sábado, 15 de dezembro de 2007

Espírito da quadra (VII)


Por onde quer que ande no mundo, em qualquer altura do ano, procuro um concertozinho numa igreja. De um contratenor vietnamita em Saint Julien le Pauvre (Paris) a uma missa de negros baptistas em Lexington (Carolina do Sul), passando pelos Natais de Santa Maria del Mar (Barcelona) e Saint Martin-in-the-Fields (Londres), a música ouvida nestes templos dá ao ateu que sou uma paz que, paradoxalmente, me deslumbra e torna mais lúcido.

Sexta-feira à noite, foi em Lisboa, na igreja de Santa Isabel, pela mão das equipas de jovens de Nossa Senhora, com opípara ceia natalícia incluída. Que bom voltar àquele local de tantas memórias e encontros, da Lectio Divina do Padre Zé Manel às missas de homenagem à Tia Amelinha e ao Avô Dragomir, e vê-lo cheio de gente reunida para festejar o Natal.

Que alegria nos olhos do público e dos artistas (os adolescentes eram maioria), numa azáfama social e musical trepidante. Que boa selecção musical, entre o nacional e o estrangeiro, entre o religioso e o pagão. Que graça a do Pêu a orientar o coro, e que vozes a dele e a de outros, com destaque para a Xinha. Que bebé bonito o que estava ao colo da mãe que se sentou ao nosso lado. E que bem ladeado estava este vosso amigo, que teve a sorte de ter sido convidado de duas queridas amigas (obrigado, Ana e Filipa)! Houve mais música nessa noite e mais haverá até ao Natal...

Natal-elvas.mp3

Natal de Elvas, pelo Coral de São Domingos (Montemor-o-Novo)


Ó meu menino Jesus
Que tendes, porque chorais?
Deu-me minha mãe um beijo,
Choro por que me dê mais

13 comentários:

Mário disse...

Hoje vamos todos (eu e meninos) a um concerto de câmara na Igreja dos Franceses.
Depois dos vinte de ontem, somso SÓ três...
Por falar na Igreja mais antiga de PAris (Saint Julien), foi o Pedro que me desafiou para ir ouvir um contratenor e pianista lá, numa gélida noite.
Que calor senti, não sei se das velas, se da música, se da humildade do local, se da companhia do meu filho mais velho.

Maria del Sol disse...

Também sou uma apreciadora de concertos natalícios em igrejas, parece que nesta altura do ano elas se tornam mais acolhedoras que nunca... o que mais me marcou foi no ano passado em Parma, na igreja de Santa Maria della Steccata, com as vozes do coro a confundir-se com os frescos de Correggio da abóbada. Emocionante :)
Também dediquei um post a esta quadra no meu espaço.
Continuação de bom Domingo y saludos navideños ;)

miguel disse...

Essa apetência de bom gosto pela música religiosa não é de ateu, não. Pelos exemplos dados é mais própria de um espírito ecuménico, o que aliás eu já tinha desconfiado.

av disse...

Tenho que concordar com o Miguel. Chama-lhe o que quiseres, Pedro, mas a necessidade de um alimento para o espírito (que tu revelas frequentemente) não é de ateu. E isto nem sequer tem a ver com os gostos musicais, porque um ateu pode muito bem gostar (por razões puramente estéticas) de música religiosa. É mais qualquer coisa, e fica-te bem.
Um beijo

Huckleberry Friend disse...

Pai, espero que o calor em São Luís dos Franceses tenha sido tão grande como na Praça Pasteur durante a tarde de ontem e, claro, como o calor de Saint Julien nesse frio Dezembro em Paris, há já (já?) sete anos. Antes (ou depois?) de comermos perninhas de rã (blargh!) e fondue de queijo... bisous!

María del Sol, já anotei na agenda para quando tiver oportunidade de ir a Itália, país que não conheço. E vou visitar o teu blogue ainda hoje! Felices fiestas!

Miguel e Ana, ecumenismo não me falta, gosto de saber mais sobre todas as formas de fé e o meu espírito precisa de alimento... como de pão para a boca. Mas não desligo o corpo da alma, acho que os dois vivem e morrem juntos. Não acredito em vida depois da morte e estou convencido de que Deus não existe... por isso acho que sou ateu! Abraço para os dois.

miguel disse...

a propósito de religião, recomendo o artigo do Frei Bento Domingues, hoje, no Público e aproveito para dar uma pequena novidade: instintivamente, é o Natal, a festividade do calendário religioso Católico a que eu estou mais ligado, até por razões culturais, familiares, memória, etc. Mas há um ritual que me vai trazendo curioso, pelo seu simbolismo: a Festa do Pentecostes.Hei-de referir-me a isso no meu blogue.

Mário disse...

As perninhas de rã - o que tu foste lembrar!
A tua ânsia de petiscar tudo o que pertença ao reino animal já me levou a degustar crocodilo (nojento, parecia porco seco com baba de caracol), urso (indiscritível) e, entre outras "iguarias" (leia-se "porcarias") essas pernas de batráquio mal enjorcado que nem uma tábua de queijos conseguiu fazer esquecer (talvez porque o queijo era caro e fomos para a versão mais "singela" que era quase só tábua).
Mas o concerto foi genial, e a noite estava fria para caraças - que saudades de Paris, do Vert Galant e do Quartier Latin.
"Sous le pont Mirabeu coule la Seine".

miguel disse...

"A tua ânsia de petiscar..." (e , catrapumba,seguem-se uma torrente de qualificativos para os gostos do filho...)

Pedro, telefona para o SOS FILHOS.Eu sou tua testemunha!

Estes pais de hoje...tsts

Huckleberry Friend disse...

Miguel, uma vez ouvi um padre dizer que o Pentecostes era a festa de anos da igreja. Quanto ao Natal, é, para mim, a festa da família, dos amigos e, sobretudo, das crianças. Fico à espera da tua entrada, enquanto telefono para o SOS filhos (lol).

Pai, esteja descansado que não telefono nada. Essa coda final lembrou-me Reggiani, que não oiço há semanas... Vienne la nuit, sonne l'heure / Les jours s'en vont, je demeure. Ninguém diz esse poema como ele, e que deleite quando é imediatamente antes do magistral Et puis!

anak disse...

lol foi 1 bom concerto

Huckleberry Friend disse...

Melhor por tu lá estares, querida! E diz à Pokas que venha comentar o meu blogue...

Mário disse...

Miguel
Em primeiro lugar, acho incrível estimulares a zizânia...
Como pena para essa tua ousadia, o tribunal condena-te a provar pernas de rã, crocodilo e urso. E depois falamos...

Pedro: confessa lá que o crocodilo era demasiadamente mau... e o enlatado com pedaços de urso, que tanto podia ser urso como cão morto à esquina, também não estava ao nível da Tour d´Argent...

Huckleberry Friend disse...

O crocodilo, comido no restaurante australiano da Expo98, era de vomitar. Já provei outro, enlatado e vindo dos Everglades, na Florida, de que gostei. O urso não era mau, mas não entusiasmou! Alguém comeu coisas mais esquisitas?