Chamam a este tempo singular "queda da folha". É o fall dos americanos, estação de neuras que alguém fará o favor de dizer se são pós-estivais ou pré-invernais. Diz que é por agora que mais cabelo cai e mais gente se mata... mas chamam-lhe também Outono, que vem de autumnus, palavra latina cujo radical aut- se associa ao gótico aud-, ao saxão ōt-, ao inglês arcaico ēat-. Todos eles significam "próspero, rico e feliz".
Escolher o quê? A explosão de ocres que já aí anda e que um dia gostava de ver na Nova Inglaterra - tão do agrado da autora desta pintura e minha querida Tia - ou a vasta gama de cinzentos que vai anexando o céu? A primeira chuva é bálsamo purificador ou balde de água fria num corpo ainda rescendendo a sol de Verão? Será o maior recolhimento triste sintoma de menos luz ou ocasião para gozar compotas, cereais e vinho?
Dois consolos: a dialéctica não é estrita e nem sempre o ónus da escolha recai sobre nós. Se houve anos em que só a contragosto troquei o gelado de pau pela pêra-rocha e em que o abraço amigo de uma camisola me soube a asfixia, outros vivi - como o corrente - em que nem toda a força de vontade do mundo posta ao serviço de um absurdo desejo de estar triste o lograria.
Les cowboys fringants, Toune d'Automne
Anyway chu content que tu r'viennes
T'arrives en même temps qu'l'automne

