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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dois abraços para dois arquitectos

A Teresa, que faz anos. E o Tiago, de quem tenho saudades.


Simon & Garfunkel, So long, Frank Lloyd Wright

Architects may come and
Architects may go and
Never change your point of view.

When I run dry
I stop awhile and think of you

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Ainda não é desta que o largo

Já cá pus esta música, mas noutra versão. Hoje repito, porque o assunto pegou-se-me à pele e ainda não consegui livrar-me dele...

Simon and Garfunkel, The sounds of silence - versão de estúdio, com imagens do filme A primeira noite (The Graduate), de Mike Nichols

terça-feira, 6 de maio de 2008

Músicas que ficaram (VII e último)

A ordem alfabética concatena três colossos, chave de ouro para a série musical que a Martini inspirou há mais de dois meses. Temos vindo a divulgá-la a conta-gotas e, para quem não se lembra, o desafio era dizer que músicas nos marcaram na adolescência.

Abrimos o fecho com o concerto mais emblemático de Simon & Garfunkel. Quem não gostaria de ter lá estado? Devia ter 10 anos quando comecei a ouvir este álbum - em casa, em vinil; na rua, em cassete -, que teve o mérito de quebrar a hegemonia beatlesca que havia nas minhas playlists, sem contudo reduzir o apego aos Fab Four, bem entendido. Tive a sorte de ir a concertos de Tom and Jerry ao vivo e o azar de os ter aplaudido por separado. Vi Simon em Alvalade, em 1991, com ritmos brasileiros e africanos a apimentar músicas novas e velhas, e Garfunkel em 1997, no Coliseu, cheio de boa vontade e simpatia, mas a acusar a passagem dos anos. Para hoje, escolhi a minha música preferida deste duo. Sempre gostei de a cantar àqueles de quem gosto, em voz alta ou cá dentro.


The concert in Central Park, Simon and Garfunkel
(Bridge over troubled water)

Prossegue a última entrega com o Sir mais Sir da música da Velha Albion. Reginald Kenneth Dwight, o gajo dos óculos e do piano, que alguém comparou a Mozart, fazendo-me rir até ter visto isto. O homem é genial, vestido de Pato Donald ou com fatos do amigo Versace, em discos históricos como Goodbye Yellow Brick Road ou na banda sonora d'O Rei Leão, e não me importa que por ser fã dele me chamem piroso. Foi mais um dos que tive a sorte de ouvir ao vivo (Alvalade, 1992), num inesquecível Verão quente em que passei o resto das noites a ouvir a faixa que aqui vos deixo.


The very best of Elton John, Elton John
(I guess that's why they call it the blues)

Para o fim, o finzinho mesmo, ficaram os Guns. Quando apareceram, com o álbum duplo que me marcou (a outra capa era azulada), estava este vosso bloguista (e assim permanece) longe de ser o género de menino que deles gostava. Mas gostava. Pela música, não por sentimentos de pertença tribal. Ao ouvir as baladas destes tipos, irritava-me que os conotassem sempre com botas da tropa, moches e arruaceiros de cabelo comprido, por muito que a imagem seja justa. As outras faixas, mais mexidas e cheias de motherfuckers e kick your ass, divertiam-me. Cheguei a saber de cor o discurso hilariante que Axl Rose faz a meio do Get in the ring. Não vi esta malta em Alvalade, nos anos 90, mas vi-os no último Rock in Rio. Velhos, gordos, sem Slash, há dez anos a prometer novo disco sem cumprir, mas ainda assim os Guns 'n' Fuckin' Roses que os meus pais não suportavam no rádio do carro. Pulei, dancei e cantei. E abracei-me a quem de direito ao ouvir este tesouro.


Use your illusion I e II, Guns 'n' Roses
(Don't cry - versão original)

Finda a faena, aqui fica a lista dos álbuns e músicas que marcaram a minha juventude. Ou melhor, dos que o clima e o estado de alma me levaram a escolher no dia em que tal me foi sugerido. Hoje, poderia haver diferenças na lista. Mas nunca seriam de monta.

Abbey Road, The Beatles (Because)
Ainda, Madredeus (Guitarra)
Brothers in arms, Dire Straits (Your latest trick)
Chico e Caetano juntos e ao vivo, Chico Buarque
e Caetano Veloso (Você não entende nada)
Dia de concerto, Rio Grande (Queda do Império)
Filhos da madrugada cantam Zeca Afonso (Canto moço)
Greatest hits, Leonard Cohen (Suzanne)
Imitação da vida, Maria Bethânia (Meu amor é marinheiro)
Le meilleur de Herbert Pagani, Herbert
Pagani (Concerto pour Venise)
Live at Wembley '86, Queen (Bohemian rhapsody)
Moustaki au Dejazet, Georges Moustaki (Le métèque)
Out of time, REM (Losing my religion)
Pano-cru, Sérgio Godinho (Segundo andar direito)
Phados, Lula Pena (Fria claridade)
Próxima estación... Esperanza, Manu Chao (Me gustas tú)
Reggiani en public, Serge Reggiani (Sous le pont Mirabeau/Et puis)
São demais os perigos desta vida, Vinícius
e Toquinho (Regra três)
Sea airs, Rick Wakeman (The sailor's lament)
The concert in Central Park, Simon
and Garfunkel (Bridge over troubled water)
The very best of Elton John, Elton John
(I guess that's why they call it the blues)
Use your illusion I e II, Guns 'n' Roses
(Don't cry - versão original)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Saudades da Horta

No dia 15 de Fevereiro de 1986, sábado, entre as 12h e as 16h, inesperadamente, aconteceu a maior tempestade deste século nos Açores, em que o vento atingiu velocidades de cerca de 250 km/h. José Henrique Azevedo fez fotografias durante e após a tempestade. As ondas atingiram alturas entre 15 e 20 metros e a rebentação das ondas chegou a atingir os 60 metros. Dois anos depois, querendo mostrar o acontecimento com mais facilidade aos iatistas, José Henrique passou duas das fotografias de diapositivo a papel. Descobriu então que no momento em que tinha tirado uma delas, se tinha formado, na rebentação da onda, uma figura humana (cabelo, olhos, nariz, boca e barba) dando-lhe o nome de “Neptuno na Horta”.

Texto publicado pelo Peter Café Sport - José Henrique Azevedo é o proprietário do bar, filho de José Azevedo "Peter" e neto de Henrique Azevedo, o fundador

Estive duas vezes na ilha do Faial. Deu para conhecê-la de lés a lés - embora fique sempre alguma coisa por ver... -, da paisagem lunar deixada pelo vulcão dos Capelinhos à florida Caldeira, passando por Flamengos, Espalamaca e Varadouro. E pelas igrejas e casas que um terramoto destruiu. Assisti, nesse porto seguro mesmo ao meio da rota do fim, a encontros de navegantes de latitudes distantes. Sentado no Peter's, a escrever postais, vi como um australiano enorme chamava, eufórico, pelo inglês que tivera a simpatia de nos emprestar parte da sua mesa, pedindo apenas em troca um postal escrito pela minha irmã. Não se viam há anos, estes amigos. E foi ali, frente ao Pico em permanente metamorfose e às pinturas que os barcos - também os deles, com certeza - vão deixando no molhe, que se fundiram num abraço há muito ansiado.


Simon and Garfunkel, The Boxer

Ficam duas canções: a que cantei, aos 12 anos, com outros quatro marinheiros de ocasião, percorrendo toda a extensão da marina da Horta, e a que explica na perfeição o que é esta terra, esta ilha, este bar de onde se sai esperando pela próxima vez.


Trovante, Peter's

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Certos silêncios

O Bruno lembrou, e bem, como é bom ouvir o som do silêncio. Por já ter saudades de certos silêncios - ou melhor, dos silêncios certos -, por me apetecer muito voltar a Central Park, por gostar de quase tudo quanto esta dupla faz, cantem comigo...


Simon and Garfunkel, Sound of silence
(ao vivo em Central Park, 19 de Setembro de 1981)