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segunda-feira, 6 de julho de 2009

O voo da codorniz (XXXVIII)

Prainha, Baleal, Portugal



Como sempre,
lugar de (re)encontros


segunda-feira, 26 de maio de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XXV)

Praia de Vale de Frades, Lourinhã, Portugal

Areia grossa depois do lamaçal consola as plantas dos pés. Há-de colar-se às costas, não me ralo. Dispenso no passeio de rocha a rocha o jornal ou livro do costume. Não dirijo rancores à nuvem que - linda, negra, enorme - me chove em cima três pingos antes de seguir viagem. Podia ser pior, um tornadozito sobre o mar ou coisa que o valha. Mas há-de chover mais: vê que a Berlenga está nítida e os Farilhões à mão de semear. Só não entro no mar porque sabe bem esta pedra quente. Esta perda quente. Esta perna quente.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mão d'Água

Baleal, 17 Dezembro 2006 (PC)

Voltámos à sopa primitiva. Um pé na areia, depressa descalço, depressa submerso com o resto do corpo. Porque o princípio foi aqui e foi assim desde o princípio. À sempre comoção do regresso colou-se-nos a comoção inédita da estreia de um de nós. Que não levou, por frágil, o costumeiro carolo dos caloiros. Antes lhe passei uma mão pelo pêlo: gelada do mar, quentinha da ternura salgada que pus no passar, morninha da mão doce que repetiu o gesto antes de agarrar a minha. Fomos felizes.

Georg Friedrich Händel, Música aquática
(sei que gostas... foi das primeiras que ouviste)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

I'd like to be / under the sea...

Duas canções, dois propósitos: celebrar a actualização do Beatles Forever! e pedir ao santo meu homónimo que permita uma mergulhaça no fim-de-semana. Vá lá, pá!


The Beatles, Octopus's garden (para a Teresa)


Juan Luis Guerra, Borbujas de amor (para quem sabe,
com imagens d'A pequena sereia da Disney)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XXI)

Da Azarujinha a Cascais, Portugal

O paredão tem 2,7 quilómetros. Ou 5,4, porque o fazemos nos dois sentidos. Descida a exígua e traiçoeira escadaria que conduz à praia da Azarujinha, Moustaki diria que on part avec le cœur qui tremble / du bonheur de partir ensemble / sans savoir ce qui nous attend. Antes de mais, há que auscultar o ritmo da respiração do mar, a batida cardíaca de cada nuvem e o compasso escolhido pelas gaivotas para o seu piar, algures entre o guincho e o choro.

Canta-se quase sempre. A dois, a três ou a solo. Quando é a solo, os outros tentam descobrir que música é que o solista está a estragar, ou se estará apenas a fazer coro com as gaivotas. Fala-se quase sempre. De muita coisa. Daquilo que é importante e daquilo que passa a ser porque nos seduz à passagem. Mas, acima de tudo, olha-se - sempre, e como não? - para quem passa. O paredão é um viveiro. Famílias nas esplanadas, casais a passear bebés lindos, grávidas a prometer igualar-lhes o feito, miúdos a correr ou a azucrinar os crescidos com os porquês tipicos da idade que têm, adolescentes no namorico ou a arrastar as horas em grupo (que bom!), velhos com energia de atletas e, inevitavelmente, caras amigas com quem pôr em dia a vida, as preocupações e as utopias.

Azarujinha, Poça, Piscina Alberto Romano, Tamariz, Moitas, Duquesa, Conceição, Rainha. O prémio para quem chega a Cascais é um petisco ou outro, cerveja ou Coca-cola, seguidos de Santini se a fila não for proibitiva. Se for, paciência. Paciência e um palavrão a escapar-se-nos pelo canto da boca. Depois de callejar um pouco pela vila - livros usados, roupa inacessível, jornais estrangeiros, pormenores arquitectónicos e geográficos -, o eterno debate: alguém protesta cansaço, fala-se em voltar de comboio, cede-se ao marulhar das ondas e ao bronze dos últimos raios de sol e acaba-se por decidir que o caminho será feito a pé até onde der e com todas as paragens que as pernas ou as costas pedirem.

Mas não pedem. Distraem-se com a espuma, que desafia a balaustrada nos troços em que a há e que mina o equilíbrio dos andarilhos quando se espraia pela largura da pista de dança. Quando damos por nós a pedir tréguas, já a torre cor-de-rosa de São João do Estoril está demasiado perto para que valha a pena pensar em alternativas (quando muito, o consolo de um gelado Olá se o Santini tiver falhado). A penantes, pois, até à minúscula enseada onde tudo começou. Fotografando tudo o que provar merecê-lo. Algures a meio do périplo, um mergulho que sabe melhor porque alguém fica a ver. O mar impregna-se-nos na pele e desconfio que é por isso que voltamos sempre a responder ao apelo do paredão. Estou convencido até de que é a pensar nisso que mergulhamos.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (VII)

Mais uma secção a tornar-se menos fixa... Os voos descolarão, doravante, à segunda ou à terça, conforme o vento. O de hoje até é a uma zona ventosa, por isso acompanhem-no com cuidado. A ideia, nunca é de mais recordar, é dizerem-nos o que vos sugere a paisagem.

Do Toxofal de Baixo à Praia dos Belgas, Portugal

Sobrevoo o itinerário e não quero crer... pedalei mesmo 17-quilómetros-17, com subidas e descidas, sem levar a bicicleta pela mão uma única vez? Assim foi. O passeio organizaram-no bons amigos, naquela que viria a ser a última manhã de sol do Verão até então imorredouro. O grupo compunham-no sete magníficos, entre eles o menos desportista dos vossos amigos (enchanté!).
Chamo-lhe passeio, não prova ou corrida, porque foi esse o ritmo a que pedalámos. A apreciar as cores das fazendas do Toxofal, o vale do Paço, a vista da Serra d'El-Rei para Baleal, Peniche e Berlenga... houve momentos de cumplicidade a dois ou a três, lado a lado em estradas menos movimentadas, num fluir de recordações, confidências e amizades antigas e recentes. O breve périplo pelo areal deu para inspirar a fundo e com tempo o ar que nos ia entrando, durante o trajecto, pelas narinas muito abertas.
Regresso tranquilo, já com um sentimento de missão cumprida e, no íntimo, o alívio de ver que o impossível nem sempre o é, que há caminhos alternativos (especulámos tanto, tanto!), que a aventura do mar ao fundo emociona tanto como o calor do regresso ao campo.
À chegada, esperava-nos um almoço de reis, cortesia dos que não pedalaram. Espetadas de peru grelhadas, bacalhau com coentros, ratatouille, o melhor pão do mundo e, para sobremesa, arroz doce (o balanço entre input e output de calorias foi, ainda assim, benigno). Vinho tinto e um café bem conversado encerraram essa parte da jornada. Pelo que me detenho aqui.