sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Courrier Internacional - edição de Março

Chegou hoje às bancas o n.º145 do Courrier Internacional, o segundo em formato de revista mensal. O tema em destaque é o aperfeiçoamento do corpo humano através da ciência: que promessas, que riscos? Mas também há uma viagem ao Iémen, muitas receitas de gnocchi e o relato da viagem da fuga da corte portuguesa para o Brasil, há 200 anos.

Aqua, Barbie Girl

Saudades da Horta

No dia 15 de Fevereiro de 1986, sábado, entre as 12h e as 16h, inesperadamente, aconteceu a maior tempestade deste século nos Açores, em que o vento atingiu velocidades de cerca de 250 km/h. José Henrique Azevedo fez fotografias durante e após a tempestade. As ondas atingiram alturas entre 15 e 20 metros e a rebentação das ondas chegou a atingir os 60 metros. Dois anos depois, querendo mostrar o acontecimento com mais facilidade aos iatistas, José Henrique passou duas das fotografias de diapositivo a papel. Descobriu então que no momento em que tinha tirado uma delas, se tinha formado, na rebentação da onda, uma figura humana (cabelo, olhos, nariz, boca e barba) dando-lhe o nome de “Neptuno na Horta”.

Texto publicado pelo Peter Café Sport - José Henrique Azevedo é o proprietário do bar, filho de José Azevedo "Peter" e neto de Henrique Azevedo, o fundador

Estive duas vezes na ilha do Faial. Deu para conhecê-la de lés a lés - embora fique sempre alguma coisa por ver... -, da paisagem lunar deixada pelo vulcão dos Capelinhos à florida Caldeira, passando por Flamengos, Espalamaca e Varadouro. E pelas igrejas e casas que um terramoto destruiu. Assisti, nesse porto seguro mesmo ao meio da rota do fim, a encontros de navegantes de latitudes distantes. Sentado no Peter's, a escrever postais, vi como um australiano enorme chamava, eufórico, pelo inglês que tivera a simpatia de nos emprestar parte da sua mesa, pedindo apenas em troca um postal escrito pela minha irmã. Não se viam há anos, estes amigos. E foi ali, frente ao Pico em permanente metamorfose e às pinturas que os barcos - também os deles, com certeza - vão deixando no molhe, que se fundiram num abraço há muito ansiado.


Simon and Garfunkel, The Boxer

Ficam duas canções: a que cantei, aos 12 anos, com outros quatro marinheiros de ocasião, percorrendo toda a extensão da marina da Horta, e a que explica na perfeição o que é esta terra, esta ilha, este bar de onde se sai esperando pela próxima vez.


Trovante, Peter's

O que dá ficar no MSN até tarde

A conversa começou por ser sobre música de hoje. Cedo evoluiu para géneros, marcos incontornáveis, Oceano Pacífico vs. Radar FM, o que é ou não comercial... é bom falar destas coisas, abrir os olhos e os ouvidos - vício meu, penso que saudável -, ver e ouvir coisas novas. Agora, explica-me só uma coisa: porque é que acabamos nisto e não na última maquete que faz sensação?

Nat King Cole e Natalie Cole, Unforgettable

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Como alguns vêm cá ter

As visitas ao Statcounter são sempre úteis para ver que tal anda o desempenho do ninho. Dá para ver quantas pessoas cá têm vindo, onde estão, que entradas preferem, quanto tempo cá passam. Mas também permitem saber através de que buscas os leitores vêm cá ter. Entre as mais recentes encontrei estas, vá-se lá saber porquê...

google earth. vá lá.
Comove-me o "vá lá", mas no codornizes não fornecemos esse programa. Usamo-lo todas as semanas, recomendamo-lo muito, mas quem quiser descarregá-lo terá de ir acolá.

lindinha
Creio que muitas já por cá passaram. Pessoas lindinhas, fotos lindinhas, músicas lindinhas, blogues lindinhos, sensações lindinhas e fiquemo-nos por aqui. Resultam da sorte que é andar por este mundo e do fado deste vosso escriba, que não consegue tapar os olhos, os ouvidos e outros poros.

mensagem de não vale a pena chorar
Esta não percebo e o que não vale a pena é procurá-la aqui. É claro que vale a pena chorar. Mal de quem não chora, bem de quem o faz quando é preciso e encontra algo ou alguém que @ console. O que há é motivos melhores e piores para o fazer...

moteis pavilhao atlantico
Ai, caramba! Não vivo muito longe e, embora vá ao Atlântico de vez em quando, estou longe de o adorar como sala de concertos (até para isso prefiro o Oceano do mesmo nome). Motéis ali à roda não conheço, só aqueles hotelões que esmagaram a linda Gare do Oriente. Posso, na melhor das hipóteses, dar dormida a amig@s quando for o Rock in Rio.

maria gurjao de moraes
Não faço ideia de quem seja esta senhora, mas apresento-lhe desde já os meus melhores cumprimentos.

kitsch piroso
Obrigado pela parte que me toca, que deve ser toda (talvez partilhada com o amigo Miguel).

chuc
Chuc para ti também!

el rey pasmado; covers
Adorei o livro, adorei o filme, mas acho que nunca os mencionei aqui. E juro que nunca me passou pela cabeça fazer um cover de nenhum capítulo ou cena dos mesmos!

Músicas que ficaram (I)

Respondendo ao desafio da Martini, o entusiasmo do costume resulta numa lista muito comprida. Para já, vai ocupar sete entradas, com três álbuns cada. Mas podia ser ainda maior e é possível que leve adendas póstumas. Eis uma selecção de discos que marcaram a minha adolescência. E, cortesia para o leitor, uma faixa de cada um deles. A ordem é alfabética, compreenderão a impossibilidade de ordenar estes monumentos...



Abbey Road, The Beatles (Because)

Madredeus - Guitar...
Ainda, Madredeus (Guitarra)


Brothers in arms, Dire Straits (Your latest trick)


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Falha imperdoável

Dou-me conta, passados quase dois meses, de que não incluí nesta entrada sobre filmes favoritos um dos que mais me marcou em toda a vida. Já o vi dezenas de vezes. Se chego a casa tarde e me ponho a fazer zapping, arrisco-me a perder horas de sono: basta que apareçam Marisa Paredes a fazer de Huma Rojo a fazer de Blanche duBois, Cecilia Roth na mãe que mais merece sê-lo, Penélope Cruz num papel que ainda não superou, Candela Peña irritante na justa medida ou a dulcíssima Antonia San Juan, que nos ensina ("tetas, cinquenta mil!") que "una es más auténtica cuanto más se parece a lo que ha soñado de si misma". Isso e Barcelona, imensa e amada. Ela e a música que acompanha toda a história, composta pelo brilhante Alberto Iglesias. Mas essa fica para outro dia, porque hoje escolhi a última faixa da banda sonora - uma canção linda do senegalês Ismael Lô, ao som da qual costumava adormecer nas noites algarvias de um ano longínquo.

Ismael Lô, Tajabone (da banda sonora
de Tudo sobre a minha mãe, de Pedro Almodóvar)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Recordando os nineties


REM, Shiny happy people

O voo da codorniz com Google Earth (XVI)

Quinta do Campo, Valado dos Frades, Portugal

In memoriam João Pedro Collares Pereira

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Late Sunday soundbyte (XI)

Tecnicamente já é segunda-feira, mas, para quem espreita a noite dos óscares, o amanhã vem longe de mais. Os soundbytes têm andado pouco assíduos, mas há que dar tempo ao tempo. É o que dizem os Morcheeba na canção cujo título fui buscar.
rome.mp3

Toda a gente

Keith Haring, Tuttomondo

She need not judge. There need not have to be a moral. She need only show separate minds, as alive as her own, struggling with the idea that other minds were equally alive. It wasn't only wickedness and scheming that made people unhappy, it was confusion and misunderstanding; above all, it was the failure to grasp the simple truth that other people are as real as you.
Ian McEwan, Atonement

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Fotos do fogo

Um alerta recebido a meio da semana teve o sabor que teria, neste sábado chuvoso, um raio de sol discreto sobre o mar, que o facto de estarmos ainda no começo da tarde aconselha a não pôr já de parte. O gesto - um simples "olha, está a dar na rádio uma coisa de que gostas", vindo de alguém com quem a vida nos leva a partilhar, de tempos a tempos, músicas, escritos e ideias - merece a resposta que se segue. Era desta que gostavas, não era?

Sérgio Godinho, Fotos do fogo

NOTA: Tirei esta foto no Baleal a 28 de Junho de 2003.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

...then we take Lisbon!

Tu também devias vir. Não ao Rock in Rio, claro, nem ao Atlântico - que decerto encherias, mas para o qual és mal empregado. Uma sala intimista, onde essa voz cava possa ir subindo como ar quente. Talvez mesmo a sala onde tanto te ouço, à lareira, noite dentro, sem saber se é dela ou da aparelhagem que me chegam as tuas canções... Ginginha, jeropiga, Baileys? Com que licor brindar à tua saúde? Com que versos agradecer tantas horas, por vezes só, por vezes na companhia de figuras que se tornam a tua Suzanne, a Marianne do adeus, a eterna Joana de Arc, ou mesmo cansados last year men? Quero-te cá, Leonard Cohen. Já assinei.


Leonard Cohen, First we take Manhattan

Ela vai!

Ela é Amy Winehouse e vai ao Rock in Rio, a 30 de Maio. O cartaz começa, por fim, a ganhar interesse. Recuperemos uma faixa do seu primeiro álbum, Frank.
Amy Winehouse, Know you now

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Blogues à quinta (XI)

Ofício diário

O que se pode esperar de um blogue cujo mote é "O poema de cada dia nos dai hoje"? Poesia, pois claro! A de Torquato da Luz vai aparecendo a um ritmo pouco menos que diário, e ainda bem: sabe bem ao visitante quotidiano reler duas, três vezes as suas composições. Tantas as leituras quantos os dias de intervalo e as mudanças de ventos e estados de espírito. Além do gostinho que há na incógnita de clicar para ver se o próximo já lá está.

São poemas depurados, raramente longos - e para quê, se lemos e está tudo ali? O amor, o tempo, a importância do pormenor, o não nos deixarmos estar... e muita, muita Lisboa. Palavras que quase vemos, sentimentos que se nos transmitem por osmose ou recordação, mesmo antes de olharmos para as fotografias e pinturas que acompanham cada entrada. E é tudo da autoria do mesmo homem, caramba! Visitem, pois o blogue (atenção aos comentários e à assídua resposta do poeta) ou então procurem o livro homónimo.

Passando em revista os últimos ofícios, temos, entre outros, uma madrugada de amendoeiras em flor, um desafio bem agarrado, o esquecimento como fatalidade, um esgar que doeu e a vertigem da espera que o amor causa. Fiquemos, pois, na vertigem de esperar o próximo poema de Torquato da Luz.

Contributo para a auto-estima do país

Este vídeo, que me mandou uma belle demoiselle, foi rodado em Lisboa. A música é audível, sem fascinar. Mas ver a cidade é sempre um prazer...


Christophe Maé, Belle demoiselle

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O que faltou no voo de ontem


Stéphanie do Mónaco, Ouragan

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XV)

Mónaco

A chuva, o frio, o vento e o facto de a semana ainda ir na terça-feira levam a codorniz até à terra dos Grimaldis. Só queria um solzinho como o que lá apanhei certa vez, em Novembro. E outras coisas que por lá me foi dado ver, y compris, desculparão, o ócio e a futilidade.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Hay tanto mundo que ver

Pablo Picasso, Mujer en el jardín

Instalação de Sáenz de Oiza, Arco2008

Kokotxas de merluza

Terrace-bar Granados 83


Chocolateria San Ginés

Amedeo Modigliani, Nu recostado (1917)

Apetece-me inaugurar a semana com a música que inaugurou este ninho e com o verso que dele se tornou lema. Até porque encontrei uma versão na língua que ouvi e falei nos últimos dois dias - e que adoro. Há muito, muito mundo para ver, até nos sítios onde já fomos repetidas vezes. Prometo volver, Madrid!


Pedro José Sánchez Ramírez, Moon River
(da banda sonora de La mala educación)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Buen fin de semana!

Sarah Wimpering, Madrid windows

Desde Madrid, al Cielo
y desde el Cielo,
una ventanita para ver Madrid

Mais nada importa

Uma prima teenager vem mostrar-me uma música "muita gira" no mp3, de um grupo de que nunca ouvi falar (era gira, pois!). A inércia faz-me continuar de auscultadores postos e eis senão quando...

Metallica, Nothing else matters

Como não sorrir? Como não perceber logo que, forever trusting who we are, mais nada importa? Agradecido à Peanut pelo bálsamo musical, deixo-vos como bónus a sugestão musical que começou por lhe dar azo.

30 seconds to Mars, From yesterday