Constelação de Orion
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De novo a olhar para o céu, a codorniz visita outra das suas constelações preferidas. O voo de aqui há uns meses passou ao lado de Orion, mas não é tarde para fazer-lhe justiça. Até porque o tenho contemplado muito nas últimas noites, procurando o brilho encarniçado da estrela Betelgeuse, as "três Marias" que delineiam a cintura de Orion e a nebulosa que pode ser vista como a arma deste caçador gigante.
Embora não se saiba como, parece certo que Orion desafiou os deuses. Terá tentado violar a deusa da caça, Artémis (ou Artemisa) e jurado, fanfarrão, ser capaz de matar qualquer animal à face da Terra. Diz-se que os cães Maior e Menor, que moram perto dele no firmamento, eram seus. Outras fontes asseguram que a verdadeira presa do caçador eram as Plêiades, sete ninfas filhas do titã Atlas e da ninfa marinha Pleione. Em todo o caso...
Orion foi castigado. Artémis matou-o com uma seta, afirmam uns. Outros garantem que a deusa se aliou à Terra para produzir um enorme escorpião, animal esse que o caçador não foi, hélas!, capaz de vencer. Imortalizados nas estrelas, Orion e Escorpião nunca coincidem no céu. Mas dão-nos, em diferentes alturas do ano, o prazer de os ver brilhar e a oportunidade de pensar sobre os desafios com que provocamos os deuses e aqueles que nos lança a vida.

