempo, com mais ou menos beija-mão, com maior ou menor saudade.


Os próximos a pegar na batata quente serão, caso aceitem:

1. O meu cais, da precious Sofia
2. O espaço azul entre as nuvens, do Mário Cordeiro, que até é meu pai
3. Ao vento, da minha prima CVD
4. La Fragua, de mi amigo Toño que está en Madrid
5. O mito do celofane, da M., que tem andado desaparecida

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Blogues no dia que for (IV)

Esta secção, que era para sair todas as quintas, já falhou a hora de fecho uma ou duas vezes. Adiramos, pois, à flexigurança bloguística: passa a sair à quinta ou à sexta, conforme me der jeito a mim, que ser blogmaster sempre há-de servir para alguma coisa...

Porta do Vento

A Ana Vidal é uma amiga invulgar. Vive a escrever, escreve a viver e tem jeito para ambas as coisas. E tem este blogue, entre outros. Pela porta que nos abre, ora desconcertantemente escancarada, ora reduzida a uma fresta através da qual nem todos conseguem ver à primeira (o sol extemporâneo ofusca e as poeiras a flutuar hipnotizam), sopram ventos de diversas latitudes, humidades e temperaturas. O Sirocco que sopra hoje recupera as folhas que trouxe o Mistral de ontem, e que a Ana preenche com imagens, música, poesia e prosa. A dela e a de outros.

A coluna da esquerda é uma delícia, com um tradutor automático melhor do que qualquer stand-up comedian, um iPod indomável e milhares de linques e cumplicidades.

Há dias, um amigo comum falava de uma lógica de serviço entre público e privado e atribuía-a não só ao blogue da Ana como ao codornizes e a O meu cais. Ora, esse difícil equilíbrio - nunca imune a deslizes - comecei por vê-lo na Porta do Vento. E na sua autora.

Telegraficamente, cá vão achegas das entradas mais recentes da Ana: a beleza depurada dos haicais, mais um capítulo de uma série com as bicicletas como leitmotiv, um quase-haicai sobre o domingo, uma missão irrecusável que cumprirei na próxima entrada e o relato de uma viagem que fizemos em paralelo, sem nos encontrarmos, mas sem nunca deixarmos de estar perto.

Let's partyyyyyyyyyyyyyyyyy!

Já que o blogue faz um mês, festejemos: ora, faça o leitor o favor de copiar para a barra de endereços o seguinte código:

javascript:R=0; x1=.1; y1=.05; x2=.25; y2=.24; x3=1.6; y3=.24; x4=300; y4=200; x5=300; y5=200; DI=document.images; DIL=DI.length; function A(){for(i=0; i-DIL; i++){DIS=DI[ i ].style; DIS.position='absolute'; DIS.left=Math.sin(R*x1+i*x2+x3)*x4+x5; DIS.top=Math.cos(R*y1+i*y2+y3)*y4+y5}R++}setInterval('A()',5); void(0);

Depois é só fazer Enter. Ah, e isto é um plágio completo do Zoo Bizarro.

Dois haicais





De que te serve a raiz,
Árvore de fruto
Que os gaios transportam?





*





Tantas ideias mortais
Sob o lenço verde
Da bela espanhola!






Ses gestes...

Um presente que dei...

Serge Reggiani - Tes gestes.mp3 -


Tes gestes, Serge Reggiani
(letra e música de Georges Moustaki)


A versão que ofereci, do Moustaki, é mais doce. Esta é mais dramática. É de gestos doces e dramáticos que a vida se vai fazendo... e o codornizes, que respira e respiga gestos doces e dramáticos, faz hoje um mês. Parabéns aos leitores e comentadores! Segue-se o poema Tes gestes em tradução livre.

Teus gestos

Mais ternos que uma confissão,
Os teus gestos desarmam-me
A tua mão no teu cabelo
Ou a secar uma lágrima
Misturas sabiamente
A inocência e o charme
A tua saia de 15 anos
E as pernas de mulher
Teus braços, ainda frágeis
Tornam-se encorajadores
Quando dás à criança
A doçura maternal

Diz-me quem te ensinou
A aflorar a minha boca
Tu que chuchas no polegar
Quando estás a dormir

Mais bela do que uma ondina
Quando sais do banho
Escondes o teu peito
Na palma das tuas mãos
As ancas insolentes
A cada movimento
Uma boca gulosa
E olhos inocentes
O sol amacia
O teu corpo a contra-luz
E esfuma o contorno
Da tua sombra chinesa

Diz-me quem te ensinou
A aflorar a minha boca
Tu que chuchas no polegar
Quando estás a dormir

Como uma adolescente
No seu primeiro desejo
Perita e desajeitada
Entregue ao teu prazer
És ao mesmo tempo
Princesa e cortesã
Uma miúda, uma mulher
E a mãe e a filha
Observo-te a viver
E devolves-me a vida
Os teus gestos libertam-me
De tudo o que sou

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

SG gigante

Correio azul, de Sérgio Godinho

Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar estas cinco nuvens negras
relembra-me as regras
do saber viver
repõe-me o sentido nos sentidos
olfactos
ouvidos
à vista
de tactos
do teu paladar

Manda-me uma carta em correio azul
p'ra afastar esses blues de pacotilha
renega e perfilha
respectivamente
a torpe indiferença
e o amor ardente
amor tão ardente
que dos erros meus má fortuna se ausente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente

Manda-me uma carta em correio azul
que me deixe a face roburizada
promete-me a noite fatigada
de termos aberto o nosso nexo
ao sexo
da vida
porção destemida
da nossa emoção

Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente

Manda-me uma carta em correio azul
que branqueie o passado num momento
paixão é no corpo o sentimento
que faz da razão montanha russa
aguça
o encanto
mas no entretanto
faz estragos mil

Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente
Manda-me uma carta em correio azul
para eu guardar no castanho dos armários
no meio de testemunhos vários
escritos por letras tão distantes
murmúrios amantes
que a vida me oferece
só por muito amar

Erros meus, má fortuna, amor ardente
qual em nós mais frequente
qual em nós mais frequente
amor ardente
cada vez mais frequente

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (V)


Da Plaza de Oriente à Plaza Mayor, Madrid, Espanha
Deve ter sido por onde mais andei durante esta última viagem àquela que será sempre uma cidade minha. Ou nossa. Deve ser por onde ainda ando...

Monday soundbyte

Fuga mais do que necessária para o país vizinho deixou o ninho sem dono durante quatro dias. O que vale é que os comentadores andem por aí e mantêm a chama viva. Fazem bem, estas pausas. E faz bem voltar, mesmo se custa. Para já, fica aqui um primeiro comentário a estas miniférias... é dos Mecano. Boa semana!


hoy.mp3