Mostrar mensagens com a etiqueta toxofal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta toxofal. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de cinzas

Pablo Picasso, Homem à lareira

Na cinza de uma lareira

Dorme a labareda fria.
Arde à nossa revelia,
Mas queima da mesma maneira.

Quando uma chama se apaga
É morte de pouca dura.
Renasce, ardendo em lonjura
Mal a Fénix sai voando.

Se uma lareira te afaga
É porque alguém está chamando

Toxofal de Baixo, 21 de Fevereiro de 1996
(Quarta-feira de cinzas)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vou pr'á festa...

de São Sebastião, no meu querido Toxofal de Baixo. Apareçam, se quiserem, mas não contem com mais entradas até meio da semana que vem!

Albrecht Dürer


Alex Cerveny


Ana Maria Pacheco


Anónimo


Damien Hirst


Doménikos Theotokópoulos El Greco


Egon Schiele


Euan Uglow


Francisco Rebolo


Grão Vasco


Il Sodoma


João Manuel Pestana


Keith Haring


Salvador Dalí


Vahan Bego


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fim-de-semana campestre


No doubt, Greener pastures

Would you say they find me unstable
'Cause they see me act a little bit different
But I know my way to greener pastures and

Think about it, won't you think it over
Please

domingo, 19 de outubro de 2008

Adeus, Mirita

Hei-de olhar à volta da cozinha velha antes de pôr a fruta ao lume. Não propriamente à sua procura. Sei, desde há muito, que não volto a vê-la encostada à mesa de ardósia, o sorriso nos lábios e ainda mais no olhar azul. Mas sei, desde sempre, que vai estar connosco, todos os anos, na odisseia das compotas, marmeladas e geleias. Prometo acompanhar de um sorriso o suspiro que hei-de lançar. Onde quer que esteja, Mirita, quero que sinta o cheiro do açúcar a ferver, à procura de um ponto que aprendi consigo. Um beijinho grande, querida amiga.



Elton John, Skyline pigeon


For just a skyline pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
She can spread her wings
And fly away again

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Vou p'rá terra...

Toxofal de Baixo (PC, 29 Março 2008)



E antevejo-o nesta canção, de que vos deixo três belas versões, para que digam de qual gostam mais... ai, a falta que me faz o blogue da cara-metade, para estas brincadeiras musicais!







Michael Stipe e Fautline, Greenfields


You can't be happy, while your heart's on the roam
You can't be happy until you bring it home
Home to the green fields, and me once again

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Oeste até segunda-feira...

Pet Shop Boys, Go West

Go West - Life is peaceful there
Go West -
In the open air
Go West -
Where the skies are blue
Go West -
This is what we're gonna do

quinta-feira, 6 de março de 2008

Sulcos em catadupa


… et les talus de gauche tiennent dans leur ombre violette les mille rapides ornières de la route humide. Défilé de féeries.
Jean-Arthur Rimbaud, Ornières (de Illuminations)

…e à esquerda os taludes guardam na sua sombra violeta os mil rápidos sulcos da estrada húmida. Desfile de maravilhas.
Sulcos (de Iluminações, tradução de Mário Cesariny)

…e as escarpas de esquerda resguardam na sua sombra violeta os milhentos sulcos de rodados da estrada húmida. Parada de irrealidades feéricas.
Sulcos de rodados (de O rapaz raro – poemas e iluminações,
tradução de Maria Gabriela Llansol)


sulco a areia que sitia as cidades para trás abandonadas
Al Berto, Morte de Rimbaud (de Horto de Incêndio)

nas areias do açúcar mascavado / do amor desenganado
Sérgio Godinho, Lamento de Rimbaud (de Domingo no Mundo)

Nota: Tirei a foto no Toxofal de Baixo

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Regressado da festa

Houve festa na aldeia... foram quatro dias longe de Lisboa, da Net, dos blogues, de tudo quanto não fosse o meu Toxofal de Baixo e outras (poucas) coisas e pessoas de quem goste. Não terá sido exactamente como no filme abaixo, mas foi pelo menos tão bom. É só para dizer que estou de volta...


Jacques Tati, Há festa na aldeia

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

setedoumdooito

Foi bom e foi há seis meses. Às vezes parece que foi há seis dias. Outras, há seis séculos. Que continue a ser bom. E melhor.

I say a little prayer, cena de O casamento do meu melhor amigo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (X)

Voar sobre terreno conhecido tem vantagens. A segurança. A calma. As memórias. O poder matar saudades. Esta é a minha terra. Esta? Sim, como o são Lisboa, o Baleal e tantas outras. A todas me aferro, qual Anteu, para recuperar forças. Cada uma revigora um dos humores vitais. Sobre o Toxofal de Baixo ando a preparar uma coisa para outro blogue. Se hoje me apeteceu pô-lo aqui, foi porque uma entrada sobre o sabor das maçãs me recordou mais uma das minhas velharias poéticas. O título do escrito até mudou.
Toxofal de Baixo, Portugal


Maçãs

Atrás dessas telhas quentes
Há uma manta de retalhos
Com que te quero cobrir
Se a meu lado te deitares

São fazendas são hectares
Que o Sol e a chuva submetem
São dias que se repetem
Num ritmo que não se usa
No pulsar de uma rajada
No brotar de uma colheita
Que, Deus deixando, há-de vir
Antes da data passada
Antes que o tempo que impera
Traga outra Primavera
Traga outro campo de azedas
Para o gado com placidez
Ruminar num devaneio

Atrás do telhado onde a gata
Dorme sem credo nem dono
Há poesias à espreita
E há maçãs verdes à espera
Que alguém sedento de um seio
Lhes vá provar a acidez
Que nessa manta difusa
Tudo tem a sua vez.


Lisboa, 27 Janeiro 1996

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O voo da codorniz com Google Earth (VII)

Mais uma secção a tornar-se menos fixa... Os voos descolarão, doravante, à segunda ou à terça, conforme o vento. O de hoje até é a uma zona ventosa, por isso acompanhem-no com cuidado. A ideia, nunca é de mais recordar, é dizerem-nos o que vos sugere a paisagem.

Do Toxofal de Baixo à Praia dos Belgas, Portugal

Sobrevoo o itinerário e não quero crer... pedalei mesmo 17-quilómetros-17, com subidas e descidas, sem levar a bicicleta pela mão uma única vez? Assim foi. O passeio organizaram-no bons amigos, naquela que viria a ser a última manhã de sol do Verão até então imorredouro. O grupo compunham-no sete magníficos, entre eles o menos desportista dos vossos amigos (enchanté!).
Chamo-lhe passeio, não prova ou corrida, porque foi esse o ritmo a que pedalámos. A apreciar as cores das fazendas do Toxofal, o vale do Paço, a vista da Serra d'El-Rei para Baleal, Peniche e Berlenga... houve momentos de cumplicidade a dois ou a três, lado a lado em estradas menos movimentadas, num fluir de recordações, confidências e amizades antigas e recentes. O breve périplo pelo areal deu para inspirar a fundo e com tempo o ar que nos ia entrando, durante o trajecto, pelas narinas muito abertas.
Regresso tranquilo, já com um sentimento de missão cumprida e, no íntimo, o alívio de ver que o impossível nem sempre o é, que há caminhos alternativos (especulámos tanto, tanto!), que a aventura do mar ao fundo emociona tanto como o calor do regresso ao campo.
À chegada, esperava-nos um almoço de reis, cortesia dos que não pedalaram. Espetadas de peru grelhadas, bacalhau com coentros, ratatouille, o melhor pão do mundo e, para sobremesa, arroz doce (o balanço entre input e output de calorias foi, ainda assim, benigno). Vinho tinto e um café bem conversado encerraram essa parte da jornada. Pelo que me detenho aqui.