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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Contradança


Marisa Monte e Paulinho da Viola, Dança da solidão

Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

(...)
Apesar de tudo existe uma fonte de água pura
Quem beber daquela água não terá mais amargura

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Contador a cero, pero no por mucho tiempo...

Inunda-me a certeza de que as sextas-feiras 13 são dias de sorte. Na última que houve, parti para Madrid, de onde volto sempre com vontade de lá ter ficado. Talvez por isso nunca saia da cidade sem antes ter coligido pretextos para voltar. Esta vez não foi excepção, mas não revelo o que trago na mala. Aqui ficam, ao som da música, 13 apontamentos sobre o fim-de-semana que passou. ¡Hasta pronto, Madrid!


Clave de Folk, Adios, Madrid

Adios ilustres tabernas
Adios ricos bodegones



Plaza de Oriente
Francis Bacon, Henrietta Moraes (1966)
Paco Roncero, Tortilla del siglo XXI
Félix Vallotton, Desnudo sobre fondo amarillo (1922)

Parque del Buen Retiro
CowParade
La cure gourmande
Sombrería Casa Yustas
Plaza de Chueca
Bar La panza es primero
El Rastro (foto Alberto Salguero)
CaixaForum
Tarta de membrillo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Y ahí vamos... ¡cero!

Madrid pode ser em todo o lado e todo o lado pode ser Madrid. Reggiani cantaria que Madrid n'est pas en Espagne, tal como Veneza não ficava em Itália). Eu não canto aqui, que canto mal, mas parto para a minha cidade ao som da música, que é língua universar a passar por trás da orelha de quem estiver para ouvi-la. A canção escolhida já andou por este ninho, num momento idêntico, mas os seus autores souberam adaptá-la a qualquer ponto do globo. Ora vejam, ora ouçam...



Mecano, Quédate hoy aquí (ao vivo em Barcelona, 1991)

Con tus orejas en las manos
Voy enseñándole a Van Gogh
Como mejora el resultado
Cuando lo hacen dos

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Se acerca el día... ¡uno!




Lua Extravagante, Lua de papel (de Carlos Salomé)

Quem disse que o amor é como o mel
Será que o céu é só estrelas
e que a lua é de papel

Penso que é como o limão
parte as feridas que me fazes
cá dentro do coração

Vou fazer uma viagem
para me esquecer de ti
Vou para Espanha, ai vou para Madrid...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vaya, un esfuerzo más... ¡dos!




Ketama, Vente pá Madrid

Lagrimas y lagrimas lloro
Porque aquí en Madrid esta lo mejor
Querido primo yo te digo
Vente pa’ Madrid

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

No desesperéis... ¡tres!





Ismael Serrano, Vuelvo a Madrid


Desde lo alto distingo,
entre un mar de luciérnagas,
mi pequeño barrio.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sigue la cuenta atras... ¡cuatro!



Toots Thielemans, Winter in Madrid

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

La cuenta atras ha empezado... ¡siete!

Já falta pouco... o intervalo foi maior do que é costume, maior será a alegria de voltar. Madrid é sempre a mesma, é sempre outra. Mas desta vez vai ser diferente da anterior. E da vez antes dessa (que foi tão boa que inspirou a escolha musical de hoje). Não, agora é diferente. É outra coisa. Outra coisa bem melhor. Vámonos ya!


Ana Vega Toscano y Coro mixto de cámara,
El Madrid de Noviembre


El Madrid de Noviembre,
de hierro y fuego,
el que no admite yugos
de traicioneros

É uma canção dos que resistiam ao avanço do fascismo sobre a cidade, durante a Guerra Civil, entre Outubro de 1936 e Março de 1939. Está aqui pelo título, porque adoro Madrid em Novembro (sobretudo um certo Madrid num certo Novembro), mas também pelos sonhos, pela liberdade, pelo que está bem.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O voo invejoso da codorniz (XXXII)

Avenue des Champs-Élysées, Paris, França

Que os quatro que por lá andam respirem bem a cidade. Que este que cá ficou a roer-se possa fazê-lo um destes dias. E que não tarde a encomenda, que só podia vir dali.

Joe Dassin, Aux Champs-Élysées
NOTA: Mais Paris no codornizes aqui, ali e acoli.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Ainda não é desta que o largo

Já cá pus esta música, mas noutra versão. Hoje repito, porque o assunto pegou-se-me à pele e ainda não consegui livrar-me dele...

Simon and Garfunkel, The sounds of silence - versão de estúdio, com imagens do filme A primeira noite (The Graduate), de Mike Nichols

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Uma dúzia de dúzias

Sejam os nossos filhos, na sua mocidade, como plantas bem desenvolvidas,
e as nossas filhas como pedras angulares lavradas, como as de um palácio.
Salmo 144, capítulo 12

Ironia das ironias

Afinal de contas, ela vai. Eu é que ainda não sei. Desejem-me sorte!

Amy Winehouse, Back to black

terça-feira, 27 de maio de 2008

Irritação

Rua da Bica de Duarte Belo, 30 Janeiro 2008 (PC)

Porque é que não posso dar em Maio os passeios pela minha cidade que dava em Janeiro? Quando é que o estafermo do santo meu homónimo deixa a gente em paz, para cumprir adiados Bicaense, Delidelux e Baiúca? Não fossem os jacarandás, começava a perguntar-me se estamos mesmo na altura do ano em que mais gosto de Lisboa...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Oeste até segunda-feira...

Pet Shop Boys, Go West

Go West - Life is peaceful there
Go West -
In the open air
Go West -
Where the skies are blue
Go West -
This is what we're gonna do

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Quanta Luz!

Praia da Luz, 11 de Maio (foto da Rosarinho)

Quantas cores será possível divisar neste mar chão? Quantas nos veios da montanha cuja erosão acompanhamos, ano após ano, nos passeios até à Rocha Negra, como quem se espanta com o crescimento de uma criança ou de uma palmeira? Quantas pedras tem a Calçada dos Gigantes que nessas andanças atravessamos, analisando o gume afiado das que caíram, perfeitamente paralelepipédicas, desde a última vez que por aqui passámos? Quantos sustos, quantas ondas, ao aventurarmo-nos por aqui na maré alta? Quantos caçadores de tesouros terá comido o Dragão que habita - e ouvimos - na Cova homónima? Quantos windsurfers e esquiadores? Quantos chapões? Quantos barquinhos vindos da Ponta da Piedade, quantos da Ponta da Gaivota e, para lá desta, quantos pôres-do-sol de quantos tons e temperaturas? Quantas toalhas perdi, quantos pares de chinelos? Quantos primos estarão connosco nestas férias? Quantos tios? Quantos engates na pista do Privé, ao balcão do Mirage ou através da sebe do jardim? Quantos poemas começados, quantos mostrados à Avó Gina, sentada a ver o mar? Quantas tâmaras caídas da palmeira grande, que já não está, quantas abelhas me picaram o pé por lhes ter pisado o doce manjar? Quantas formigas numa flor de hibisco? Quantas folhas da árvore da borracha, quantos picos nos cactos, quantas braçadeiras rotas pelo espigão de uma piteira? Quantas cerimónias de abertura e encerramento de Jogos Olímpicos, Europeus e Mundiais de Futebol? Quantas amizades efémeras ou não tanto? Quantas partidas de ténis no Luz Bay, quantas de snooker nos cafés atrás de casa, quantas de Trivial Pursuit até ser dia? Quantas discussões sobre quem vai despejar o lixo? Quantas lágrimas e zangas muito mais sérias? Quantas gargalhadas ao recordá-las no ano seguinte? Quantos trouxe cá pela primeira vez? Quantos quero me venham comigo até à última? Quantas horas (três, ainda?!) para o Baptista abrir, que os miúdos já acordaram e alguém tem de ir ao pão? Quantos bolos quentes depois da noite? Quantos "repimpas" comprados na loja da praia, quantas pulseiras fanadas das banquinhas, quantos barcos a remos que não duravam mais de um Verão? Quantos filmes da tanga no cine-estúdio? Quantas doses de cogumelos no Golfinho, quantas churrascadas com a mestria assegurada do Pai, quantos jantares nas várias casas do nosso "comboio", por vezes com o mesmo elenco? Quantos mergulhos à socapa na piscina do senhor Simão? Quantos peixinhos no anzol do Zé Pedro? Quantas conversas com a Maria? Quantos habitantes na cidade em miniatura que o vento esculpiu na pedra? Quantas revistas cor-de-rosa no Capricho, quantos jantares na Concha ou no Poço (e nós a aguar, tomem lá uma nota e vão aos hambúrgueres)? Quantos peixes no mercado de Lagos? Quantas tartes de alfarroba? Quantas gotas de Otoceril, Sofia, que este ouvido dói cada vez mais? Quantos polvos na Baía dos ditos? Quantos anos mais, Dona Hermínia, já com mais de 80 e ainda tão lesta? Quantas amêijoas em Castelejo e mexilhões no velho Rocha Negra? Quantos filhos já, Dora? Quantos cocktails esquisitos trazidos pela Célia do Internacional? Quantos cães no pátio de baixo, de que o Leão e o Baco eram os mais lindos? Quantos bifes bêbados, quantos de nós? Quantos mergulhos no Poção? Quantos escaldões, quantos cremes no saco de praia da Mãe? Quantas palavras cruzadas, sudokus e kakuros? Quantas melodias no assobio do Baltazar, a regar a relva pela manhã? Quantas nos altifalantes da Fortaleza? Quantas nas cordas dos violinistas que actuam na Igreja? Quantas melgas mortas no tecto até podermos ir dormir? Quantas amonas? Quantas guitarradas? Quantos cabem na ilha insuflável? Quantos pés de escalracho no jardim, quantos nomes gravados na rocha amarela, quantos metros irão desta até à areia na nossa prainha, que ora há ora não há?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ainda Lisboa

A bela e o monstro (SK e Adamastor by PC)
Na Escola Primária, era costume pedirem-nos composições sobre "o que fiz nas férias" ou "no fim-de-semana" (alternativas ao igualmente popular "o que quero ser quando for grande"). E lá contávamos as aventuras, as brincadeiras, os passeios. Esta semana, inverteu-se-me esse esquema: um passeio pela cidade foi antecedido por um texto sobre o que me apetecia, que afinal mais parece um relato a posteriori. Chamou-me a atenção para isto uma das três tágides que me acompanharam por Lisboa abaixo. Troque-se o Pavilhão Chinês pelo Noobai e o resto foi como escrevi. Muito graças a este trio, que tenho vontade de reunir numa entrada do codornizes.


Ana Knapič, Encontrar (letra de Filipa Knapič)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Apetece dizer uma palavra

Mary Ellen Solt, White rose



Gilbert Bécaud, L'important c'est la rose

Apetece dizer uma palavra misteriosa
apetece dizer uma palavra
pode ser a incognoscível palavra rosa
ou a terrível palavra abracadabra
apetece dizer uma palavra lavra lavra.
Pode ser a palavra pa
pode ser a palavra pala
pode ser
pode ser apenas a palavra
Manuel Alegre, Uma palavra (de Senhora das tempestades)

quarta-feira, 12 de março de 2008

Aleluia, grita um ateu!

O grito só pode ser este. É oficial, o homem estará em Lisboa no próximo dia 19 de Julho. Aleluia, aleluia, aleluia!!!


Leonard Cohen, Hallelujah

Nota: Diz o site que o concerto é no Passeio Marítimo. Não se sabe qual, mas Cohen à beira-mar nem dá para ter dúvidas. EU VOU!

sábado, 8 de março de 2008

Se fosse só ao sábado...

Winsor McCay, Little Nemo in Slumberland

On a lazy Saturday morning when you're lying in bed, drifting in and out of sleep, there is a space where fantasy and reality become one. Are you awake, or are you dreaming? You see people and things; some are familiar; some are strange. You talk, you feel, but you move without walking; you fly without wings. Your mind and your body exist, but on separate planes. Time stands still. For me, this is the feeling I have when ideas come.
Lynn Johnston, Lynn on Ideas

terça-feira, 4 de março de 2008

Alguém viu esta gatinha?

Não é uma entrada muito ao estilo do codornizes, nem o seu conteúdo é tão sumarento como o título poderia fazer crer, mas é por uma boa causa e a minha prima Peanut, que já proporcionou entradas como esta, merece isto e muito mais. Um beijinho do primo que te adora.

O caso é que esta gata, que se chama Micas e pertence à minha prima, desapareceu há cerca de uma semana no Montijo. Pede-se a quem a encontrar o favor de contactar o número de telefone 963753947. Os sorrisos que isso traria a uma miúda impecável de 14 anos valem o esforço, acreditem! E para animar a procura, fica uma canção do musical... Cats, claro!




Elaine Page, Memory