quarta-feira, 9 de julho de 2008

Adenda à entrada de ontem

Marion C. Honors, Grandmother

Recebi do meu Pai dois comentários que completam e enriquecem as memórias de uma ida a Paris com a minha Avó. Corrigidos e editados, a pedido dele, dão isto. Que vale a pena ser lido.

Pois, vais buscar fotografias ao Robert Doisneau e não pedes
ao Mário Cordeireau. Estive na pontinha do Vert Galant, há dias,
a respirar o ar intenso e a relembrar os teus Avós, que sempre
que iam a Paris faziam uma jura de amor nesse ponto tão enigmático.

Tu sabes, porque tiveste o privilégio de passear com ela
(até ela perder dois quilos por dia!), inclusivamente teimando
que a Bastilha ainda existia e querias ver as ruínas. E ela teve
o privilégio de passear em Paris contigo e com a tua irmã.
Bons tempos, Setembro de 1989, dito assim parece até antes
da Guerra de 14-18.

Lembras-te da ameaça de bomba correspondente a uma mala
de 20x20 centímetros (minúscula, pois) que um tal Monsieur Ubu, passageiro da Air France, teria enviado no porão (ainda mais estranho, dadas as dimensões da dita), e cujo
não se encontrava a bordo? Tivemos de fazer o reconhecimento das nossas malas e consta que fizeram explodir o "petit paquet" do Monsieur. Tudo isto em Setembro, mas antes do 9/11...

Noventa anos, pois é, o tempo passa. E lembras-te do empregado do Hotel, que passou a tratar-nos como reis depois
de recebermos a visita do Embaixador de Portugal? De pedintes a "onorevole" em menos de um fósforo. Já não contarei aqui algumas das tuas birras dos dez anos de idade, mas relembrarei o particular interesse pelo "mot de Cambronne"... na estação
do dito. Tenho
saudades. Da tua Avó, de Paris, de ti. Beijinhos, meu filho "primogénito".

8 comentários:

purita disse...

http://www.youtube.com/watch?v=acULghgYUg0&feature=related

uma versão alternativa à música do post mais abaixo!:)

[memórias com avós são sempre do melhor!tenho muitas saudades da minha]

Bicas disse...

Pois é, Pedro, só se dá por elas, pelas pessoas em geral, quando elas já cá não estão. A Vida separa as pessoas e nem todas são capazes de estabelecer elos, de modo a não se perder tudo. Tenho apreciado como mantésn esses elos dentro da família e gosto de ti, da tua atitude perante a vida, tão diferente de outros sobrinhos ( por que não dize-lo), que se limitam ao Natal e Páscoa para se lembrarem de nós ( as vezes nem isso...)

A tua Avó marcou-me muito e dizemque sou parecida com ela fisicamente - je ressemble a ma Mére, diria o Charles Aznavour - no que isso possa ter de positivio e negativo.
Ao olhar o espelho vejo-a...tantas vezes e sorrio. Olá Mãe.

Huckleberry Friend disse...

Purita, obrigado! Quem diria que é possível fazer uma versão decente e audível de uma canção da Britney? Beijinhos e conta-nos coisas também da tua Avó!

Tia, é verdade que o afastamento - temporário ou definitivo - nos ajuda a dar valor aos outros. Penso, porém, que devemos esforçar-nos por valorizar atempadamente as pessoas que connosco se cruzam. Quem o fizer verá que compensa, quase sempre. Manter os laços com a família e os amigos é algo que me sai de forma natural. Creio que se deve também à felicidade de ter Tios e Primos que são gente que merece ser conhecida e amada. O que não admira, dado o que aqui se tem escrito sobre a matriarca do nosso clã, a Avó, e tudo o que me tem sido contado sobre o Avô (que mal conheci...), os Bisavós e por aí acima.

É bom olhar para o espelho e poder dizer olá a alguém de quem gostamos. Essa não será, de modo algum, a menor herança deixada pela nossa querida Avó Gina. Beijo.

Mateso disse...

Quando um pai partilha as memórias vivas de um fiho, sinal maior de laços fortes e intemporais. Parabéns, meu caro. Mantém esse laço tão filial...lá diz o velho ditado Apopular " Filho és, pai serás..." Parabéns pela famíla e conserva intrínseco esse amor...
Bj.

Huckleberry Friend disse...

Disseste bem, querida Mateso. E o ditado aplica-se-me agora, mais do que nunca. Quero, um dia, transmitir estes ensinamentos aos meus filhos. Beijinhos e obrigado!

Martini disse...

Muito comovente e ao mesmo tempo cheio de humor ! :)

Huckleberry Friend disse...

Tens razão... um misto de riso e lágrimas que ninguém consegue dar como a realidade! Beijinhos.

Pat disse...

Pois, em Paris com a minha querida avó nunca tive o privilégio de estar fisicamente, estive através das inúmeras histórias que ela contava. Estive em muitos outros sitios com ela e, sabes uma coisa?, com a avó qq sitio se tornava especial. Tenho a sorte de sentir o mesmo quando vou a qq lado com o meu pai. Sinto-me orgulhosa pelos meus bisavós, pelos meus avós, pelos meus pais, pela familia q tenho, claro está, tu mais q incluido. É bom parar, recordar e, com um sorriso nos lábios, pensar: Bolas, eu sou mesmo uma mulher de sorte!
Beijo grande, meu primo querido!