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terça-feira, 10 de março de 2009

Baú das codornizes (XVI)


Genérico de Era uma vez a vida

sábado, 27 de dezembro de 2008

A carol a day keeps the doctor away (XV)

Quebremos a quasi-hegemonia anglófona dos últimos dias. Segue-se uma das mais bonitas canções portuguesas de Natal, que me lembro de ouvir o Tio Manuel Porto cantar, com ar angelical, nos velhos Natais do Restelo. Também cá em casa se canta o Natal de Évora, terra onde é bonito ir nesta quadra e passear sob as arcadas cheias de música. Este ano não rumámos a Sul, mas ouvimos este e outros cânticos na Igreja de São João de Brito, num belíssimo recital no passado dia 12.

A versão que escolhi, conquanto bela, omite uma quadra que fez história em casa amiga. Era assim a dita:

O Menino está dormindo
Nos braços da sua Mãe
Os anjos estão cantando
"Que gracinha que ele tem"

Sucede que havia, na casa de que vos falo, uma menina Maria da Graça, Gracinha, ainda criança. Ao ouvir esta quadra, ficava meio "sem graça". É que ela tinha uma irmã bebé, de seu nome Margarida, e não lhe parecia bem dizer-se, sobre o Salvador, "que gracinha que ele tem", excluindo a benjamina. Vai daí, solucionou o dilema com uma alteração à letra, que passou a ser:

Os anjos estão cantando
"Que guidinha que ele tem"

Um abraço, caro Francis, para ti e todos os teus, por esta e outras histórias!


Coral Évora, Natal de Évora
(na Igreja de Santo Antão, 2007)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A carol a day keeps the doctor away (XIV)


Pela primeira vez em 30 Natais, comprei um presente para mim. Comecei a contar a história há dias, mas, para abreviar razões, cá vai: havia uma cassete de que eu gostava muito, com crianças a cantar carols. Deram-ma os meus pais, quando vivíamos em Oxford, e muitas daquelas canções eram as que nos ensinavam na escola.

Um dia, a cassete sumiu da gaveta onde a ia buscar todos os anos... e nunca mais ninguém a viu. No início deste mês, ao assumir a minha natureza periódica de carol-junkie, tentei que a Net colmatasse a impossibilidade de reaver o artefacto perdido. Não me lembrava do nome do coro, só do título do álbum. Mas Christmas for everyone é, convenhamos, uma expressão comum, que está nos votos natalícios de meio mundo. Quando a googlei, os resultados eram asfixiantes.

Lembrava-me, por sorte, de que o disco tinha duas músicas que não aprendêramos na escola. Eram originais. E se o nome de uma delas era o mesmo do álbum - inútil, como vimos, para efeitos de pesquisa -, a outra dava mais alento. Conduziu-me aos leilões do eBay, onde encontrei o tesouro perdido e fiz um lance vitorioso.

Vinte e dois anos depois da primeira audição, a cassete sumida torna-se LP, o nome do coro de uma escola católica de Stockport ressurge do emaranhado das sinapses, as vozes lindas e as orquestrações renascem como se as tivesse ouvido ontem.

Autopresentear-me talvez não seja muito do espírito da quadra, mas não me arrependo nada. Até porque a dádiva pode ser partilhada. Com as meninas cá de casa, que adoraram. Com a minha irmã, que gostava como eu da história do Little Donkey que leva Maria gravidérrima até Belém. E convosco, dando a ouvir duas canções que não encontrarão noutro lado: as que permitiram alcançar o fim da gesta.



Saint Winifred's School Choir, In a lowly stable



Saint Winifred's School Choir, Christmas for everyone

Boas Festas, everyone!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A carol a day keeps the doctor away (XIII) / Baú das codornizes (XV)


Peter Auty, Walking in the air (do filme The snowman)

Foi a descoberta do Natal dos meus oito anos: a história do miúdo que faz um amigo com quem vive um sonho muito real. A música, cantávamo-la na Saint Nicholas First School. Na altura divertia-nos, hoje arrepia-me. Pelas memórias que evoca, por sentir na pele o frio da primeira neve de Oxford, pela pureza da voz de Peter Auty (vale a pena pesquisar na Net este nome, tal como os de Aled Jones, Paul Miles-Kingston e Joseph McManners). Há dois anos, em Londres, ofereceram-me um CD com a história e a música. No ano passado, a cara-metade mandou-me este presente via blogosfera. Desta vez, sou eu quem vo-lo oferece.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A carol a day keeps the doctor away (VII)

Devo à falta de inspiração para outro assuntos, que me aprisionou numa esfera de música de Natal, a alegria de reencontrar uma canção que não ouvia há muitos anos. Estava numa cassete que os meus pais me ofereceram em Inglaterra e que eu ia buscar, todos os anos, no início de Dezembro, à gaveta do escritório onde sabia que ia encontrá-la.

"Mas veio um dia e não cantou / outro e mais outro e não cantou". Ou melhor, veio um dia em que a cassete não estava na gaveta, e nunca veio outro dia em que voltasse a estar. O encontro fortuito com este carol (noutra versão, quase tão boa como a que perdi) devolveu-me a esperança de recuperar a dita cassete. Para já, descortinei-a no eBay, em versão LP, e fiz um lance. Desejem-me sorte e prometo pôr aqui qualquer coisita.


Young Wexford Singers Children's Choir, Calypso carol
Shepherds swiftly from your stupor rise
to see the Saviour of the world

sábado, 22 de novembro de 2008

Baú das codornizes (XIV)

Esta entrada de há dias diz bem do tom por que anda afinada a minha vida. Não têm faltado nas conversas cá de casa canções de embalar, cantigas de roda, filmes da Disney, séries de desenhos animados, etc. Do Barata-Moura ao papão-vai-te-embora-para-cima-do-telhado, da Branca de Neve ao Rei Leão, do Picapau Amarelo ao pato-pata-aqui-pata-acolá, do Calimero à Abelha Maia, tem sido um desfiar de recordações...

Em boa verdade vos digo que nunca esqueci essas imagens e sons de quando era miúdo. Sempre revisitei, ao longo dos anos, cenas, músicas e personagens, gravei filmes e comprei vídeos, discos e DVDs, que agora recupero para quem de direito.

Algumas há, no entanto, que mais vale que fiquem lá no vale das memórias (posto que difícil é dar-lhes ordem de despejo). Como esta película de 1989, de talentosos autores (a equipa de Don Bluth, que fez O segredo de NIMH e Em busca do vale encantado, mais as 287 sequelas), mas muito mal conseguida. Fomos vê-la, perto do Natal, éramos um grupo de dez ou mais, entre miúdos e adultos. Ninguém gostou e ainda hoje a obra é motivo de gozo em conversas familiares. A história era fraca, a animação muito vista, a banda sonora ensurdecedora. Não sei mesmo se não foi daí que nasceu a expressão "Tirem-me deste filme!".

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Baú das codornizes (XIII)


Baby mine, do filme Dumbo, de Walt Disney (voz de Betty Noyes)

Haverá melhor do que rever
esta cena com um bebé ao colo?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Baú das codornizes (XII)

Remember remember
the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason
why gunpowder, treason
Should ever be forgot...

No dia 5 de Novembro de 1605, Guy Fawkes e mais uma catrefada deles tentaram rebentar com o Parlamento inglês enquanto Jaime I discursava. O rei era protestante, os conspiradores católicos. A brincadeira valeu-lhe se enforcado, arrastado e esquartejado (hung, drawn and quartered, uma tradição lá das ilhas).

O rei quis, naturalmente, que o caso não fosse esquecido. E alguém teve a arte de transformar tão hedionda história numa nursery rhyme, para incutir nas novas gerações o respeitinho-que-é-bom-e-a-gente-gosta (há outras mais inócuas).

A miudagem adora a efeméride, comemorada com fogos-de-artifício e fogueiras, nas quais é imolado um boneco que representa Guy Fawkes, e que as próprias crianças fazem com roupas velhas, jornais, etc. Há quem o exiba, antes da hora da queima, pedindo a penny for the guy. Quando vivi em Oxford, fizemos um boneco destes na escola e comemos batatas assadas enquanto o dito ardia. Que saudades...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Pequena valsa lisboeta

Junho de 1988. Era miúdo, tinha 9 anos e queria ir ao Coliseu. Mas não tinha idade.

- Não fiques triste, tens muito tempo para ver o Leonard Cohen quando fores crescido!
- Claro, Mãe, quando ele cá vier outra vez e já só cantar "ay, ay, ay, ay, estou tão velho que não me aguento"!
- (risos)

Triste? Fiquei lixado! Felizmente, o homem durou mais do que minhas previsões de puto amuado. Passados 20 anos, aí está Leonard Norman Cohen, em plena forma, dentro de cinco dias. Como tínhamos pedido.

Como que a dar sentido à espera, desvendaram-me há meses (mas antes de saber que ele cá vinha!) uma curiosidade sobre a minha canção preferida de Leonard Cohen, a tal cujo refrão usara na resposta agastada de há duas décadas. Chama-se Take this waltz e - foi esta a revelação, via cara-metade - é um poema de Federico García Lorca, que Cohen demorou 150 horas a traduzir. Aliança perfeita entre dois poetas, sendo tal a admiração do canadiano pelo espanhol que chamou à sua única filha... Lorca.

É uma música que cantei e dancei mil vezes, mas que nunca apareceu no codornizes. Nesta entrada, há um link para a interpretação de Cohen (encontrem-no!). E, abaixo, fica uma versão dúplice: é cover, porque quem canta é o filho de Leonard, Adam. Mas é original, porque a letra é a castelhana que Federico escreveu no seu Poeta en Nueva York. Sugiro que a ouçam e leiam como quem enceta uma contagem decrescente...

Adam Cohen, Toma este vals


Federico García Lorca, Pequeño vals vienés

En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha
Hay un salón con mil ventanas

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals con la boca cerrada

Este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar

Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals de quebrada cintura

En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos,
Hay una muerte para piano,
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados
Hay frescas guirnaldas de llanto

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals que se muere en mis brazos

Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals del 'te quiero siempre'

En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga cabeza de río.
Mira que orillas tengo de jacintos
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals

terça-feira, 13 de maio de 2008

Baú das codornizes (IX)


Genérico de Tom Sawyer

Não sei quantas vezes cantei esta canção. Passou muito tempo entre a primeira e a mais recente, que é como quem diz entre ter visto estes deliciosos desenhos animados na RTP2 - sobretudo em casa da minha Tia Amelinha - e tê-la trauteado, há dias, num serão divertido. Muitos anos depois da estreia, o genérico de Tom Sawyer tornou-se o hino oficial dos banhos de fim de tarde no Baleal. Guiados pelo inigualável PTD, um grupo de miúdos de todas as idades desafiava as ondas e a brisa fresquíssima do poente, entoando em uníssono estas estrofes sobre aventura, camaradagem, sonhos e emoções. Confiança e coragem eram conceitos que não havia razão para pôr em causa. A saída do mar, com o sol posto e o tempo contadíssimo para irmos tomar banho e pôr-nos bonitos para o jantar, era feita ao som desta outro canto. Tão diferente e tão igual ao anterior.


Zeca Afonso, Canto moço

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Baú das codornizes (VIII)

Não há duas sem três. Aos presentes da Sofia e do Manel seguiu-se um da Teresa. Chegou em versão áudio, por e-mail, e fez-me ir procurar o vídeo para pôr aqui. A oferenda tocou-me especialmente. Cantei esta música vezes sem fim, na terceira classe, no meu querido Queen Elizabeth's School. Aos três reis magos inusitados do mês de Maio, o meu muito obrigado!


Oom pah pah, do filme Oliver!, com Shani Wallis

domingo, 9 de março de 2008

Baú das codornizes (VII)


Walt Disney, A Dama e o Vagabundo

É uma das cenas mais deliciosas de um dos mais deliciosos filmes da minha infância. Já não a via há séculos, mas hoje deu-se a coincidência de ter lido sobre ela e de a ter recebido, de supresa, na minha caixa de e-mail (obrigado, A.). Quando era miúdo, ansiava pelo dia em que me fosse dado um jantar como este. Hoje, saboreio na memória quantos tive a sorte de viver, tentando reconstituir ementas, comensais e banda sonora. E anseio, inevitavelmente, pela próxima bella notte.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O urso com música na barriga

O urso Paddington, figura pela qual ganhei carinho nos meses oxfordianos (ui, how posh!), espelha nesta entrada a minha satisfação por ter recebido um presente. Não veio da blogosfera, foi-me dado só a mim, entregue por um pombo-correio arisco. Não preciso de dizer o que é nem quem mo deu, apenas que gostei. É bom receber presentes. É bom dá-los. Que o faça quem tiver quem amar. E, já que abrimos com um urso, fechemos com outro, sonoro. Esta música lembra-me um livro que adorei quando era miúdo: O urso com música na barriga, de Erico Veríssimo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Baú das codornizes (VI)

Foi o primeiro disco que comprei por direito próprio. Um vinil de 45 rotações, com versão instrumental no lado B. Fui buscá-lo à já desaparecida Valentim de Carvalho do Centro Comercial de Alvalade, com um cheque-disco que alguém me deu no Natal dos meus cinco anos. A música dos sapos, vulgo Pom-pom-pom, era uma perdição, estávamos sempre atentos ao Top Disco da RTP para ver quando passava o teledisco, até que conseguimos gravá-lo em VHS e, a partir daí, foi um fartote. O passeio nocturno do urso Rupert acabou por funcionar como ponte entre a música do tipo Queijinhos Frescos, Avô Cantigas e José Barata Moura para outras coisas de gente mais crescida.


Paul McCartney and the Frog Chorus, We all stand together

Win or lose, sink or swim
One thing is certain we'll never give in
Side by side, hand in hand
We all stand together

Play the game, fight the fight
But what's the point on a beautiful night?
Arm in arm, hand in hand
We all stand together

La la la la la la la la
Keeping us warm in the night
La la la la
Walk in the night
Youll get it right

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Baú das codornizes (V)

Desço a Avenida da Igreja com os minutos contados para apanhar o comboio no Cais do Sodré. O mp3 vai debitando músicas que me dão energia e aceleram o ritmo do andar. No quarteirão entre a Acácio de Paiva e a Marquesa d'Alorna, porém, tenho de afrouxar a passada. Os auscultadores trazem-me Chim chim cheree e derreto-me. Mary Poppins foi o primeiro filme com legendas que vi no cinema. No Alvalade. E consegui lê-las.

A Poppins caiu-me no goto e ainda dele não tombou. Há dois anos, em Londres, fui com a mummy ver o musical (How very appropriate!). De vez em quando, ponho a banda sonora a tocar e acredito que uma colher de açúcar ajuda a engolir qualquer medicamento. Hoje, ao ouvir a música dos limpa-chaminés que dão sorte, fiquei a sentir-me supercalifragilisticoexpialidoso para o resto do dia. Daí a escolha do vídeo, a fazer companhia ao outro. Lá em baixo, em áudio, acrescentei Feed the birds, que é de fazer chorar as pedrinhas da calçada e que me fez passar a pente fino as escadas de Saint Paul's sempre que ali vou, à espera de encontrar uma velhinha a quem comprar alpista para dar aos pombos.


Supercalifragilisticexpialidocious

Feed the birds

Chim chim cheree

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Baú das codornizes (IV)


Santa Claus, the Movie (1985)

Vi este filme em Oxford, há mais de 20 anos. É delicioso. Claus e Anya são um casal que costuma entregar presentes aos miúdos pobres da sua aldeia. Vão num trenó puxado por renas e tudo se passa no século XIV. Apanhados por uma tempestade de neve, salva-os da morte um grupo de elfos liderados por Dudley Moore. E assim nasce o Pai Natal. Ah, e a Mãe Natal, sem a qual...

sábado, 24 de novembro de 2007

Fim-de-semana em Lisboa

Pôr do sol do dia 7 de Novembro de 2004,
visto da cozinha da minha mãe

Às vezes sinto-me descurar a cidade. Por mais que precise do banho de alma que são os fins-de-semana no campo, faz bem namorar Lisboa sem ser ao ritmo do metro e do autocarro.

Gosto da minha casa. Foi ela que ensinou a um madrugador inveterado, desses que não suportam o peso de um tecto e quatro paredes enquanto há sol lá fora, que o sol também é bom visto de dentro, que a janela torna mais intenso o seu beijo numa face. Acho que nunca vou deixar de acordar cedo, e a pulsão do ar livre vai continuar a ser mais forte, mas de quando em vez gosto de me deixar seduzir por uma manhã entre quarto, sala e cozinha, café à discrição e discos pedidos.

Lisboa merece ser passeada. A Avenida da Igreja aqui ao lado, porção de ADN que se me colou desde a casa dos pais, na Rio de Janeiro, e que manteria ainda que vivesse nos antípodas. Uma caminhada até à Versailles ou, porque não, à Baixa, onde teria estado hoje não fora a preguiça... depois, há bairros como Marvila, Bica, os Prazeres a descer para Alcântara, o eixo Lapa/Rocha do Conde de Óbidos/Santos-o-Velho, em que ninguém pensa à primeira quando pensa em passear. E jardins - mormente o da Gulbenkian, mas também o Amália Rodrigues, no alto do Parque Eduardo VII, o da Estrela e até, malgré soi-même, o Campo Grande, onde o Avô Quim nos levava.

E o rio? Um brunch na Delidelux, um esticão do Terreiro do Paço ao Restelo (um pulo às tias), ou trepar ao Castelo e tomar um mojito no Bar das Imagens ou no Chapitô. Ou então virar o espelho ao contrário e ir ver Lisboa da Outra Banda: estou há séculos para conhecer o Cais do Ginjal e tenho um brinde prometido no Porto Brandão. Sem esquecer a Linha, para onde aponta, hoje, o meu cata-vento... bom, hoje e todos os dias, pois é lá que trabalho, e felizmente consigo disfrutar disso. E a outra linha, a de Sintra, chá na Raposa e travesseiro na Piriquita (e o comboio para a praia, com os miúdos, que não passa do próximo Verão).

Um fim-de-semana em Lisboa é isto, e pode ser tudo o resto. Noitadas de copos a ouvir boa música (são dois links) ou a dançar sem pensar em nada, mais tempo para os amigos, programas culturais aos montes (que bom ter alguém que nos sublinha a Time Out de uma ponta à outra, para não deixarmos de ver coisas bonitas!) e, em breve, as feirinhas de Natal de que tanto gosto.

Um fim-de-semana em Lisboa, em navegação solitária ou de mãos dadas, é um poema de amor à minha terra.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Baú das codornizes (III)

Eis, a pedido de uma leitora, o genérico de Postman Pat, uma série infantil deliciosamente inglesa. Via isto ao fim-de-semana, de manhã, quando só havia RTP e eu acordava tão cedo que tinha de gramar meia hora de mira técnica antes dos desenhos animados. Na altura, era mesmo carteiro Pat. Mais tarde, chamaram-lhe Paulo. A música, em português, era algo tão ingénuo como "O carteiro / o carteiro / e o seu gato / preto e branco". Há tempos, alguém me falou numa versão francesa do Pat. Nunca ouvi, mas no Youtube há uma em sueco. Aproveito para desejar que muitos jeunes et vieux facteurs continuem a entregar muitas cartas manuscritas, em todas as línguas e dialectos.



Bryan Daly, Postman Pat

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Baú das codornizes (II)


O título da última entrada merece ser explicado. Era a primeira linha, em português do Brasil, desta canção deliciosa do Bambi. Não encontrei essa versão, pelo que vos deixo com a original, Little April showers, para podermos entrar na noite singing in the rain.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Poppy day

Papoilas de papel polvilham, esta semana, os campos e as cidades do Reino Unido e de outros locais do mundo. O Dia da Recordação foi anteontem, mas não será o atraso a impedir que o assinalemos aqui. Foi à 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1919 que foram honrados, pela primeira vez, os mortos da que então se chamava apenas Grande Guerra, e que ainda não fora ultrapassada em horror pela de 20 anos mais tarde.

Tenho especial carinho por este emblema, que não uso há muitos anos, mas a cujo significado me associo. Foi mais uma coisa que ficou das paragens que ilustrei no último voo da codorniz... impressiona ver todos os anos, diante do Cenotáfio de Londres, as lágrimas vertidas pelos veteranos, em número cada vez menor. O dinheiro da venda das pequenas flores que todos põem à lapela revertem a favor dos feridos e incapacitados da guerra.

A papoila passou a ser símbolo de paz por causa de um poema escrito pelo médico canadiano John McCrae (1872-1918), que esteve na frente belga. Foi composto em 1915, em homenagem ao seu amigo Alexis Helmer, morto em combate. É bonito. Ei-lo.

In Flanders Fields

In Flanders fields the poppies blow
Between the crosses, row on row,
That mark our place; and in the sky
The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.
We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
Loved, and were loved, and now we lie
In Flanders Fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
The torch; be yours to hold it high.
If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
In Flanders Fields.