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Com o fim-de-semana à porta, a sugestão é partir em busca de um sítio mágico. Um lugar que se torne o centro da Terra, uma fonte de vida, o começo do infinito. Um recanto escondido onde só se possa ser feliz. Nestas coisas, nada como prescrutar as origens. Se o Cais das Codornizes nasceu com Tes gestes cantado por Moustaki e Reggiani, ouçamo-los de novo. Serge no codornizes, Georges no cais. Em busca do paraíso...
Serge Reggiani, C'est là
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Etiquetas: BLOGUES, cais das codornizes, música, o meu cais, serge reggiani
Quando o codornizes recebeu o prémio "É um blog muito bom, sim senhora!", passou-o a seis outro blogues. Quis o acaso que os mesmos pertencessem, precisamente, a seis senhoras. A última delas - só por causa da ordem alfabética, atenção! - é a Cris, cujos encantos hoje destrinçamos. Esta semana houve blogues à quinta e à sexta, já que na semana passada a rubrica falhou...
Os meus encantos é um espaço que pacifica quem o visita, mormente quando passa músicas como a dos Black Sabbath que está a tocar hoje. Gosto da cor do fundo, do visual limpo, da cor chocolate com que a autora escreve coisas bonitas. Até o facto de a maioria das fotos ser a preto e branco ou sépia dá a este blogue uma coerência tranquilizadora. E parabéns à blogmistress pelo rigor na atribuição de créditos, que infelizmente ainda não se generalizou na blogosfera!
Com intervalos de alguns dias entre entradas, a Cris combina prosa, poesia e imagem em apontamentos muito pessoais, mas não despudorados. Aos seus versos sentidos alia os de outros autores, os tais que dizem o que nem sempre conseguimos pôr cá fora (e que dão tanto jeito!!!). Os vídeos e as músicas também dão um ar de sua graça. Mas sejamos claros: neste blogue, a pole position pertence à escrita. Num tom intimista, a graças ao destaque dado a alguns comentários enviados por gente amiga, nasce um diálogo sincero e despretensioso, às vezes comovente.
Só dois reparos antes da visita guiada a Os meus encantos: 1) não sei se será do meu monitor, mas o arquivo do blogue, os links e a música de fundo aparecem cá em baixo, onde raramente algum leitor chega. Não dá para puxá-los para cima, ao lado do texto? 2) não consigo encontrar links individuais para cada entrada, o que seria muito conveniente para o parágrafo que se segue...
Vamos lá, então, fazer uma selecção das entradas mais recentes da Cris: um fim de tarde com sabor a sal, uma prova de amor fraternal, danças sobre primaveras, um recado para um pai, açúcares, campos verdes com rios dentro e um mimo de mãe para filha. Parabéns pelos teus encantos, Cris! Que continuem a encantar-nos...
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16:31:00
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Etiquetas: BLOGUES, os meus encantos
Mais uma semana, mais um blogue que gosto de visitar, ao ponto de lhe ter passado esta batata quente. Descobrir, tecla a tecla, o piano da Isabel Mendes Ferreira é uma experiência tão saborosa quanto o seria sentarmo-nos na rosa de pedra de Paulo Neto, que hoje abre o blogue, a ouvir a música que desata a tocar mal chegamos (sobre esta, tive pena de não encontrar informação de título e intérprete).É difícil caracterizar este piano. Ao ler as entradas que o vão preenchendo, sinto-me, acima de tudo, desafiado. Tenho a sensação de que a autora lança reptos, fragmentos cuja coerência nos cabe encontrar - e há sempre uma! -, combinando-os ou complementando-os com o que nos vier ao espírito. As imagens são grandes e absorvem-nos o olhar (tenho a sorte de ter um monitor grande no meu local de trabalho), sobressaindo do fundo preto. As palavras mudam de corpo, tipo de letra e tamanho, obrigando o pensamento a acertar agulhas, e há silêncios _________ llansolianos.
O blogue mantém um grande número de entradas online. Não tem lista de links nem arquivo (é pena), apenas o perfil da autora, que tem mais um blogue, de acesso restrito, e colabora noutro. Um périplo pelos conteúdos mais recentes traz-nos corpos e pedras debaixo do céu, esqueletos e lágrimas férteis, serpentes luso-francesas à beira-mar, esboços a preto e branco, travos e trevos de fogo, a sereníssima Veneza e anjos ao ocaso. Continuaremos a saltar pelas brancas e pelas pretas, Isabel. Felicidades!
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Eis-me, pela penúltima vez (por agora!), a debitar discos que me marcaram (está quase, Marta!). Já cá faltava Reggiani, ao vivo como nunca tive ocasião de vê-lo. Em palco, dava asas ao talento dramático, gracejando e improvisando sketches. Actor de renome, diseur como poucos, começou a cantar depois dos 40 anos. E só parou quando morreu, no mesmo dia que Carlos Paredes. "Quando soubemos, ficámos sem dizer nada, ouvíamos as músicas dele, mas não cantávamos", recordou-me alguém, há tempos. Agora cantamos, cada vez mais alto. Esta manhã, trocámos versos desta canção linda, à qual Serge apunha, como prefixo, um poema de Guillaume Apollinaire:
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14:36:00
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Etiquetas: BLOGUES, memórias, música, rick wakeman, serge reggiani, vinícius de moraes
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Etiquetas: gestos, jogos olímpicos
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Etiquetas: alegria, amigos, família, friedrich gulda, gestos, memórias, música, wolfgang amadeus mozart
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15:37:00
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Etiquetas: BLOGUES, cais das codornizes, chico buarque, miúcha, música, o meu cais
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14:28:00
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Etiquetas: alegria, amigos, beatles, BLOGUES, juan luis guerra, música, praia, sol
Da Azarujinha a Cascais, Portugal
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Etiquetas: alegria, carlos mena, família, gestos, lux orphei, música, presente
Gaylussacia brachycera

Gaylussacia baccata

Gaylussacia dumosa

Vaccinium parvifolium
Vaccinium uliginosum
Ao contrário do que possa parecer, não são groselhas nem mirtilos. Não sei como chamar-lhes em português. Vi huckleberry traduzido por baga de murta, uva-do-monte e fruta-do-lobo. Mas não me importa o nome: quero provar esta fruta. Vai-me saber, estou certo, às coisas boas da vida, e será o equivalente sápido ao som de Moon river, ao prazer de escrever e receber visitas neste blogue, à elegância de Audrey Hepburn, à beleza de quem amo, ao futuro que nos espera para lá da curva do rio.
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Etiquetas: aniversário, audrey hepburn, codornizes, henry mancini, johnny mercer, moon river, música, poesia
"Isto é São Pedro a lembrar que os provérbios são para ser ouvidos", explicava-me, ontem, uma entendida no assunto. Hoje, chateadíssimo com o trânsito na descida da A5 para a Marginal, ao pé do Estádio Nacional, preparava-me para sorrir ao som desta música, socorrendo-me para tal da memória ainda fresca de um passeio ao sol pelo paredão de Cascais. Eis senão quando o rádio interrompe, malcriado: "Informação de trânsito: complicações na descida da A5 para a Marginal, ao pé do Estádio Nacional..."
B.J. Thomas, Raindrops keep falling on my head
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09:59:00
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Etiquetas: b j thomas, chuva, coisas, música, vida
Que tenho eu com isto? E porque não
escandir antes o ocre das fachadas,
que dessas há certeza, e as ensaimadas
cheias de açúcar (sacudo-o para o chão)?
Teimosas pálpebras, fiquem caladas!
Se ele chora e ela também, eu canto um fado
Que o santo aplaudirá do pedestal
Pois da montanha ao mar quem desarvora
Há-de voltar, amando, no Mistral
Só para me baralhar a narração.
Barcelona, Fevereiro 2001/Lisboa, Abril 2008
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Etiquetas: alegria, amor, coisas, mark knopfler, música
Há semanas, passei ao blogue da Andreia Ferreira o prémio com que a Júlia Moura Lopes me surpreendeu. Ao abri-lo hoje, para preparar esta entrada, tive a certeza de que a escolha fora acertada: I don't believe in an interventionist God, cantou Nick Cave. A canção chama-se Into my arms e dá vontade de abraçar alguém, seja um ser de carne osso ou um Deus não-intervencionista.
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14:26:00
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Etiquetas: a menina dos olhos de água, BLOGUES
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Etiquetas: BLOGUES, cais das codornizes, judy garland, música, o meu cais, sonhos
Eis, segundo o imprescindível Statcounter, algumas das buscas que têm trazido a este ninho certos internautas incautos.
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16:15:00
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Hydra, GréciaVerão de 1995. Muito calor em Atenas. Templos, souvlaki, mussaka, bugigangas no Plaka e passeios em ronceironas. Éramos quatro: a minha irmã, eu e as anfitriãs Stella e Myrto, estas em constante algaraviada, como boas mãe e filha gregas. Fugidos da capital sufocante, aliviou-nos uma ilha esguia e árida, pouco menos do que Óbidos posta em cima do mar tépido, com montanha em vez de muralha e atravessada por brisas frescas ma non troppo.
Hydra não tem carros. Uma mula diminuta levou-nos as malas do delicioso porto até à morada do casal Panagyotou, tão hospitaleiro quanto mouco. Alugavam quartos sem licença. Se aparecesse fiscal, avisaram, éramos primos. E que déssemos cumprimentos a um amigo que tinham em Lisboa, de seu nome António. Se o mesmo for leitor do codornizes, ficam entregues, com 13 anos de atraso.
O resto foram passeios de barco, kalimeras e kalisperas a cada esquina, tentativas de decifrar os letreiros em grego, um escaldão na planta dos pés para um(a) dos veraneantes e pôres-do-sol no bar Hydronetta, antes ou depois de banhos de mar numa praia de seixos, ali mesmo ao lado, onde a Myrto invectivava os psaraiki (peixinhos) que nos vinham fazer companhia. Deixo-vos uma imagem da Wikipedia e um poema que a saudade inspirou.
(cliquem para aumentar, que vale a pena)Requiem no Mar Egeu
Dizias-me (em Hydra) que o mar leva
os que quiser, bebendo mazagrins
fermentados em copos muito altos
no nosso canto à entrada da baía
o pintor abraçava uma sereia
muito loira, vê na fotografia
que lhe invejei as pernas nas manhãs
em que as gaivotas eram só contraltos
agora não vejo o Peloponeso
sei de uma buganvília só na cal
da ilha, candeeiro de azeite aceso
sobre o mar que te quis para maré cheia
mas diz-me, a quem se paga o funeral?
às mulas velhas? às velhas? whatever…
Lisboa, 14 Novembro 2000
Shout out louds, Tonight I have to leave it
So I've heard you know how to write it
does it mean you're good at putting things on paper?
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Etiquetas: amor, música, presente, shout out louds