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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pedido aos meus colegas jornalistas

Não escrevam sobre a ETA sem incluir as palavras "terrorista" ou "terrorismo", como fazem o DN, o JN e o Correio da Manhã a propósito do assassínio desta manhã. Cumprida esta condição, chamem-lhe grupo, organização, bando, o que entenderem. Dêem, se acharem bem, informação de contexto sobre as suas reivindicações e, mais importantemente, os seus meios. Nem sequer vos exijo que digam que os etarras são uns filhos da puta para quem matar e extorquir se tornou um objectivo de vida. Mas peço-vos, por favor, que não se refiram se à ETA sem dizer o que é ou, pior, chamando-lhe apenas "organização separatista basca". Isso é só meia-verdade e nem sequer é a metade mais relevante. Que é como quem diz, é mentira. A ETA é terorrista. A ETA é criminosa. E quem não perceber isto não pode informar ninguém com seriedade.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O voo da codorniz (XXXIII)

Sarrià, Barcelona, Catalunha, Espanha

Um gesto amigo lembra-me outro amigo. Saudades de um acentuam as saudades do outro. A viagem daquele à cidade deste, a que também chamo minha, dá-me vontade de lá voltar. E de aterrar como da última vez, depois de sobrevoar toda a linha costeira, do Llobregat ao Besòs, dos contentores da Zona Franca aos toldos das varandas da Barceloneta, aqui o mar, ali a cidade, lá atrás o Tibidabo, deste lado Montjuïc. Una abraçada, Miquel i Oriol!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O regresso da orelha

Os meus espanhóis-pirosos-preferidos (quase triplo pleonasmo...) resolveram a crise que os atormentava. Amaia Montero quis ir embora? Rainha morta, rainha posta: a vocalista passa a ser Leire Martínez. Este é o primeiro teledisco em que entra, do álbum ainda inédito A las 5 en el Astoria. O estilo... bom, mantém-se mais ou menos o mesmo. MAS EU GOSTO!


La oreja de van Gogh, El último vals

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XXII)

A Corunha, Galiza, Espanha

A marginal da semana passada e a quantidade de memórias que suscitou levam a codorniz a procurar outras maresias. Ei-la que voa para Norte e sai (sai?) do país, seduzida por um passeio marítimo mais sinuoso, com curvas e contracurvas por onde circulam os eléctricos que Lisboa não quis. Que prazer o de descer, uma vez mais, o istmo que liga Portugaliza a A Corunha! É uma cidade sempre amiga, quer nos acolham amigos de braços sempre abertos - que a cada visita nos ensinam mais uma das belezas que há nos arredores - ou, da única vez que deles nos desencontrámos, um modesto quarto de hotel atrás do estádio do Deportivo.

São manhãs a ver o porto da varanda da Charo e do Ánxel (e o Chus, por onde andará?), tardes a descobrir Rias Altas e Baixas, passeios pela barafunda das rúas do centro ao fim do dia, uma vieira aqui, um pulpo à feira acolá, raxo e zorza bem regados, conversas nocturnas na Baía de Riazor/Orzán. Ora falamos a mesma língua, ora nos entendemos sem nada dizer. À socapa, de madrugada, A Corunha prepara-nos surpresas de que só nos daremos conta depois de termos deixado para trás as terras galegas, com um adeus e uma saudade necessariamente provisórios. A cidade deseja que voltemos, só pode, ou não se nos gravaria na pele com a força de uma vaga contra a Costa da Morte, o calor que pela garganta escorre quando bebemos queimada, o peso das pedras que mantêm de pé, há 1900 anos, a Torre de Hércules, farol que guia navios tresmalhados e coluna (corunna, em latim) que deu o nome à terra a que dedico este poema alheio.

Georges Moustaki, C'est là
(a versão cantada está mais acima)

C'est là que le monde commence
C'est le début de l'infini
Jardin secret couleur de nuit
Royaume d'ombre et de silence
Terre promise île déserte
Refuge crypte et oasis
Jardin de nos plus doux délices
Source toujours redécouverte
C'est là le centre de la terre
Où se rencontrent nos envies
C'est là que se donne la vie
Royaume d'ombre et de mystère
C'est là que commence le monde
Là où ta main guide ma main
Pour mieux lui montrer le chemin
Au coeur d'une forêt profonde
J'y découvre des paysages
D'étranges fleurs d'étranges fruits
Dans cette étrange galaxie
Où me conduisent mes voyages
C'est là le centre de la terre
Le saint des saints le lieu précis
Où de naguère à aujourd'hui
Je me noie et me désaltère
C'est là que le extase commence
C'est le début de l'infini
Jardin secret couleur de nuit
Où tu recueilles ma semence

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

28 assim nunca mais

Um dos meus grupos favoritos está em crise. Os espanholíssimos e deliciosamente pirosos La Oreja de Van Gogh ficaram sem a vocalista Amaia Montero, que parte para outros voos. A banda não acabou, quer dar a volta por cima, mas não sabe como. Com esta vozinha é que já não conta... só fico com pena de nunca os ter visto ao vivo.

La oreja de Van Gogh, El 28

Sí, quiero saber
si tú también recuerdas algo de aquel café
espero a veces sin entender por qué.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Depois da tempestade

Ao fim de uma data de anos, troco as uvas frescas por passas, que é como quem diz que a meia-noite do dia 31 não vai ser passada em Espanha, como de costume, mas em território nacional. Ou na 18.ª comunidade autónoma, como gosto de dizer quando o interlocutor é demasiado anti-hermanos. É um gosto voltar a contar as badaladas no Baleal... por fazê-lo em português? Também, mas, acima de tudo, por ser a minha terra, a nossa. Aquela cuja independência quisemos proclamar, certo Verão, elevando a ilha a Principado e anexando, à passagem, Berlengas, Estelas e Farilhões.

A verdade é que ligo pouco a fronteiras e sinto-me em casa em muitos lugares deste mundo. E se foi da água que mais tive saudades quando fiz de Madrid mi ciudad, ela não vai faltar durante os próximos dias, quer se espraie como um lago diante do terraço, quer ande revolta como neste vídeo que o Tomaz Bairros me enviou há tempos, quer caia do céu às bátegas como uma purificação antes do novo ciclo. Nesse caso, até pode vir acompanhada de raios e trovões. Que eu cá tenho aquecedores, chá e mantinhas e quem me console.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Blogues à quinta (VIII)

Prohibido fijar carteles

Mais um blogue espanhol, mais um blogue de um amigo. Luis Felipe Torrente recolhe o que outros vão deixando pelas paredes de Madrid e não só. Cartazes, graffiti, inscrições, divisas ou desabafos sobre fundo de betão ou tijolo povoam este espaço divertido. A actualização não é diária, mas de vez em quando vêm uma data de entradas em catadupa.

O vol d'oiseau habitual revela-nos uma fuga à rotina para homenagear o Turner deste ano, uma carta ao futuro, dois cartazes vintage de um bairro que conheci melhor com o ilustre blogueiro, um alívio lisboeta e heresias como esta e mais esta.

Jornalista da televisão Cuatro, apreciador de boa comida, bons copos e bons livros, o autor deste blogue gosta muito de Portugal e o português ibérico que sou também gosta muito dele. Un abrazo, Luis!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sagrada Família

Como areia molhada na mão
O movimento ascendente das torres
(Como o teu corpo, e tudo, não tem rectas).

Agosto 2005

Poema a lembrar um de muitos périplos espanhóis, enquanto espero pelo próximo e já anunciado, do qual prometo à M. trazer frutos galegos ao som do Mar adentro.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (VIII)

Já aqui estiveram? Em que circunstâncias? Gostaram? Os voos da codorniz, à segunda ou à terça neste blogue, pretendem suscitar a partilha de histórias de viagens. Vamos a isso?

Cabo de Gata, Espanha

Foi ao nascer do sol que me deixei enfeitiçar pelo Cabo de Gata, ou no Cabo de Gata. Eram oito da manhã do último dia do ano passado e a luz dava às rochas escuras um tom de cobre. A tentação era grande de nos deitarmos para trás, sobre a pedra, permitindo que nos penetrassem os raios amarelados daquele Inverno... só que a beleza da luz não aquece e a terra ainda estava fria, pelo que foi de dentro do carro, chauffage ligada, que tentámos adivinhar o que pensaria o Mediterrâneo. Depois da feia Almería, este finis terrae deu-nos ânimo para percorrer toda uma costa. Depois de Ronda e Gibraltar, com macacos assanhados e tudo, o ar sevilhano foi testemunha de um mergulho de cabeça num daqueles anos que mudam uma vida. Ou duas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Mortadelo y Filemón

Os agentes da T.I.A fazem 50 anos! Aqui vai um abraço fuertísimo para o Mortadelo dos mil disfarces e para o seu chefe Filemón Pi (Salaminho no Brasil, Salamão em Portugal). E cumprimentos para o Superintendente Vicente, a vetusta secretária Ofélia, o desastroso professor Bactério e, em representação dos vilões, o meu preferido: Chapeau, el Esmirriau.
Os tebeos do Mortadelo, presença de longa data lá em casa, chegaram-me, sobretudo, das viagens a Espanha (às vezes iam só os meus pais e traziam-nos aquelas compilações pesadíssimas). Delicio-me com os disparates desta dupla, que, sem que déssemos por isso, fez meio século sem perder a graça. Outro abraço terá de ir, pois, para Francisco Ibáñez, o autor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Porque hoje é Dia de Espanha...


La oreja de Van Gogh, Puedes contar conmigo

...e porque não gosto de paradas militares ou procissões à virgem do Pilar, que é o que alguns fazem por lá, deixo-vos esta canção.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Ainda Espanha

Também gosto disto.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Fúria ibérica


Não tendo surgido, no primeiro dia deste blogue, um esboço de quem cria estas codornizes, a apresentação terá de fazer-se ao longo do tempo. Menos mal, assim trocamos a enumeração de virtudes e defeitos próprios, pouco fiável, pela sua descoberta por quem por eles se interessar. Não hesitem em apontar umas e, sobretudo, outros.

O sentimento ibérico é o primeiro traço a desvelar. Para dizer que gosto desta península e que não gosto que lhe façam cabronices destas. Mas delas falaremos outro dia.

Gosto de Portugal. Gosto de Espanha. As suas gentes pouco diferem das nossas, concluo das andanças castelhanas, catalãs, galegas, bascas, astures e andaluzas a que a vida me tem levado. Sem embarcar nas quimeras de Saramago, julgo que não era drama se a História tivesse feito de Portugal e Espnha um só país. Como fez dois, tire-se partido da diferença. E da diversidade interna de ambos. E das semelhanças, claro.