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quarta-feira, 30 de abril de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XXIII)

Praia da Falésia, Algarve, Portugal

Vuelvo al Sur esta noite. Que saudades! O segundo voo pelo Garbe leva a codorniz a paragens mais movimentadas do que a Costa Vicentina: pairamos sobre a Praia da Falésia, que é o chapéu comum sob o qual arrumamos os vários pedaços do areal que vai de Vilamoura ao Barranco das Belharucas (Olhos d'Água já fica para lá das rochas). Une-os a fímbria de rocha vermelha que a todos bordeja: Rocha Baixinha, Tomates, Pine Cliffs, etc.

São quase dez quilómetros de passeio. Sabe bem vencê-los a pé - munido de leitura farta e, não raro, deixando a meio do caminho algum inocente que se prestou a acompanhar-me -, mas o voo de hoje tem a particularidade de ter sido mesmo feito por via aérea, no ano passado, quando este vosso amigo se estreou nas sensações do parasailing. Que maravilha, as gaivotas a passarem-nos por baixo, em silêncio, e não ouvirmos mais do que o vento!

Gosto mais da Praia da Falésia pelo acessório do que pela sua essência, que não chego a captar, tal é a miscelânea que por lá se instala no Verão. Seduzem-me os poufs dos bares, o elevador do Pine Cliffs, as bolas de Berlim, o instalarmo-nos com a maior lata nas espreguiçadeiras reservadas a clientes de hotel, um ou outro desporto aquático, caipirinhas disto e daquilo e a já referida caminhada, que me permite ignorar tudo o resto.

Prefiro a Falésia ao fim da tarde, depois de ter passado o dia noutras paragens. Assisto à debandada, ponho em dia as conversas e o bronze, tiro fotografias parvas, dou um mergulho e preparo o regresso a Vilamoura, também a pé. Esperam-me amigos para jantar, um concerto algures ou copos e ilíacos a chocalhar...

É este um Algarve descoberto há poucos anos e em tudo diferente daquele que aprendi a amar desde pequeno e que continua a ser o favorito (e do qual falarei outro dia). Vilamoura, a Falésia e os arrabaldes são um Algarve sem memórias de infância, com um valor diferente, não direi que menos importante. Este Algarve teve de me seduzir. E eu tive de encontrar nele tudo o que, à partida, me parecia que nunca ia haver. Mas há. E vejo, felizmente, que não sou o único a pensar assim.


Pedro Abrunhosa, Algarve