Porta do Vento
A Ana Vidal é uma amiga invulgar. Vive a escrever, escreve a viver e tem jeito para ambas as coisas. E tem este blogue, entre outros. Pela porta que nos abre, ora desconcertantemente escancarada, ora reduzida a uma fresta através da qual nem todos conseguem ver à primeira (o sol extemporâneo ofusca e as poeiras a flutuar hipnotizam), sopram ventos de diversas latitudes, humidades e temperaturas. O Sirocco que sopra hoje recupera as folhas que trouxe o Mistral de ontem, e que a Ana preenche com imagens, música, poesia e prosa. A dela e a de outros.
A coluna da esquerda é uma delícia, com um tradutor automático melhor do que qualquer stand-up comedian, um iPod indomável e milhares de linques e cumplicidades.
Há dias, um amigo comum falava de uma lógica de serviço entre público e privado e atribuía-a não só ao blogue da Ana como ao codornizes e a O meu cais. Ora, esse difícil equilíbrio - nunca imune a deslizes - comecei por vê-lo na Porta do Vento. E na sua autora.
Telegraficamente, cá vão achegas das entradas mais recentes da Ana: a beleza depurada dos haicais, mais um capítulo de uma série com as bicicletas como leitmotiv, um quase-haicai sobre o domingo, uma missão irrecusável que cumprirei na próxima entrada e o relato de uma viagem que fizemos em paralelo, sem nos encontrarmos, mas sem nunca deixarmos de estar perto.

