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sábado, 25 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 0


Chico Buarque, Tanto mar I

Uma das coisas mais bonitas da Revolução dos Cravos foi ter ajudado a democracia - ou dela a esperança - a chegar a outros países. O primeiro 25 de Abril do codornizes fez-se ao som de Chico, entre outros. Hoje, a liberdade festeja-se neste ninho com outra versão da mesma música. E com exactamente o mesmo espírito.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Os nossos amores

Isto é para uma amiga que vive longe. Estivemos a falar de amores. Do meu e do dela. E do trabalho que dão. E da força que têm. E do bem que nos fazem. E dos passados que varremos para debaixo do tapete. E daqueles que guardamos no bolso, só para podermos pôr a mão e sentir que continuam lá, no momento em que as comissuras dos lábios ameaçam curvar-se no sentido descendente (travão às quatro rodas, marcha-atrás, sorriso reposto!). E das palavras que o presente nos obriga a dizer. E de como ele nos silencia perante as maravilhas da vida. E dos futuros que construímos em nuvens brancas acasteladas por cima do mar. Com vista para o Sol, sem que nos queime, mas por ele aconchegados. Fazendo minhas as tuas palavras, miúda a valer, promete-me que vais continuar a acreditar! Há jeitos mansos que só a pessoa certa sabe ter...

Chico Buarque, O meu amor

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas...

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen

O dia amanhece quente em Lisboa. Anda-se pela cidade em mangas de camisa, trânsito não há e despertamos com a promessa de que há-de erguer-se um sol de Verão. Sensação de liberdade. Somos nós os teus cantores. Há 34 anos, disse Salgueiro Maia:"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui." Nem todos eles eram Salgueiro Maia, mas obrigado, capitães de Abril! A todos os civis e militares que combateram uma ditadura bafienta de cuja herança o país tarda em libertar-se, um obrigado incondicional. O que veio depois veio depois.


Chico Buarque, Tanto mar II
(o meu Avô Quim aparece neste vídeo
e eu dedico esta entrada à sua memória)

Tanta esperança nascida em Abril e tanta efectivamente cumprida, apesar do muito Abril morto à nascença. Que ninguém diga que não valeu a pena, escundando-se para tal nas inúmeras tentativas e tentações que houve de cairmos num extremo oposto que em tudo se assemelharia ao que quisemos deixar para trás... essas foram vencidas e, se algo murchou da flor, a verdade é que não singraram os que queriam espezinhar todo o canteiro ou impor a padronização das flores em planos quinquenais.

O golpe militar que o povo transformou em Revolução foi único na génese, na passagem à prática e no que se lhe seguiu. Às vezes tenho pena de não ter estado cá para ver a festa, pá, e para sentir na pele os gelos e calores de que foi feita. Gostava de ter vivido o "nunca renegado PREC", como lhe chamou Zeca, com todas as suas utopias, excessos e possibilidades. No dia em que a Revolução ultrapassa a idade dos génios, é pacífico que há muito sonho por cumprir, muito resquício salazarento, muito cometido já depois da outra senhora, mas... que bom ter nascido em liberdade! Que bom termos podido mandar ao mundo um cheirinho a cravo e alecrim. Que bom termo-nos livrado do mofo. Do medo. Da merda de regime míope, velhaco e criminoso que tolheu Portugal durante meio século. Gosto do 25 de Abril. Gosto de sair à rua com uma flor vermelha na mão ou na lapela. Ponham à democracia os defeitos que quiserem: o facto de poderem fazê-lo é a maior prova de que valeu a pena Abril. E de que vale a pena Portugal.

Georges Moustaki, Portugal

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Cais das Codornizes (XI)


Entre cais e codornizes, temos seis irmãos - três manas e três manos. Fazem um corte transversal na pirâmide etária: são adultos, adolescentes e crianças. Têm semelhanças entre si e connosco, mas, sobretudo, personalidades vincadas e singulares. É a eles e a elas que dedicamos a esta Maninha, porque os irmãos estão sempre lá para nós, a recordar canções e a afastar papões. Como não podia deixar de ser, escolhemos versões cantadas por irmãos: Caetano e Bethânia para a Sofia, Chico e Miúcha para o Pedro.


Chico Buarque e Miúcha, Maninha

Se lembra do futuro
Que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou

quarta-feira, 5 de março de 2008

Músicas que ficaram (II)

Continuo a responder a este desafio da Martini, tarefa hercúlea à qual comecei a entregar-me há dias. Pede-me ela discos que tenham marcado a minha juventude. Nesta segunda entrega, quis o acaso que a ordem alfabética alinhasse três faixas em português. Veremos o que trazem as próximas...


Chico e Caetano juntos e ao vivo, Chico Buarque
e Caetano Veloso (Você não entende nada)

Dia de concerto, Rio Grande (Queda do Império, de Vitorino)

Filhos da Madrugada cantam Zeca Afonso
(Canto moço, pelos Ritual Tejo)

terça-feira, 4 de março de 2008

O meu cavalo só falava inglês

Não apareço neste filme, mas estive no concerto da mesma digressão, em Lisboa. E cantei com mais entusiasmo do que estes todos juntos. O disco já saiu, este clip é do DVD. Magnífico.

Chico Buarque, João e Maria

NOTA:
Apercebi-me agora de que é a primeira vez que ponho Chico Buarque no meu blogue. Como é que isto foi possível??!!