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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Três vivas à minha cidade


...pela alegria que me deu
no domingo passado.



Tête de Bois & Sérgio Godinho, Lisbona quando albeggia

sexta-feira, 10 de julho de 2009

É a terceira vez que aqui ponho esta canção...


Tereza Salgueiro e Pedro Jóia, Trova do vento que passa

...e cheira-me que não é de mais. Ouvimo-la em duas versões quando esperávamos pelo 25 de Abril; ouçamo-la hoje, a recordar o espectáculo cinematográfico e musical Filmes, Malhas e outras Tralhas, realizado anteontem à noite no Cinema São Jorge. Soube bem ouvir as palavras calorosas da cantora para com os pais desta iniciativa. E foi bom ver tantas cenas de filmes portugueses, cujas bandas sonoras recriaram artistas como Daniel Bernardes, Filipe Melo, Hélder Moutinho, Manuel João Vieira & Miss Suzie, Tiago Bettencourt e Tó Trips, além dos que estão no filme acima. Parabéns à malta da Restart (escola de criatividade e novas tecnologias), em especial à minha querida Inês Ferreira Fernandes!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Todos fomos rocket men and women



Elton John, Skyline pigeon (ao vivo em Lisboa, 28.VI.2009)



Passados 17 anos, voltei a cruzar-me com Sir Elton (felizmente, não estive na barracada do Casino Estoril em 2000!). O de ontem foi um concerto extraordinário, na melhor das companhias, a coroar dias de festa bem passados. À falta de tempo e de palavras, fica o alinhamento: 24 canções (tantas como os anos de alguém que tivesse nascido, sei lá, na véspera, mas em 1985), voz e piano para ouvir e chorar por mais, com links e tudo! Roam-se...



1. Funeral for a friend/Love lies bleeding
2. Saturday night's alright (for fighting)
3. Burn down the mission
4. Goodbye Yellow Brick Road
5. I guess that's why they call it the blues
6. Daniel
7. Honky cat
8. I want love
9. Rocket man (I think it's going to be a long long time)
10. Sad songs (say so much)
11. Take me to the pilot
12. Sorry seems to be the hardest word
13. Tiny dancer
14. Sacrifice
15. Don't let the sun go down on me
16. All the girls love Alice
17. Candle in the wind
18. Skyline pigeon
19. Are you ready for love?
20. Bennie and the Jets
21. The bitch is back
22. Crocodile Rock



Encore:
23. I'm still standing
24. Your song

terça-feira, 5 de maio de 2009

Chegou!

o tempo prodigioso dos jacarandás


Vitorino Salomé, Flor do jacarandá

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Não desgosto deste tempo


Quando chove e faz sol

estão as bruxas a fazer pão mole


segunda-feira, 21 de julho de 2008

Thank you, friend

Retribuo, sir, o tratamento que usou para se nos dirigir. Não levo a mal a ausência da famosa gabardina azul - que teria feito, não obstante, as delícias da queridíssima M., e ela merecia -, percebo que esteja até ao último cabelo grisalho de contar o blowjob que a Joplin lhe fez na unmade bed do Chelsea Hotel, compreendo que não se queira chamuscar de novo nas chamas que perseguem Joana d'Arc. Playlist quasi-perfeita.

A noite, que ainda o não era quando nos lançou o convite para dançar até ao fim do amor, tomando valsas, baladas, hinos e diatribes como um pássaro na corda bamba, foi suave, intensa, classy e emocionante. Opinião unânime entre os onze que acabámos pos ser (uns usaram palavras, outros gestos, à falta delas). E dos outros 8989, suponho. De um lado, o sol a inclinar-se cada vez mais. Do outro, a torre da doca, num ângulo imutável e tão elegante quanto os requebros ocasionais de V. Ex.ª, enquanto ia levitando gerações.

Supérfluos todos os agoiros relativos ao recinto e à acústica (mea maxima culpa. Risíveis os tocantes à sua forma física, friend, à voz que enleva, às putativas comparações com visitas de há décadas e cuja memória haveria, dizem, que preservar (nisto nunca alinho e até acho um bocado pedante). Foram excelentes, toda a gente sabe, que dúvida cabe? Já aqui contei a birra que fiz por não ter podido ir ao Coliseu... mas, ainda a confirmar-se a infirmada possibilidade de o senhor já não estar à altura, esquecer-se-ia alguém de noites passadas? Deixaria esta de ser memorável?

Cantámos. Unimos as vozes e o fôlego, para irritação de um indivíduo a quem tive de explicar que, para ouvir os artistas sem um belisco, é melhor ficar em casa e pôr um disco. As letras - belas e nada fáceis - vinham ter connosco. E @ parceir@ do lado servia de ponto ou cábula.

Dançámos. Com violinos em chamas, do alto da torre da canção - que já não sei se fica em Manhattan ou Berlim - à capela de Nossa Senhora do Porto, passando pelas democracias do futuro e cruzando-nos com a mulher do cigano, que nos garantiu não haver cura para o amor.

Ficaram-lhe bem, caro poeta, a simpatia para com o público e a deferência para com os que pisaram o seu palco. Exímios instrumentistas, angélicas meninas de coro, munidas de harpa e tudo. Os encores também foram bem escolhidos, e ninguém contestará que a canção bíblica (do Livro de Rute) é uma maneira de dizer adeus... isto admitindo que exista uma forma ideal de nos despedirmos de si, colocando a hipótese académica de que pudesse haver um voto contra num referendo ao público para saber quem queria que as três horas com que nos brindou se alargassem para quatro ou cinco...

...obrigado, Leonard. Valeu a pena esperar 20 anos.

Para uns recordarem e outros se consolarem, aqui fica o alinhamento de sábado passado, com vídeos da digressão que passou por Algés. A negro, filmes do nosso concerto.

Primeira parte


Primeiro encore

Terceiro encore

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ainda Marvila...

Ponte ferroviária de Xabregas (foto do blogue Bic Laranja)


O último voo da codorniz - centrado na freguesia lisboeta de Marvila, mas abrangendo também partes do Beato, São João e Santa Engrácia - mereceu ao meu amigo e cunhado Tiago Vitorino Queiroz este comentário. Que merece, da parte do codornizes, ser elevado a entrada. Um abraço, Tiago.

Meu caro amigo,

Esta terra de ninguém tem sido muitas vezes a capital de bons momentos passados.

Aliás o título não poderia ser mais correcto porque não há "nada" como o charme decadente dos sítios que sobrevivem dignamente apesar de desgastados pelo tempo, pelos maus hábitos e pela crueldade do ordenamento humano do território.

Marvila é um desses sítios, marginal por definição, por vezes rude, outras algo exótica... Enfim, somos conquistados pela sua alma, pelos seus recantos inesperados e por aquela luz subtilmente diferente das outras desta cidade (só os verdadeiros lisboetas conhecem estes cambiantes da luz...)

Para quem não sabe, eu sou lisboeta. Aliás sou um lisboeta orgulhoso, que se considera conhecedor da sua cidade

E talvez tu não saibas Pedro, mas há uns anos, não sei precisar quantos - talvez três antes do ano da Capital do Nada, foste tu que me despertaste a atenção por Marvila. Pela tua mão os seus nomes, recantos e lugares ganharam um lugar especial no meu léxico lisboeta...

Sugestão de voo para que não conhece (ou conhece mal) este não-lugar:
Desviem o vosso curso habitual na rotunda do relógio, virem para Chelas e sintam o prazer único de descer e serpentear pelo vale de Chelas em direcção a Marvila, passando pelo Beato. Se, ao passarem por baixo da ponte ferroviária, se sentirem invulgarmente sorridentes e descontraídos, se a viagem "vos bater", é óbvio que são lisboetas. Se não forem, passarão a sê-lo honorariamente... bem vindos ao clube, bem vindos à Capital do Nada.

Pedro...
...Obrigado.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O voo da codorniz (XXVII)

Vale de Chelas, freguesia de Marvila, Lisboa, Portugal

Muita gente não dá nada por esta zona da cidade. Mas eu gosto de Marvila e das coisas bonitas que por lá há para quem quiser vê-la com olhos de ver. Quero centrar-me em duas palmeiras magricelas que há ali entre Chelas e as Olaias. Vêem-se melhor na imagem abaixo, do LiveSearch da Microsoft, do que na do Google Earth. Estas árvores estão num texto que escrevi, em 2001, para um projecto chamado Lisboa, capital do nada. Foi publicado num livro que recolheu tudo quanto se produziu para esta iniciativa da Associação Extra-Muros. E republica-se, hoje, aqui.


Nada… estranha palavra. Nada, na voz dela. Mais limpa e num timbre algo diferente do habitual, pareceu-lhe. Nada ou talvez o sol a pôr-se entre duas palmeiras exíguas e restos de luz coalhada a tornar especial um terreno indigno de se reparar nele. Eu próprio – corrigiu – indigno de que se repare em mim. Pelo menos ela. Quanto tempo tardará o dia em que nem tocado pelo pôr-do-sol me vejas? Quantos pôres-do-sol para que volte a ser nada?

Esta paisagem... nenhures. É o nome que o nada toma quando é lugar, assim como é ninguém se se faz pessoa e nunca se se torna momento. Nunca tinha reparado nos matizes destes prédios feios. Como se para tal tivesse de me sujeitar a não ser. Claro que não embarcaria de ânimo leve em tamanha cedência – ah, o orgulho! –, mas a verdade é que fiquei ninguém quando desapareceste atrás do poste de iluminação com as tuas palavras, as tuas pestanas, as tuas lágrimas off-the-record. Afinal, tornaste-me capaz de habitar este nenhures, andando ao deus-dará, fazendo deste nunca o meu agora.

Estranha palavra – repetiu de si para si –, estranho processo de aplicá-la às coisas. Estranho ainda dizer “isto não é nada”, nomear o objecto e negar-lhe o ser logo a seguir. As palmeiras, por exemplo. Nunca tinham sido nada, mas agora dava pelo ombro encostado à da esquerda enquanto olhava para cima e pensava que deviam estar ali há muito tempo. Viram todos os nossos pôres-do-sol, concluiu, mas nessa altura nem o pôr-do-sol era mais do que um pretexto ou pano de fundo.

Será que as coisas existem em estado puro? Ou não existe nada? A força deste pronome-indefinido-advérbio-nome-comum que o diga. O nosso homem olhou a superfície metalizada do rio, ao fundo, enquanto recordava o diálogo tido há pouco com a amada perdida (ou ele para ela):

- E agora?

- Agora?!

- Sim, nós, isto... o que é isto?

- Isto não é nada!

- Nada?

- Nada, nada... que não te afogas.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A noite das rainhas

Quarta parte das memórias da Bela Vista. Leia a primeira, a segunda e a terceira.

Faz hoje quatro anos que acabou o primeiro Rock in Rio alfacinha. Era domingo e chegámos cedo. Infelizmente, não a tempo de ouvir a batucada teatral e espectacular das Tucanas. Ouvimos, isso sim, Luís Represas. Mas de passagem, que o homem tem boa voz, mas as canções a solo - salvo honrosas excepções como Feiticeira, Fora do tempo, Chave dos sonhos, Desencontro ou Por mão própria - não se comparam às dos Trovante... teria preferido, se soubesse, ir à Tenda Raízes ouvir a espanhola Amparo Sánchez e os seus Amparanoia. Desvendou-mos mais tarde a minha amiga Elena, pouco antes de virem tocar (e eu estive lá!) no Festival Mediterrânico de Loulé.

Foi a arrastar os pés, confesso, que me deixei levar pela cara-metade para junto do Palco Mundo. Ivete Sangalo ia levantar poeira e o pacto era vermos um bocado do concerto, para depois irmos com calma até outras bandas. Qual quê! A mulher puxou tanto pelo público, foi tão simpática (chorou, apoiou a selecção, proclamou-se de dupla nacionalidade, etc.), que acabou por me conquistar, para o que não nego terem contribuído dois sorrisos de orelha a orelha (o da miúda que cantava e o da que dançava de mão dada comigo) e as memórias de noites em discotecas várias ao som da Banda Eva. Fiz questão de ficar até ao fim e acho que nunca tive os dois pés no chão ao mesmo tempo. Dançámos tanto, tanto, tanto, que quando aquilo acabou parecia mentira o sol ainda estar alto no céu...
Ivete Sangalo, Sorte grande (poeira)
(ao vivo no Rock in Rio Lisboa, 6 de Junho de 2004)

A actuação seguinte era a de um chato chamado Alejandro Sanz. Baldámo-nos. Por indisfarçável desinteresse e porque o concerto da Mariza na Tenda Raízes, que era para ter durado 40 minutos, se espraiou por duas horas. "Já percebi o vosso jogo... andam para aqui a pedir extras, mas quando chegar o Sting deixam-me sozinha", disse às tantas, fingindo amuo, para logo a seguir dividir o público em dois sectores, para ver quem cantava mais alto a Lisboa menina e moça. Não tendo encontrado vídeos do Rock in Rio, deixo-vos com um da fadista em Londres, com um dos meus fados preferidos (é divertidíssimo vê-la tentar explicar a história de amor aos bifes). A letra é do grande David Mourão-Ferreira.

Mariza, Barco negro
(ao vivo em Londres, 22 de Março de 2003)

Em noite de descobertas, foi dos poufs que ficámos a conhecer Alicia Keys. Andar pela Bela Vista cansa, e nesses tempos fazia calor no Rock in Rio. Que voz potente, a daquela rapariga então menos premiada e conhecida. Já se lhe auspiciava o futuro que tem vindo a ter. Uma palavra para o giro que é encontrar amigos, conhecidos e até familiares entre a multidão. Gente que não víamos, por vezes, desde o infantário, primos mais novos que vimos nascer, "cotas" que já não imaginávamos capazes de abanar o capacete. E pessoas de quem juraríamos que um festival destes não faria nada o seu género. A festa que fazíamos uns aos outros...


Alicia Keys, If I ain't got you
(ao vivo no Rock in Rio Lisboa, 6 de Junho de 2004)


Já deve ter dado para verem que a noite foi das mulheres. Tanto assim é que me abstenho de mostrar as prestações dos dois senhores que encerraram a noite e a edição de estreia do Rock in Rio. Isto porque Sting deu um concerto morno, como por vezes sucede na apresentação de álbuns novos (que diferença passados dois anos, em breve contarei essa noite!), e Pedro Abrunhosa teve o azar de começar tarde, pelo que lhe cortaram o pio ao fim de meia hora. Depois do fogo de artifício da praxe, voltámos para casa exaustos, mas de papo cheio. E, escusado será dizer, viciados na Bela Vista.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quero um ministro assim!

Segunda parte das memórias da Bela Vista - 29 Maio 2004


Doze horas depois do êxtase mccartniano, já estávamos de novo no Rock in Rio. O segundo dia foi o da abertura oficial, com Joana Carneiro a conduzir a Orquestra Metropolitana de Lisboa num périplo que foi de Assim falava Zaratustra a Imagine. Como chegámos cedo, ainda assistimos ao ensaio geral, com a maestrina a dar-se conta de que, além da Metropolitana, estava em palco um grupo Afro Reggae que era preciso integrar na peça. Prova superada com louvor e distinção, diga-se...

Seguiu-se Gilberto Gil, "aquele preto de que a gente gosta", num concerto de ritmos tropicais que pôs toda a gente a dançar. O calor de Maio - que foi dele este ano? - e a novidade do festival entusiasmavam o público. Ficámos na primeira fila, onde um cartaz resumia o sentimento de todos: "Quero um ministro assim!". Para quando, meu Deus, para quando?!

Gilberto Gil, Andar com fé/Aquele abraço
(ao vivo no Rock in Rio Lisboa, 29 de Maio de 2004)

O seguinte no cartaz era Rui Veloso. Tem músicas excelentes, é verdade, mas há quase 20 anos que não lança uma canção que valha a pena... resolvemos ir à Tenda Raízes ver os Habana Abierta, com passagem pela zona dos jornalistas, onde eu recolhia deliciosas - e gratuitíssimas - baguetes que nos serviam de combustível. Tivemos, ainda assim, a sorte de atravessar o parque, diante do palco principal, no momento exacto em que Rui tirava do chapéu esta maravilha.


Rui Veloso, Porto Côvo
(ao vivo no Rock in Rio Lisboa, 29 de Maio de 2004)


Veio, depois, um dos dois grandes senhores da noite: Ben Harper, com os Innocent Criminals. Recordei a primeira vez que o vira, no Coliseu, a convite de uns primos do Porto e sem nada saber sobre o sujeito. Devo-lhes a descoberta de um excelente artista, que soube bem revisitar na Bela Vista.

Ben Harper & The Innocent Criminals, Diamonds on the inside
(ao vivo no Rock in Rio Lisboa, 29 de Maio de 2004)

O dia acabou com Peter Gabriel, que entrou em palco dentro de uma bola de luzes e provou que antiguidade é posto, mas não obstáculo. Derreados das andanças de todo um dia, vimo-lo refastelados nos poufs, deitando o olho ora ao palco, lá em baixo, ora a um ecrã gigante mesmo ali ao lado. As cervejas iam rolando, houve quem passasse pelas brasas, mas logo encontrámos um colega da cara-metade, com surpresas que nos deram ânimo para rematar a noite, na Tenda Electrónica. Não encontrei vídeos de Gabriel em Lisboa, mas cá vai uma das minhas preferidas.


Peter Gabriel, Solsbury Hill

terça-feira, 3 de junho de 2008

O dia em que eu vi um Beatle


A primeira de todas as noites do Rock in Rio Lisboa não estava no programa. A notícia veio à última hora e era boa de mais para acreditar. Paul McCartney? The Paul McCartney? O dos Beatles? O gajo do primeiro disco de vinil que comprei? Foi num ápice que não só mudámos a agenda como reunimos cerca de dez pessoas para rumar à Bela Vista.

Tirando o facto de o grupo se ter desmembrado em três - fruto não de zangas, mas da inexperiência em lidar com as multidões do Rock in Rio -, a noite foi perfeita. Macca deu-nos duas horas e meia de música e os extras foram tantos que teve de ir buscar The End para sabermos que já não ia haver mais. Cantei como poucas vezes, emocionei-me e acho que me lembrei de toda a gente com quem já ouvi Beatles. Ah, e o bichinho da Bela Vista ficou...


Paul McCartney, Get back
(ao vivo no Rock in Rio Lisboa, 28 de Maio de 2004)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XXVI)

Parque da Bela Vista, Lisboa, Portugal

Gosto do Rock in Rio. Esta entrada, escrevo-a embalado pelos sons da noite de ontem, ouvidos em dois palcos, dançando de pé ou estendido num pouf a sentir danças outras. Acho que já consegui expurgar dos ouvidos a batucada da Tenda Electrónica, que é muito gira quando se lá está (embora este ano a opção tenda-sem-tenda, somada às tropelias do São Pedro, tenha resultado num espaço pouco acolhedor), mas terrível quando já se foi para casa e se vive ao pé do recinto...

Gosto do Rock in Rio. Gosto desde a primeira edição lisboeta, em 2004, para a qual tive a sorte de receber um passe de imprensa, embora não me tenham mandado escrever uma linha sobre o assunto. Remorsos? Nenhuns. Soube-me a justa compensação por três meses de estágio numa rasquíssima revista, já extinta, que pouco mais pagava do que os módulos do autocarro e que, ao fim desse período a que chamaram de "ensaio", me veio propor, em vez do prometido contrato e salário digno, mais três meses de igual escravatura. Levaram um manguito, claro, e se conto esta história numa entrada sobre o Rock in Rio é só para não perder a ocasião de denunciar o que se passa com muitos jornalistas estagiários...

Gosto do Rock in Rio. No ano de estreia, passei lá quatro noites, entre os acordes sonantes do Palco Mundo, as curiosidades da Tenda Raízes, os ritmos da Electrónica e a emoção de ir descobrindo aquele recinto, os passatempos dos stands, os amigos com quem nos cruzámos, os recantos para namorar, as óptimas sanduíches - de borla - que havia no espaço reservado à imprensa, a correria de concerto para concerto, a lembrar a agenda sempre apertada da saudosa Festa da Música do CCB.

Gosto do Rock in Rio. Em 2006 não tivemos o bambúrrio da primeira vez, mas a vontade de ir era tanta que, com poupanças antecipadas, generosidade da família e uma gestão ágil dos pontos da BP, acabámos por não falhar uma única noite. Já éramos velhos conhecidos, em vez de "olha ali..." ou "epá, já viste...", dizíamos "lembras-te, foi ali que...". É particularmente engraçado recordar os vários grupos com quem estive na Bela Vista: do tête-à-tête romântico ao espírito mais transgeracional da coisa, gozámos a fundo cada minuto.

Gosto do Rock in Rio. Este ano, planeei ir uma noite, estive quase para falhar e acabei por ir duas. À partida, a participação na edição corrente deve estar encerrada. Mas já aprendi a não fazer grandes planos: ontem, a decisão surgiu às quatro da tarde e já houve quem me desafiasse a ir a Madrid, onde o festival aterra no próximo mês.

Gosto do Rock in Rio. E resolvi, por isso, recordar ao longo da semana alguns dos artistas que (ou)vi nestas três edições de Rock in Rio e as impressões com que fiquei. O tom é capaz de me sair algo nostálgico, até porque a próxima vez (2010) será a última na Bela Vista, destinada a receber o novo Instituto Português de Oncologia (eu sei que o antigo precisa de reforma, mas tinha de ser aqui?!!?). O Rock passa para Loures, dizem-nos, e eu prefiro não dizer o que acho... deixem-me gozar a música enquanto dura!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Irritação

Rua da Bica de Duarte Belo, 30 Janeiro 2008 (PC)

Porque é que não posso dar em Maio os passeios pela minha cidade que dava em Janeiro? Quando é que o estafermo do santo meu homónimo deixa a gente em paz, para cumprir adiados Bicaense, Delidelux e Baiúca? Não fossem os jacarandás, começava a perguntar-me se estamos mesmo na altura do ano em que mais gosto de Lisboa...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ainda Lisboa

A bela e o monstro (SK e Adamastor by PC)
Na Escola Primária, era costume pedirem-nos composições sobre "o que fiz nas férias" ou "no fim-de-semana" (alternativas ao igualmente popular "o que quero ser quando for grande"). E lá contávamos as aventuras, as brincadeiras, os passeios. Esta semana, inverteu-se-me esse esquema: um passeio pela cidade foi antecedido por um texto sobre o que me apetecia, que afinal mais parece um relato a posteriori. Chamou-me a atenção para isto uma das três tágides que me acompanharam por Lisboa abaixo. Troque-se o Pavilhão Chinês pelo Noobai e o resto foi como escrevi. Muito graças a este trio, que tenho vontade de reunir numa entrada do codornizes.


Ana Knapič, Encontrar (letra de Filipa Knapič)

terça-feira, 25 de março de 2008

Unselfconscious little me

Hoje cantei isto em altos berros, pela Duque d'Ávila acima.
De auscultadores nos ouvidos e com García Márquez pela mão.
Soube-me bem.

Katie Melua, If you were a sailboat

segunda-feira, 24 de março de 2008

A minha cidade

Bica, 30 Janeiro 2008

Apetece-me passear pela minha cidade. Descer a pé o eixo Rato-Bica, que é onde há varandas como estas, e subi-lo retemperado por um chá ou coisa mais forte, possivelmente no Pavilhão Chinês. Esquadrinhar as ruas por onde anda a gente que veste esta roupa e a estende ao sol que hoje não há. Olhar com atenção para cada rosto e ouvir as histórias que as feições de cada personagem involuntária me queiram contar em silêncio. Talvez escrevê-las. Perceber se a cor do Tejo muda consoante o olhamos de uma transversal da Rua da Escola Politécnica ou da Calçada do Combro. Mandar recados telepáticos, via cacilheiro, às gaivotas de Porto Brandão e aos barquinhos de pesca da Trafaria. Cobiçar doçuras às montras das pastelarias, confortos às das lojas de design, poemas às das livrarias. Devolver com um raro chuto certeiro a bola que os miúdos do Bairro Alto pontapearão com demasiada força a dada altura. Devolver também os sorrisos que as velhas distribuem, das suas portas e janelas de menagem, defendidas a dente de cão ou garra de gato, a quem tiver força na alma para rodar ou levantar a cabeça num ângulo que, bem vistas as coisas, pouco exige à musculatura do pescoço. Trautear cantigas de amor a esta Lisbela, corrompendo êxitos de Amália, Jorge Palma, Carlos do Carmo, Mariza, Trovante, Vitorino, Sérgio Godinho ou Madredeus. Dedicá-las, se melhor destinatári@ não houver, aos guarda-freios dos eléctricos que ainda passam, às floristas da Rua Augusta, à multidão que enche as esplanadas do Chiado, a quem mantém retrosarias, capelistas, drogarias e outras espécies em vias de extinção. Admirar aquela árvore do Príncipe Real. Reconhecer a custo os meus lugares da noite à luz do fim da tarde e lembrar mais histórias, acontecidas ou por acontecer a quem nasce, vive e morre na minha cidade. Dar uma mão ou um braço a quem quiser ouvir-mas ou, melhor decerto, a quem conseguir cortar-me a verborreia com um olhar cúmplice, daqueles que nos transportam em tempo real para o canto superior esquerdo de uma folha em branco. Esperar, de ombro encostado e a ver Lisboa, pela primeira palavra de uma nova narrativa.

É o que vou fazer já a seguir.



Ala dos namorados, Loucos de Lisboa

quarta-feira, 12 de março de 2008

Para que não haja dúvidas

Se não der para ir a Loulé no dia seguinte, a escolha está feita.


Leonard Cohen, Chelsea Hotel #2

Moeda ao ar ou maratona

Olha, este vem no mesmo dia que o outro e toca no Campo Pequeno. Mas não desesperem, que no dia seguinte - 20 de Julho - o ex-Velvet Underground vai a Loulé.

Lou Reed, Walk on the wild side

Aleluia, grita um ateu!

O grito só pode ser este. É oficial, o homem estará em Lisboa no próximo dia 19 de Julho. Aleluia, aleluia, aleluia!!!


Leonard Cohen, Hallelujah

Nota: Diz o site que o concerto é no Passeio Marítimo. Não se sabe qual, mas Cohen à beira-mar nem dá para ter dúvidas. EU VOU!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

...then we take Lisbon!

Tu também devias vir. Não ao Rock in Rio, claro, nem ao Atlântico - que decerto encherias, mas para o qual és mal empregado. Uma sala intimista, onde essa voz cava possa ir subindo como ar quente. Talvez mesmo a sala onde tanto te ouço, à lareira, noite dentro, sem saber se é dela ou da aparelhagem que me chegam as tuas canções... Ginginha, jeropiga, Baileys? Com que licor brindar à tua saúde? Com que versos agradecer tantas horas, por vezes só, por vezes na companhia de figuras que se tornam a tua Suzanne, a Marianne do adeus, a eterna Joana de Arc, ou mesmo cansados last year men? Quero-te cá, Leonard Cohen. Já assinei.


Leonard Cohen, First we take Manhattan