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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Dois anos!


Crosby, Stills, Nash and Young, Our house


I'll light the fire
You place the flowers in the vase
That you bought today

Staring at the fire
For hours and hours
While I listen to you
Play your love songs
All night long for me
Only for me

Come to me now
And rest your head for just five minutes
Everything is done

Such a cozy room
The windows are illuminated
By the evening sunshine through them
Fiery gems for you
Only for you

Our house is a very, very, very fine house
With two cats in the yard
Life used to be so hard
Now everything is easy
'Cause of you
And our
la la lala la la la lala la la lala lala la lala lala lala la la lala la la la la la

la la lala la la la lala la la lala lala la lala lala la lala

quinta-feira, 27 de março de 2008

Livros irrequietos

Maria Helena Vieira da Silva, Biblioteca em fogo

Às vezes penso que os livros passeiam lá por casa quando não estamos. Do braço do sofá, onde os deixou a preguiça, para a bancada da cozinha. Talvez à procura de almoço. Da mesa de cabeceira, onde se eternizam depois de lidos, para cima da cómoda. Porventura desejosos de escaparem às quatro paredes do quarto. Da mala de tiracolo pendurada no cabide da entrada, onde viajaram todo o dia, quiçá sem serem abertos, para a borda do lavatório. Aflições, compreende-se.

Quantas vezes me acontece procurá-los onde sei que os deixei, onde tenho a certeza de os ter visto, para descobrir que só me espera o desengano... sumiram, foram ao parapeito da janela ver que tempo faz ou adormeceram no chão enquanto decidiam o itinerário do dia. Só muito raramente estão inocentes, por exemplo, quando os levou a cara-metade (sucede, por vezes, estarmos a ler o mesmo livro, gerando-se confusões de exemplares).

O que nunca fazem os bons dos livros é voltar pelo próprio pé à ao lugar que lhes coube na (des)organização do escritório. Ou da sala ou da cozinha ou do quarto de trás, que isto de ter livros em todas as divisões foi uma escolha. O que não foi uma escolha foi caber-lhes a eles a decisão de pousarem aqui ou acolá, conforme os humores.

Não me incomoda, na verdade, a insubordinação livresca. Acho graça a este deambular, diverte-me imaginar como se deslocarão - se batendo páginas, num voo ruidoso, se rastejando escada acima, se empilhando-se uns para ajudar os outros a escalar obstáculos - e tudo isto tem a vantagem de haver sempre um livro à mão de semear. Para ser totalmente franco, até suspeito que o cheiro agradável que às vezes sinto ao entrar em casa, e que nunca consegui nomear, é o das palavras, frases e versos que estes amotinados não evitam, no seu entusiasmo, deixar escapar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

À nossa casa


Madness, Our house

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

A medida de todas as coisas

Ursa Maior e Ursa Menor


Arte suma: saber o tamanho das coisas. Disse Protágoras que o ser humano era a medida de todas elas. Nos últimos 364 dias, tive tempo para me preocupar com a altura de um roupeiro, a largura de vários móveis, o preço da gasolina, a espessura de uma televisão, o tamanho de muitas peças de roupa, o valor de uma prestação mensal, o diâmetro de uma jóia, a duração de uma máquina de roupa escura, a temperatura do forno, a distância de Lisboa a um sem-fim de sítios, as calorias de iguarias diversas, a intensidade de tanta coisa boa ou não.

Talvez que o segredo resida na distinção algo paradoxal entre pequenas e grandes coisas. Saber separar o trigo do joio. Sem passar ao lado do que as coisas pequenas têm de grande. Sem fazer grande coisa das que são e merecem ficar pequenas. Sem apoucar as coisas verdadeiramente grandes. E sem deixar, tão-pouco, que se agigantem para lá de um limiar que cabe a cada um descobrir.

Gosto de viver num mundo a muitas dimensões...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Dias de sensações


Os últimos dois dias foram de folga. De celebração, de perguntas e respostas, de saudades enfim mortas e de outras renascidas. A 8 de Janeiro, o codornizes fez meses (três) e eu fiz anos (menos de três vezes dez). Beijinhos e abraços teriam de ser muitos, mas pego no número três e digo tudo em música: Sextos sentidos, dos Silence 4 com Sérgio Godinho, para a Sofia, que consegue, quando quer, ter um sétimo sentido. We can work it out, dos Beatles, porque acho que é verdade e porque a Teresa ma dedicou (para não repetir, eis uma versão de Noa). E Moon river, por ser quase um hino deste blogue, na voz d'A voz.
08 - Silence4 - Se...
Silence 4 e Sérgio Godinho - Sextos sentidos

Noa - We can work ...
Noa - We can work it out

Frank Sinatra) - M...
Frank Sinatra - Moon river

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Boxing Day

É o que o mundo anglo-saxónico chama ao dia a seguir ao Natal, e em que o campeonato inglês de futebol tem sempre jornadas históricas. Eis algumas explicações para o nome, que nada tem de desportivo:

- era o dia em que as pessoas davam caixas com presentes aos seus empregados (ou vassalos, nos tempos feudais);
- era o dia em que os empregados chegava ao trabalho com caixas para que os patrões lá deitassem moedas, como presente de fim de ano (tipo subsídio de Natal);
- era o dia em que era dada folga aos empregados que tinham de trabalhar no Natal e que, em compensação, levavam para casa caixas com os restos da consoada do patrão;
- era o dia em que se abriam, nas igrejas, as caixas de esmolas, para as distribuir pelos pobres;
- era o dia em que se apanhava a carriça, considerada rainha dos pássaros, para a colocar numa caixa, a qual entrava em todas as casas da aldeia, para dar sorte para as colheitas do ano seguinte.

Para mim, que nunca trabalhei num Boxing Day, a data significava ir a casa da Avó Gina almoçar restos do jantar do dia 25 e aproveitar para estar mais um bocadinho com os familiares de Coimbra e do Porto, já sem a lufa-lufa do dia de Natal propriamente dito. Havia a reunião dos tios para combinar as férias do Algarve para o ano seguinte e outros assuntos do género, momento solene que fazia rir os primos se alguém levantava a voz ou se outro alguém adormecia. Depois, íamos ao cinema. Às vezes voltávamos para mais restos.

Desde há uns anos, é a Tia Babita que acolhe este "Dia das Caixas". A família continua a reunir-se na versão integral, mas nos Reis e em local alugado, que ninguém tem uma casa tão grande! O dia 26 fica para os de Lisboa trocarem presentes com quem não viram a 24 e 25. Este ano, houve dois dedos de conversa à volta de caril de lentilhas, chacuti de galinha e chouriços picantes (ainda trouxe alguns tupperwares para casa), fotografias da viagem das tias à Índia (que inveja!), doces e queijos com fartura, gargalhadas e um pôr-do-sol lindo entre o Tejo e o Atlântico (depois de publicar esta entrada, descubro que o meu pai já tinha escrito sobre o mesmo assunto e posto no blogue dele uma fotografia do poente que referi).

Mas este também foi o primeiro Boxing Day da nossa casa. E se este nome ainda recorda os inúmeros caixotes que só no início do mês terminámos de arrumar, chegar aqui não deixa de ter um sabor a prova superada. A árvore de Natal (verdadeira, com raiz e vaso) não secou, os presentes recebidos para a casa já encontraram sítio, não falhámos nenhum entre os que demos, e aqueles que trocámos sentados no chão da sala acertaram na mouche. Foi Natal nesta casa, pelo que podemos seguir viagem para um Ano Novo entre amigos, à beira-mar. A quadra dura até aos Reis, mas os últimos cinco dias já ninguém nos tira... por isso mesmo, quebremos este tom algo sentimentalão com uma cantiga que nos faz rir de um Boxing Day menos afortunado.



Grandma got run over by a reindeer
walkin' home from our house Christmas eve.
You can say there's no such thing as Santa.
But as for me and Grandpa, we believe.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Não vai parar?


Aimee Mann, Wise up (da banda sonora do Magnolia)

It's not
What you thought
When you first began it
You got
What you want
Now you can hardly stand it though,
By now you know
It's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

You're sure
There's a cure
And you have finally found it
You think
One drink
Will shrink you 'til you're underground
And living down
But it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up

Prepare a list of what you need
Before you sign away the deed
'Cause it's not going to stop
It's not going to stop
It's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
'Til you wise up
No, it's not going to stop
So just... give up

sábado, 24 de novembro de 2007

Fim-de-semana em Lisboa

Pôr do sol do dia 7 de Novembro de 2004,
visto da cozinha da minha mãe

Às vezes sinto-me descurar a cidade. Por mais que precise do banho de alma que são os fins-de-semana no campo, faz bem namorar Lisboa sem ser ao ritmo do metro e do autocarro.

Gosto da minha casa. Foi ela que ensinou a um madrugador inveterado, desses que não suportam o peso de um tecto e quatro paredes enquanto há sol lá fora, que o sol também é bom visto de dentro, que a janela torna mais intenso o seu beijo numa face. Acho que nunca vou deixar de acordar cedo, e a pulsão do ar livre vai continuar a ser mais forte, mas de quando em vez gosto de me deixar seduzir por uma manhã entre quarto, sala e cozinha, café à discrição e discos pedidos.

Lisboa merece ser passeada. A Avenida da Igreja aqui ao lado, porção de ADN que se me colou desde a casa dos pais, na Rio de Janeiro, e que manteria ainda que vivesse nos antípodas. Uma caminhada até à Versailles ou, porque não, à Baixa, onde teria estado hoje não fora a preguiça... depois, há bairros como Marvila, Bica, os Prazeres a descer para Alcântara, o eixo Lapa/Rocha do Conde de Óbidos/Santos-o-Velho, em que ninguém pensa à primeira quando pensa em passear. E jardins - mormente o da Gulbenkian, mas também o Amália Rodrigues, no alto do Parque Eduardo VII, o da Estrela e até, malgré soi-même, o Campo Grande, onde o Avô Quim nos levava.

E o rio? Um brunch na Delidelux, um esticão do Terreiro do Paço ao Restelo (um pulo às tias), ou trepar ao Castelo e tomar um mojito no Bar das Imagens ou no Chapitô. Ou então virar o espelho ao contrário e ir ver Lisboa da Outra Banda: estou há séculos para conhecer o Cais do Ginjal e tenho um brinde prometido no Porto Brandão. Sem esquecer a Linha, para onde aponta, hoje, o meu cata-vento... bom, hoje e todos os dias, pois é lá que trabalho, e felizmente consigo disfrutar disso. E a outra linha, a de Sintra, chá na Raposa e travesseiro na Piriquita (e o comboio para a praia, com os miúdos, que não passa do próximo Verão).

Um fim-de-semana em Lisboa é isto, e pode ser tudo o resto. Noitadas de copos a ouvir boa música (são dois links) ou a dançar sem pensar em nada, mais tempo para os amigos, programas culturais aos montes (que bom ter alguém que nos sublinha a Time Out de uma ponta à outra, para não deixarmos de ver coisas bonitas!) e, em breve, as feirinhas de Natal de que tanto gosto.

Um fim-de-semana em Lisboa, em navegação solitária ou de mãos dadas, é um poema de amor à minha terra.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Lar, doce lar



Going home é a última faixa da banda sonora original de Local hero, um filme dos anos 80. Recomendo a fita e a banda, que é de Mark Knopfler. E dedico a música à Ana Lobo da Costa, uma global hero que gosto de saber que gosta de estar em casa. E já agora, ao som da guitarrada, podemos ler este poema de António Ramos Rosa...

Casa de sol onde os animais pensam
erguida nos ares com raízes na terra
ampla e pequena como um pagode
com salas nuas e baixas camas
casa de andorinhas e gatos nos sótãos
grande nau navegando imóvel
num mar de ócio e de nuvens brancas
com antigos ditados e flores picantes
com frescura de passado e pó de rebanhos
ó casa de sonos e silêncios tão longos
e de alegrias ruidosas e pães cheirosos
ó casa onde se dorme para se renascer
ó casa onde a pobreza resplende de fartura
onde a liberdade ri segura

in Voz inicial, 1960

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (IV)

Mais um voo de segunda-feira. Quem já passou por este local? E o que têm a dizer sobre este ou outro que ele vos recorde? A codorniz levanta voo, vamos ver quem a apanha!

Alvalade, Lisboa, Portugal

A nossa casa

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onte está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Costrói-a, num instante, o meu desejo!

Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jadim,

Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...

Florbela Espanca