Pediste com jeitinho e, porque mereces, aqui a tens (e com um poema de bónus). Como tu, gosta de passear. Como tu, olha para tudo com muita atenção. Como tu, enternece-me.
Plumas, de José Tolentino de Mendonça
(in A estrada branca)
Através da terra o amor
torna-nos estranhos à terra
liga-nos a uma divina linhagem
com seu tormento inapagável
suas verdades enormes
O amor vive na ponta dos cabelos
O amor, ditam os frios de coração, é ruinoso
qualquer momento em chamas
denunciará a precisa inquietação que nos toma
Os inocentes que se amam dizem
teu corpo está a nevar
tua alma é uma flor
um prado tranquilo sua noite
Os inocentes que se amam
por seu tormento elevam-se
como plumas
num chapéu de passeio

