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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cair como um patinho nunca soube tão bem


Francamente bom!!!

Herbert Pagani, La bonne franquette


Un picnic en hiver sur une moquette
C'est la faim, c'est la joie, la bonne franquette
Et ça fume et ça boit, ça chante et ça rit
Je peux vivre sans pain, mais pas sans amis!

No piquenique de Inverno que ontem me surpreendeu, qual rosa no meio da rua, não faltou o pão nem faltaram os amigos. Comeu-se, bebeu-se, fumou-se e cantou-se. Amigou-se. Não vou trocar nenhum dos presentes... e não trocava nenhum dos presentes. Os de corpo e os de espírito.

domingo, 16 de março de 2008

Perdoem se insisto...

...mas este tipo era muito bom e revolta-me que quase ninguém se lembre dele. Dei-me conta disso há dias, quando uma entrada em que o incluí suscitou comentários sobre tudo o resto, mas não sobre este génio. Se escrevo "quase ninguém", é porque ainda há quem tenha histórias para contar sobre Herbert Pagani. E histórias que merecem ser lidas.

Pagani nasceu em Trípoli, na Líbia, de família judia. Filho do Mediterrâneo - “T’es comme un livre ouvert, il y a qu’à tourner les plages”, cantava -, andou em miúdo por Itália, Alemanha e França. Eclético nas línguas como nas artes, foi pintor, escultor, poeta e músico. Vendeu quadros a Fellini e ilustrou uma edição do Admirável mundo novo de Huxley. Traduziu Brel, Léo Ferré, Marcel Mouloudj, Barbara e Piaf.

Começou por cantar em italiano, com uma das vozes mais doces que alguma vez me lembro de ter ouvido. Ora, ouçam esta versão do Plat pays de Brel. A Lombardia toma o lugar da Bélgica sem que a letra tenha, curiosamente, de sofrer grandes alterações.


La Lombardia (Jacques Brel/Herbert Pagani)

Italiano, francês, africano, pacifista, humanista, humano, Pagani desenhava as capas dos seus discos e os cenários dos palcos onde actuava - o álbum gravado em Bobino é imperdível. Foi DJ na Rádio Montecarlo e tentou alertar a Unesco para o risco de Veneza naufragar irremediavelmente no pântano (já aqui pus essa música). Anteviu, no inigualável Mégalopolis, muito do que veio a ser o futuro da Europa e do Mundo. Celebrou a amizade que nos liga aos outros - pessoas e não só -, em momentos de partilha eufórica ou simples ocasiões para mitigar a solidão,


La bonne franquette (N. Skoraki/Herbert Pagani)


Berger d'artiste (Herbert Pagani/G. Moraschi)

e o amor, ora feliz e contagiante, vivido em casas que não fecham a porta a ninguém, ora condenado por forças obscuras, mas nunca, nunca rendido.


Chez nous (Vastano/Herbert Pagani)


Le condamné (E. Lombardi/Herbert Pagani)

Pagani era também judeu, porventura dos que mais se destacou na luta por evitar que o Holocausto fosse esquecido (ouçam L'étoile d'or, se tiverem oportunidade). Hoje, é também um ímpeto contra o esquecimento que o traz ao codornizes. A Herbert levou-o, aos 44 anos, uma leucemia. Eu, que tinha 9, lembro-me de o meu pai chegar a casa fulo, porque tinha falado nisto a alguém que lhe respondera: "Paganini? Mas esse não tinha morrido há imensos anos?".

Tinha, pois. Mas Pagani acabara de morrer e, nesse dia, o gira-discos lá de casa e o deck das cassetes foram seus. Agora, que também ele nos deixou "há imensos anos", apetece-me gritar "OUÇAM-NO!" aos que não o conhecem e "LEMBREM-NO!" aos que têm esse privilégio. Espero que uns e outros tenham chegado ao fim desta entrada, a mais longa que já se publicou neste blogue.

terça-feira, 11 de março de 2008

Músicas que ficaram (III)

Mais três discos que marcaram a minha juventude, correspondendo ao pedido da Martini. Vou divulgando a lista por ordem alfabética, o que resultou, neste caso, num trio poliglota. Do Cohen que gosto de ouvir à lareira ao Pagani que já quase ninguém conhece (suprema injustiça!), passando por uma Bethânia que animou - em colaboração estreita com litros de cerveja e vermute - muitos fins de tarde no Baleal. A canção que escolhi tem letra de Manuel Alegre.



Greatest Hits, Leonard Cohen (Suzanne)


Imitação da vida, Maria Bethânia (Meu amor é marinheiro)


Le meilleur de Herbert Pagani,
Herbert Pagani (Concerto pour Venise)

NOTA: Podem ouvir as duas primeiras entregas aqui e aqui.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Apetece-me brindar sem saber bem a quê

E embora não perceba a letra toda da canção, tenho a certeza de que é a esta alegria que quero erguer o meu copo.


Cin cin con gli occhiali, de Herbert Pagani (1968)

Cin cin dai noi siamo speciali,
portiamo gli occhiali, dai vieni con noi.
Cin cin dai il mondo è di tutti,
dei belli e dei brutti, è nostro se vuoi.