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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A carol a day keeps the doctor away (XVII)

Há certezas que, por mais consolidadas que as tenhamos, conseguem sempre sair reforçadas. Como esta, hoje confirmada ao ver um mar que ora é de Verão, ora é de Inverno e que nem sempre segue o que dita o calendário. A que agora vivemos é mesmo uma estação maravilhosa.


Andy Williams, It's the most wonderful time of the year
(o vídeo dos estrumpfes quase dava outro Baú das Codornizes...)


It's the most wonderful time of the year
With the kids jingle belling
And everyone telling you "Be of good cheer"
It's the most wonderful time of the year

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Últimos cartuchos

Ontem, numa estrada de ondas, um cheiro a maresia. Permaneceu depois de me ter metido terra adentro. Ocupou-me o nariz, feito um posseiro, até de manhã. Trago-o numa celebração do Verão já extrema-ungido.

Laurent Voulzy, Derniers baisers

Le soleil est plus pâle
Et nous n'irons plus danser
Crois-tu qu'après tout un hiver
Notre amour aura changé?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Resposta a um desafio (no dia certo!)

A Cleo lançou-me há dias dois desafios. Após uma semana mais dura no trabalho, a que se seguiu uma ponte (abençoada!), eis-me a responder. Calhou ser hoje e sinto que não podia haver melhor dia para fazê-lo.

Começo pelo segundo desafio: descrever uma memória numa frase de seis-palavras-seis. A minha frase não é bem frase e a memória que descreve tão-pouco é uma memória. São muitas. Isto porque me veio à cabeça uma sequência de palavaras que arranjei, há anos, para explicar um sentimento que me invadia e invade muitas vezes. Dá-se o feliz acaso de serem seis; aqui ficam, com a imagem do lugar que mas soprou.


a ilha que às vezes sou



Nota: a foto foi tirada no Baleal, a 9 de Maio de 2003, pelo Francisco Leote. Eu vivia em Madrid e foi bom receber estas vagas no centro da árida meseta. Ele vive em Roma e é um amigo de quem tenho saudades.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Nostalgia azul

O Baleal estava sem sol, o Baleal estava sem gente, o Baleal estava sem carros. O Baleal estava sem nada. O Baleal estava lindo, o mar de chumbo, a areia de cobre, the Germans wore grey, you wore blue. Em cinco minutos, mostrámos a um amigo a terra onde tudo. A terra onde nada. A terra onde nado ou nadamos, mas ontem não. Só uma voltinha, só mais um encanto. E um poema dos velhos.

Nostalgia azul


Encontrar um ponto
Atracar num porto
Esperar o sol posto
Inventar um conto
Gozar o conforto
De seres meu encosto

A areia é a ponte
O mar passaporte
Para onde se goste
De estar, é a ponte
A capela, o forte
E tu, onde foste?

Um barco parado
Na praia, indolente
Espera por que chegues
Ali, não lhe negues
O prazer dormente
De o remar ao largo

Se o ontem é amargo
Inspira o ar quente
Deixa que circule
Cheira a mar salgado
Nostalgia azul

Na rota que segues
A ilha é presente,
Atrás é passado

Baleal, 15 Janeiro 1995

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Um poema com dez anos...

...mas que ainda não morreu. É para os leitores do codornizes, que a meio desta noite chegaram aos cinco mil. Parabéns a vocês!

Eu em Valmitão (foto de SK, Outubro 2007)


Contra o poente

Na tarde em que me procuro
a luz bate em janelas ociosas
e há um rio
Como num quadro onde não quis que me pintassem
as elegias tornam-se porosas
e dou-me conta de que o traço é azul

Rumor nas águas
respondem-me às falácias com vertigens
e enchem-me o olhar de curvas em perfeito movimento
como acácias
são sustos nesta ilha que às vezes sou
como eucaliptos

Às vezes eu queria que o tempo não passasse
durmo em céus fragmentados de Monet
entre ocres térreos, nuvens férreas, sons que alguém produz
cresce-me um querer ficar
um deixar-me ir
e um sol mais lento, que este já se pôs

Lisboa, 6 de Março de 1997