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quarta-feira, 29 de julho de 2009

O voo da codorniz (XXXIX)

Paseo del Arte, Madrid, Espanha


Com uma vénia aos dois génios abaixo, que foram o pretexto de mais uma peregrinação. E outra vénia aos mais de 50 que hoje ficaram feridos num atentado da criminosa, estúpida e assassina ETA. ¡No pasarán!


Joaquín Sorolla, Idilio en el mar


Henri Matisse, Intérieur au violon

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Contador a cero, pero no por mucho tiempo...

Inunda-me a certeza de que as sextas-feiras 13 são dias de sorte. Na última que houve, parti para Madrid, de onde volto sempre com vontade de lá ter ficado. Talvez por isso nunca saia da cidade sem antes ter coligido pretextos para voltar. Esta vez não foi excepção, mas não revelo o que trago na mala. Aqui ficam, ao som da música, 13 apontamentos sobre o fim-de-semana que passou. ¡Hasta pronto, Madrid!


Clave de Folk, Adios, Madrid

Adios ilustres tabernas
Adios ricos bodegones



Plaza de Oriente
Francis Bacon, Henrietta Moraes (1966)
Paco Roncero, Tortilla del siglo XXI
Félix Vallotton, Desnudo sobre fondo amarillo (1922)

Parque del Buen Retiro
CowParade
La cure gourmande
Sombrería Casa Yustas
Plaza de Chueca
Bar La panza es primero
El Rastro (foto Alberto Salguero)
CaixaForum
Tarta de membrillo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Y ahí vamos... ¡cero!

Madrid pode ser em todo o lado e todo o lado pode ser Madrid. Reggiani cantaria que Madrid n'est pas en Espagne, tal como Veneza não ficava em Itália). Eu não canto aqui, que canto mal, mas parto para a minha cidade ao som da música, que é língua universar a passar por trás da orelha de quem estiver para ouvi-la. A canção escolhida já andou por este ninho, num momento idêntico, mas os seus autores souberam adaptá-la a qualquer ponto do globo. Ora vejam, ora ouçam...



Mecano, Quédate hoy aquí (ao vivo em Barcelona, 1991)

Con tus orejas en las manos
Voy enseñándole a Van Gogh
Como mejora el resultado
Cuando lo hacen dos

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Se acerca el día... ¡uno!




Lua Extravagante, Lua de papel (de Carlos Salomé)

Quem disse que o amor é como o mel
Será que o céu é só estrelas
e que a lua é de papel

Penso que é como o limão
parte as feridas que me fazes
cá dentro do coração

Vou fazer uma viagem
para me esquecer de ti
Vou para Espanha, ai vou para Madrid...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vaya, un esfuerzo más... ¡dos!




Ketama, Vente pá Madrid

Lagrimas y lagrimas lloro
Porque aquí en Madrid esta lo mejor
Querido primo yo te digo
Vente pa’ Madrid

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

No desesperéis... ¡tres!





Ismael Serrano, Vuelvo a Madrid


Desde lo alto distingo,
entre un mar de luciérnagas,
mi pequeño barrio.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sigue la cuenta atras... ¡cuatro!



Toots Thielemans, Winter in Madrid

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

La cuenta atras ha empezado... ¡siete!

Já falta pouco... o intervalo foi maior do que é costume, maior será a alegria de voltar. Madrid é sempre a mesma, é sempre outra. Mas desta vez vai ser diferente da anterior. E da vez antes dessa (que foi tão boa que inspirou a escolha musical de hoje). Não, agora é diferente. É outra coisa. Outra coisa bem melhor. Vámonos ya!


Ana Vega Toscano y Coro mixto de cámara,
El Madrid de Noviembre


El Madrid de Noviembre,
de hierro y fuego,
el que no admite yugos
de traicioneros

É uma canção dos que resistiam ao avanço do fascismo sobre a cidade, durante a Guerra Civil, entre Outubro de 1936 e Março de 1939. Está aqui pelo título, porque adoro Madrid em Novembro (sobretudo um certo Madrid num certo Novembro), mas também pelos sonhos, pela liberdade, pelo que está bem.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XXVI)

El Puerto de Santa María, Andaluzia, Espanha

Procura-se um sabor de há cinco anos. Imperativo reconhecer aquela esquina, aquela porta, aquela mesa, a travessa onde molho o pão sem que me ralhem. Ansiedade em cada fachada amarelada, em cada pátio aflorado, em cada palmeira a ritmar a avenida, em cada ladrilho a nomear as ruas. Como se houvesse painéis a indicar quantos quilómetros quedam para não-sei-onde, mas sem desvendar as terras a que a estrada conduz. Gargalhadas regateadas. Já lhes perdi a conta e são tantas e faltam tantas...

Ouço "é aqui". Não longe, a deusa Gades, de mão na fronte e seios descobertos, não deixa de olhar em redor. Tão-pouco eu, interrompendo a volta de 360 graus só pelo que ouvi e vi que era certo. Venham do oceano os que o sulcam e da terra as que crescem por ela dentro, abrindo olhinhos com bravura. Venha quem encontrou o que procuro, quem através de outro mar aceita frutos com um sabor de há cinco anos, um sabor para daqui a cinco mil. Venha quem quer que eu tenha sido, ontem, em El Puerto de Santa María. A passar as mãos por raras cãs ou franjas mais ou menos assim. Como se da mistura de umas e outras fosse feita a melena do poeta daqui ou tais filamentos servissem para fabricar as asas de quem ele queria.

Rafael Albertí, El ángel bueno

Vino el que yo quería
el que yo llamaba.
No aquel que barre cielos sin defensas.
luceros sin cabañas,
lunas sin patria,
nieves.
Nieves de esas caídas de una mano,
un nombre,
un sueño,
una frente.
No aquel que a sus cabellos
ató la muerte.
El que yo quería.
Sin arañar los aires,
sin herir hojas ni mover cristales.
Aquel que a sus cabellos
ató el silencio.
Para sin lastimarme,
cavar una ribera de luz dulce en mi pecho
y hacerme el alma navegable.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Hoje disseram-me: Onde quer que me leves serei feliz

A uns sítios levei-te eu,

outros mostraste-mos tu.
E hoje, onde vamos?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Ainda a sonhar...

...depois de quatro dias de sonho. We flew over the rainbow.

Yves Larock, Rise up

My dream is to fly
Over the rainbow so high

Rise up
Don't falling down again

Rise Up
long time I broke the chains.

I try to fly a while so high
Direction sky

segunda-feira, 7 de abril de 2008

San Vicenç de Sarrià

Plaça de San Vicenç de Sarrià, Barcelona (foto PC, Agosto 2005)

Tanta chuva depois de tanto sol trouxe-me saudades de "Barna", dos amigos que lá moram, dos momentos inesquecíveis que lá tenho passado, ora só, ora em boa companhia. Decidi-me, por isso, a terminar um poema começado há sete anos, entre um café do Passeig de Gràcia e uma varanda onde nunca está frio.

San Vicenç de Sarrià

Parecem os mesmos do ano passado,
no mesmo sítio (um ano!) e à mesma hora.
Ela no mesmo tom, que vai embora,
E ele geme e está mais gordo (ou mais delgado?).

Que tenho eu com isto? E porque não
escandir antes o ocre das fachadas,
que dessas há certeza, e as ensaimadas
cheias de açúcar (sacudo-o para o chão)?

Teimosas pálpebras, fiquem caladas!
Se ele chora e ela também, eu canto um fado
Que o santo aplaudirá do pedestal

Pois da montanha ao mar quem desarvora
Há-de voltar, amando, no Mistral
Só para me baralhar a narração.

Barcelona, Fevereiro 2001/Lisboa, Abril 2008

quarta-feira, 19 de março de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XIX)

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch
País de Gales, Reino Unido


Esta terra fica na ilha de Anglésia e é mais pequena do que o nome que tem. As suas 58 letras significam "Igreja de Santa Maria no fundão da avelaneira branca, perto do redemoinho rápido e da igreja de São Tysilio da gruta vermelha". Passei por lá há mais de 20 anos, durante uma viagem em que me interessava, sobretudo, ver as montanhas de Snowdonia, alvo cenário da última aventura que lera d'Os Cinco.

(cliquem para ampliar )

Não me lembro de ter visto igrejas, avelaneiras, redemoinhos ou grutas, fossem elas vermelhas, brancas ou de outra cor... sei que me prendeu, ainda no carro, aquela concatenação de letras difíceis de pronunciar, a profusão de "w" e "y", os extraordinários quatro "llll" seguidos e, sobretudo, a terminação "gogogoch", quase uma insinuação de que tudo aquilo era a gozar, como se estivéssemos num episódio do Britcom.

Não descansei enquanto não decorei o nome daquele lugarejo onde, a bem dizer, não há mais nada que seja digno de nota. Tirámos uma fotografia ao pé de uma tabuleta com o nome da terra - na estação de comboio, se não me engano -, comprámos um postal e lá nos metemos no carro, a repetir aquilo de forma incessante, para martírio dos ouvidos paternos e maternos.

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch... ainda consigo dizer a palavra sem pestanejar, mas lendo-a "à portuguesa", tanto quanto isso é possível. Julgo, porém, que os leitores do codornizes merecem conhecer a pronúncia correcta, em galês, deste vocábulo pouco redondo (carreguem no play), para o qual só me ocorre um adjectivo, ainda por cima "roubado": supercalifragilisticoexpialidoso!

terça-feira, 4 de março de 2008

No porto de Amesterdão

Recentes trocas de comentários neste blogue encheram-me de saudades de Amesterdão, onde perguntei à minha mãe, aos 8 anos, o que é que aquelas senhoras estavam a fazer nas montras... por falta de tempo, não me alongarei hoje em recordações das vezes que ali fui: eis duas versões de um clássico sobre aquela cidade, que é também título de um belo romance de Ian McEwan.


Jacques Brel, Amsterdam


David Bowie, In the port of Amsterdam

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Saudades da Horta

No dia 15 de Fevereiro de 1986, sábado, entre as 12h e as 16h, inesperadamente, aconteceu a maior tempestade deste século nos Açores, em que o vento atingiu velocidades de cerca de 250 km/h. José Henrique Azevedo fez fotografias durante e após a tempestade. As ondas atingiram alturas entre 15 e 20 metros e a rebentação das ondas chegou a atingir os 60 metros. Dois anos depois, querendo mostrar o acontecimento com mais facilidade aos iatistas, José Henrique passou duas das fotografias de diapositivo a papel. Descobriu então que no momento em que tinha tirado uma delas, se tinha formado, na rebentação da onda, uma figura humana (cabelo, olhos, nariz, boca e barba) dando-lhe o nome de “Neptuno na Horta”.

Texto publicado pelo Peter Café Sport - José Henrique Azevedo é o proprietário do bar, filho de José Azevedo "Peter" e neto de Henrique Azevedo, o fundador

Estive duas vezes na ilha do Faial. Deu para conhecê-la de lés a lés - embora fique sempre alguma coisa por ver... -, da paisagem lunar deixada pelo vulcão dos Capelinhos à florida Caldeira, passando por Flamengos, Espalamaca e Varadouro. E pelas igrejas e casas que um terramoto destruiu. Assisti, nesse porto seguro mesmo ao meio da rota do fim, a encontros de navegantes de latitudes distantes. Sentado no Peter's, a escrever postais, vi como um australiano enorme chamava, eufórico, pelo inglês que tivera a simpatia de nos emprestar parte da sua mesa, pedindo apenas em troca um postal escrito pela minha irmã. Não se viam há anos, estes amigos. E foi ali, frente ao Pico em permanente metamorfose e às pinturas que os barcos - também os deles, com certeza - vão deixando no molhe, que se fundiram num abraço há muito ansiado.


Simon and Garfunkel, The Boxer

Ficam duas canções: a que cantei, aos 12 anos, com outros quatro marinheiros de ocasião, percorrendo toda a extensão da marina da Horta, e a que explica na perfeição o que é esta terra, esta ilha, este bar de onde se sai esperando pela próxima vez.


Trovante, Peter's

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Hay tanto mundo que ver

Pablo Picasso, Mujer en el jardín

Instalação de Sáenz de Oiza, Arco2008

Kokotxas de merluza

Terrace-bar Granados 83


Chocolateria San Ginés

Amedeo Modigliani, Nu recostado (1917)

Apetece-me inaugurar a semana com a música que inaugurou este ninho e com o verso que dele se tornou lema. Até porque encontrei uma versão na língua que ouvi e falei nos últimos dois dias - e que adoro. Há muito, muito mundo para ver, até nos sítios onde já fomos repetidas vezes. Prometo volver, Madrid!


Pedro José Sánchez Ramírez, Moon River
(da banda sonora de La mala educación)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Buen fin de semana!

Sarah Wimpering, Madrid windows

Desde Madrid, al Cielo
y desde el Cielo,
una ventanita para ver Madrid

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Consolo em A Coruña

Foto de SK, 4 de Fevereiro de 2008
Ver bem aproveitados, a dar a volta à marginal da cidade, os eléctricos que Lisboa desperdiça (são mesmo eles!).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O voo da codorniz com Google Earth (XIII)

Saint Jean de Luz/Donibane Lohizune, província de Lapurdi, País Basco francês

Uma noite e uma manhã desencontradas, há dois anos. Jantar no último restaurante aberto, como não podia deixar de ser. Axoa d'espelette, vitela tenríssima com uma pimenta que há por ali em résteas lindas, mas caríssimas. Kir basque, com patxarán e txakoli a fazerem as vezes do crème de cassis e do champanhe. Vestígios de neve na rua. Passeio marítimo apenas parcial, porque estava frio. Casas com riscas vermelhas. Ambiente de estância balnear fina, como certa vez nas Astúrias... nem sinais da violência terrorista da Euskadi espanhola, embora Saint Jean de Luz seja um ponto estratégico para os ignóbeis etarras.

Partida tardia rumo a Biarritz, com a quasi-certeza de irmos encontrar fechado o hotel. Confirmada. Motel à beira da estrada, coisa de filme série B. Rimo-nos e ainda fomos para os copos.

Regresso a Donibane depois de encantos em Miarritze e chuva impossível em Bayonne, com o museu do chocolate pelo meio. Feira do artesanato, vinho quente na rua, uma igreja impressionante, miúdos lindos, lojas que até a mim me daban ganas, cachorros quentes cheios de batatas, mais chocolates, de novo a marginal, agora ao comprido. Saudades, a promessa de lá voltarmos num dia de sol. Até podia ser hoje.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Contagem decrescente

Já de partida, mais uma música de Madrid. Numa versão estrangeira, que é para despistar os indesejáveis...


Mecano, Fermati a Madrid, versão italiana de Quédate en Madrid