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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Resposta a um desafio (no dia certo!)

A Cleo lançou-me há dias dois desafios. Após uma semana mais dura no trabalho, a que se seguiu uma ponte (abençoada!), eis-me a responder. Calhou ser hoje e sinto que não podia haver melhor dia para fazê-lo.

Começo pelo segundo desafio: descrever uma memória numa frase de seis-palavras-seis. A minha frase não é bem frase e a memória que descreve tão-pouco é uma memória. São muitas. Isto porque me veio à cabeça uma sequência de palavaras que arranjei, há anos, para explicar um sentimento que me invadia e invade muitas vezes. Dá-se o feliz acaso de serem seis; aqui ficam, com a imagem do lugar que mas soprou.


a ilha que às vezes sou



Nota: a foto foi tirada no Baleal, a 9 de Maio de 2003, pelo Francisco Leote. Eu vivia em Madrid e foi bom receber estas vagas no centro da árida meseta. Ele vive em Roma e é um amigo de quem tenho saudades.

segunda-feira, 24 de março de 2008

A minha cidade

Bica, 30 Janeiro 2008

Apetece-me passear pela minha cidade. Descer a pé o eixo Rato-Bica, que é onde há varandas como estas, e subi-lo retemperado por um chá ou coisa mais forte, possivelmente no Pavilhão Chinês. Esquadrinhar as ruas por onde anda a gente que veste esta roupa e a estende ao sol que hoje não há. Olhar com atenção para cada rosto e ouvir as histórias que as feições de cada personagem involuntária me queiram contar em silêncio. Talvez escrevê-las. Perceber se a cor do Tejo muda consoante o olhamos de uma transversal da Rua da Escola Politécnica ou da Calçada do Combro. Mandar recados telepáticos, via cacilheiro, às gaivotas de Porto Brandão e aos barquinhos de pesca da Trafaria. Cobiçar doçuras às montras das pastelarias, confortos às das lojas de design, poemas às das livrarias. Devolver com um raro chuto certeiro a bola que os miúdos do Bairro Alto pontapearão com demasiada força a dada altura. Devolver também os sorrisos que as velhas distribuem, das suas portas e janelas de menagem, defendidas a dente de cão ou garra de gato, a quem tiver força na alma para rodar ou levantar a cabeça num ângulo que, bem vistas as coisas, pouco exige à musculatura do pescoço. Trautear cantigas de amor a esta Lisbela, corrompendo êxitos de Amália, Jorge Palma, Carlos do Carmo, Mariza, Trovante, Vitorino, Sérgio Godinho ou Madredeus. Dedicá-las, se melhor destinatári@ não houver, aos guarda-freios dos eléctricos que ainda passam, às floristas da Rua Augusta, à multidão que enche as esplanadas do Chiado, a quem mantém retrosarias, capelistas, drogarias e outras espécies em vias de extinção. Admirar aquela árvore do Príncipe Real. Reconhecer a custo os meus lugares da noite à luz do fim da tarde e lembrar mais histórias, acontecidas ou por acontecer a quem nasce, vive e morre na minha cidade. Dar uma mão ou um braço a quem quiser ouvir-mas ou, melhor decerto, a quem conseguir cortar-me a verborreia com um olhar cúmplice, daqueles que nos transportam em tempo real para o canto superior esquerdo de uma folha em branco. Esperar, de ombro encostado e a ver Lisboa, pela primeira palavra de uma nova narrativa.

É o que vou fazer já a seguir.



Ala dos namorados, Loucos de Lisboa

sexta-feira, 14 de março de 2008

Apetece dizer uma palavra

Mary Ellen Solt, White rose



Gilbert Bécaud, L'important c'est la rose

Apetece dizer uma palavra misteriosa
apetece dizer uma palavra
pode ser a incognoscível palavra rosa
ou a terrível palavra abracadabra
apetece dizer uma palavra lavra lavra.
Pode ser a palavra pa
pode ser a palavra pala
pode ser
pode ser apenas a palavra
Manuel Alegre, Uma palavra (de Senhora das tempestades)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Mea culpa

A Cris tem toda a razão: a minha selecção de palavras, além de assumidamente não cumprir as regras, não tem 25, mas 23 elementos. Freud ou quem quiser explicará porque ficaram de fora estas duas, que faziam parte da lista.
LIBERDADE

MANHÃ

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Palavras

Não são 12 palavras, mas 24, porque o desafio veio da Sofia e da tcl. E não são 24, são 25, porque contei mal e agora não me apetece cortar nenhuma. Desta vez saíram assim. Se houver outra vez, veremos como saem...

Antes de irmos a elas, fica o desafio a 12 bloguistas. Dêem-nos 12 palavras vossas, para que a corrente se não quebre: Por entre o luar, María del Sol, Cris, Tangerina, Joana Roque Lino, Piedade Araújo Sol, Purita, Martinika, Toño, JP, Periférico e Rato do Campo.

AMOR

AZULÃO

BABUGEM

BOCA

CHOCOLATE

CIGARRILHA

DESENHO

EMBALAR

GOMO

JOELHO

LAREIRA

MÃO

MERGULHO

MIMINHOS

NOITADA

PALAVRA

PASSEIO

PRAIA

RISO

ROCHA

SAUDADE

TARTARUGA

TERRA

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

O que querem ouvir hoje?

Vão aqui e gozarão o supremo prazer de pôr uma pessoa a dizer tudo o que vos apetecer ouvir, na língua que escolherem. Às vezes vezes apetecia ter essa ferramenta em casa. Era bom, não era? Era bom? Não era!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Rimbaud via Neruda via Skármeta

À l'aurore, armés d'une ardente patience, nous entrerons aux splendides villes.*

*Pela aurora, armados de uma ardente paciência, entraremos nas cidades esplêndidas.