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sábado, 25 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 0


Chico Buarque, Tanto mar I

Uma das coisas mais bonitas da Revolução dos Cravos foi ter ajudado a democracia - ou dela a esperança - a chegar a outros países. O primeiro 25 de Abril do codornizes fez-se ao som de Chico, entre outros. Hoje, a liberdade festeja-se neste ninho com outra versão da mesma música. E com exactamente o mesmo espírito.

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 1


José Mário Branco, Mudam-se os tempos mudam-se as vontades

De Camões a Zeca, de Sophia a Sérgio, de Zé Mário a Fanha, de Letria a Natália, de David a Gedeão, de Ary a Pessoa. Viva os poetas de Abril!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 2


José Carlos Ary dos Santos, As portas que Abril abriu
(são excertos, mas vale a pena lerem o poema todo aqui)

Em 1974 eu não era sequer projecto. A Revolução foi-me contada pela família e pel@s amig@s, que a viveram intensamente, cada um a seu ritmo, em liberdade. E que souberam transmitir aos pósteros os valores que Abril abriu. O poema de hoje, mandou-me o meu Tio Filipe, homem de terra e mar, patriarca que admiro, figura de referência a quem deixo um abraço com a força de um cravo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 3


Susana Germade, Abandono (Fado Peniche),
com letra de David Mourão-Ferreira

Há bons e maus nisto das democracias e ditaduras. Podem dizer que nem tudo é a preto e branco, que eu subscrevo, mas é cristalino para mim que democracia é bom e ditadura é mau, pouco importando se estas últimas se dizem de esquerda ou de direita. Também tenho como bastante certo que a ditadura tacanha de Salazar, Caetano, Tomás, Kaúlza e outros prejudicou Portugal. O PREC também? É verdade. Felizmente, durou menos.

Parece-me absurdo que 35 anos não tenham chegado para se criar um Museu do Estado Novo. O projectado Museu Salazar de Santa Comba Dão preocupa-me menos do que a inexistência de um outro, que nos "conte como foi". Da idiota (re)inauguração, no próximo sábado, de um Largo Salazar nessa terra, digo o mesmo que aqui li: uma das conquistas de Abril é, para bem ou para mal, o direito ao mau gosto. E a PIDE não vai bater à porta do autarca que teve tal ideia.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 4


Banda Bassotti, El paso del Ebro

Barreiras naturais, barreiras artificiais. Quebradas umas, outras de pé. E, por vezes, a ilusão de que não deve havê-las. Deve, pois. Sem isso não há liberdades individuais.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 5


Modena City Ramblers, Bella ciao

Lutas e sons que vinham de há muito e que hoje continuamos a ouvir.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 6


Joan Baez, Oh Freedom

Em muitos idiomas, a olhar para o mundo inteiro... há liberdade em Portugal, e democracia, ainda que imperfeita. Mas o Mundo são seis mil milhões de pessoas. Quantos é que ainda estão à espera?

domingo, 19 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 7


Adriano Correia de Oliveira, Trova do vento que passa (música de António Portugal)

Uma das coisas boas da democracia é poder haver várias versões, leituras díspares, diversas visões. O poema de Manuel Alegre é lindo quando dito pela voz do próprio e quando cantado por este homem e esta mulher. Ah, e Amália não era fascista coisíssima nenhuma.



Amália Rodrigues, Trova do vento que passa (música de Alain Oulman)

sábado, 18 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 8


Serge Reggiani, Ma liberté

Minha, tua, dele/a. Nossa, vossa, deles/as. De todos e para todos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 9


Couple Coffee, Os vampiros

Estes tipos fazem coisas muito giras com a música de Zeca Afonso. Nunca demasiado recordado, chorado, homenageado, recriado.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Contagem decrescente para o 25 de Abril - 10


Sérgio Godinho, Pode alguém ser quem não é?

A pergunta que SG deixou ontem no MusicBox parece-me uma boa forma de dar início às comemorações da Revolução. Alguém quer responder?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas...

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen

O dia amanhece quente em Lisboa. Anda-se pela cidade em mangas de camisa, trânsito não há e despertamos com a promessa de que há-de erguer-se um sol de Verão. Sensação de liberdade. Somos nós os teus cantores. Há 34 anos, disse Salgueiro Maia:"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui." Nem todos eles eram Salgueiro Maia, mas obrigado, capitães de Abril! A todos os civis e militares que combateram uma ditadura bafienta de cuja herança o país tarda em libertar-se, um obrigado incondicional. O que veio depois veio depois.


Chico Buarque, Tanto mar II
(o meu Avô Quim aparece neste vídeo
e eu dedico esta entrada à sua memória)

Tanta esperança nascida em Abril e tanta efectivamente cumprida, apesar do muito Abril morto à nascença. Que ninguém diga que não valeu a pena, escundando-se para tal nas inúmeras tentativas e tentações que houve de cairmos num extremo oposto que em tudo se assemelharia ao que quisemos deixar para trás... essas foram vencidas e, se algo murchou da flor, a verdade é que não singraram os que queriam espezinhar todo o canteiro ou impor a padronização das flores em planos quinquenais.

O golpe militar que o povo transformou em Revolução foi único na génese, na passagem à prática e no que se lhe seguiu. Às vezes tenho pena de não ter estado cá para ver a festa, pá, e para sentir na pele os gelos e calores de que foi feita. Gostava de ter vivido o "nunca renegado PREC", como lhe chamou Zeca, com todas as suas utopias, excessos e possibilidades. No dia em que a Revolução ultrapassa a idade dos génios, é pacífico que há muito sonho por cumprir, muito resquício salazarento, muito cometido já depois da outra senhora, mas... que bom ter nascido em liberdade! Que bom termos podido mandar ao mundo um cheirinho a cravo e alecrim. Que bom termo-nos livrado do mofo. Do medo. Da merda de regime míope, velhaco e criminoso que tolheu Portugal durante meio século. Gosto do 25 de Abril. Gosto de sair à rua com uma flor vermelha na mão ou na lapela. Ponham à democracia os defeitos que quiserem: o facto de poderem fazê-lo é a maior prova de que valeu a pena Abril. E de que vale a pena Portugal.

Georges Moustaki, Portugal

25 de Abril sempre!

Primeiro foi esta...

Paulo de Carvalho, E depois do adeus

...e depois estas

Zeca Afonso, Grândola vila morena
Henry Russell, A Life on the Ocean Wave
(mais conhecido como Marcha do MFA)


FASCISMO NUNCA MAIS!!!