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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Courrier Internacional n.º 164




A minha revista chega aos quiosques (todos e mais alguns...) num momento oportuno. Por todo o país se debate a relação entre democracia e jornalismo. Poderá aquela viver sem este? É este o tema que escolhemos para a capa.

Quem comprar esta edição poderá ler ainda o retrato de Elisa Drago, uma jornalista portuguesa residente em França que se tem destacado nas lutas sindicais. Ainda no capítulo nacional, a análise de Le Monde sobre as eleições, uma visita às caves do vinho do Porto e, muito importante, um texto da revista californiana Surfer, uma referência para os amantes das ondas, sobre a praia de Supertubos, em Peniche. Permitam-me destacar a foto do tudo perfeito, captada por Ana Knapič, uma presença assídua neste blogue, cuja voz poderão ouvir a acompanhar a leitura deste meu texto propagandístico.

À volta do mundo, descubra a favela pacificada do Rio, a miséria dos pescadores de Melinde, a Índia para lá de Bollywood, as vicissitudes de Ted Kennedy, a fúria dos índios canadianos, o perigo que ameaça a Beirute histórica e a fantástica mulher do novo primeiro-ministro japonês: Miyuki Hatoyama garante já ter ido a Vénus!

Faça uma pausa na leitura para olhar com atenção para as imagens que João Carlos Santos nos traz de Marrocos. De Fez a Essaouira, do deserto a Chefchaouen, conheça os contrastes deste país vizinho, tantas vezes esquecido.

Passando à economia, o "Financial Times" dá conta dos problemas por que passam as grandes farmacêuticas. Na Venezuela, ressurge a autogestão como modelo para gerir fábricas. E, na secção tecnológica, hackers russos atacam o Multibanco, arqueólogos descobrem virgens sacrificadas no Mississípi e a população de Istambul contesta a construção de uma terceira ponte sobre o Estreito do Bósforo. Já na cultura, o kuduro está em foco, além de um livro sobre a queda do ditador romeno Ceausescu, em 1989.

Duas reportagens de fundo levam-nos às zonas mais violentas da Ucrânia e ao paupérrimo Haiti. E se a viagem do mês é ao doce e tranquilo Belize (sabe onde fica?), igualmente atraente é a proposta culinária: a revista indiana "Uppercrust" ensina a converter o bíblico sabor do mel numa salada ou numa bebida, conforme o gosto. Para terminar, os imprescindíveis insólitos e uma reflexão do escritor egípcio Alaa Al-Aswany sobre Ocidente e Islão.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A última loucura do Ano Velho


Baleal, 31 Dezembro 2008



Cinzento-mar?
Cinzento-céu?
Cinzento-nuvem?
Cinzento-chuva?
Cinzento-onda?
Cinzento-areia?


Cinzento-mergulho!


Baleal, 1 Janeiro 2009

Estes three little birds ou mais ficaram a ver da rocha, mas houve quem me acompanhasse no ritual. Sem desvendar o corpo de tão encantadora sereia, partilho convosco o canto da mesma, para que vos deixeis levar. O ano está a começar tão bem que apetece dizer: Every little thing is gonna be alright!




Ana Knapič, Three little birds

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Se eu soubesse, dizia-te


Se eu voar sem saber onde vou
Se eu andar sem conhecer quem sou
Se eu falar e a voz soar com a manhã
eu sei...

Vincent van Gogh, Esplanada do café à noite
(Arles, 1888)

Sei que dás por ti a meio do voo e, à falta de melhor conselho, digo-te que esqueças as vertigens. Intuo a tentação de não desceres à Terra entre cada duas nuvens e prometo não franzir o sobrolho julgador. Engulo o arrepio egoísta de não poder dizer se te reservam liras ou trovoadas, chuva ou algodão-doce. Guarda o pára-quedas para outros abismos, na verdade, porque não hás-de continuar a voar, sem mais fim que descobrir o destino do voo?

É quase, verás, como as caminhadas em que me lanço ao deus-dará. Deixo aos pés a condução e acho sempre que vou perceber onde a vida me leva. Às vezes distraio-me a tentar ler o desenho que algum avião ou criatura voadora faz no céu e trauteio aquela canção do Reggiani, que não conheces. Daí, talvez te prenda a atenção o contorno que os meus passos esboçam nas superfícies irregulares que calcorreio. Lembras-te dos livros de passatempos de quando éramos miúdos: una os pontos? Se adivinhares o que é, diz qualquer coisa.

Sei que falas sem saber a que vai soar a voz. Tenho de recordá-lo constantemente à sobrancelha teimosa e a mais do que um coração. Não tem de vir na manhã o teu momento de glória (desde que venha!), já partilhámos minutos pouco memoráveis à mesa dos cafés. Rio sem parar de noites que foram tuas, de destrinçar no teu rosto os rubores distintos dos copos e da história que eles promoveram ou tentaram apagar. Rio quando os nossos dias têm sabor, porque gosto do que acontece em ti.

Banda sonora adicional: A mesma música pela Sara Tavares (num belíssimo blogue), a que gostava que conhecesses e uma que quem tiver de perceber percebe.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ainda Lisboa

A bela e o monstro (SK e Adamastor by PC)
Na Escola Primária, era costume pedirem-nos composições sobre "o que fiz nas férias" ou "no fim-de-semana" (alternativas ao igualmente popular "o que quero ser quando for grande"). E lá contávamos as aventuras, as brincadeiras, os passeios. Esta semana, inverteu-se-me esse esquema: um passeio pela cidade foi antecedido por um texto sobre o que me apetecia, que afinal mais parece um relato a posteriori. Chamou-me a atenção para isto uma das três tágides que me acompanharam por Lisboa abaixo. Troque-se o Pavilhão Chinês pelo Noobai e o resto foi como escrevi. Muito graças a este trio, que tenho vontade de reunir numa entrada do codornizes.


Ana Knapič, Encontrar (letra de Filipa Knapič)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Por isto vale a pena chorar

Por ouvir uma amiga cantar, deitei uma lágrima. Partilho a música convosco. Foi no mês passado, na Capela do Rato. Eu estava mesmo por baixo do coro, mas a voz da Ana parecia vir ainda mais de cima, lá de onde dizem que cantam as vozes que nunca tive a graça de ouvir. Obrigado, miúda. Por ora, basta-me a tua.

Ana Knapič, Amazing Grace
NOTA: A imagem é um pormenor de um quadro de Amadeo de Souza Cardoso

sábado, 1 de dezembro de 2007

Amor na voz

As promessas são para cumprir... serve isto para dizer que, como anunciei, o codornizes tem a honra e o prazer de apresentar a voz e o talento de Ana Knapič. Também ela uma promessa que queremos ver cabalmente cumprida na música portuguesa, na vida, no amor. A canção é Palpite, composta por Adriana Calcanhotto, mas também cantada por Vanessa Rangel e Ana Carolina. E, já agora, por Ana Knapič!
Nota: O Natal instala-se no codornizes... entrou pelo cabeçalho, mas vai chegar à música, às imagens e aos textos. Aceitamos colaborações e sugestões. Boas festas!