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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A última loucura do Ano Velho


Baleal, 31 Dezembro 2008



Cinzento-mar?
Cinzento-céu?
Cinzento-nuvem?
Cinzento-chuva?
Cinzento-onda?
Cinzento-areia?


Cinzento-mergulho!


Baleal, 1 Janeiro 2009

Estes three little birds ou mais ficaram a ver da rocha, mas houve quem me acompanhasse no ritual. Sem desvendar o corpo de tão encantadora sereia, partilho convosco o canto da mesma, para que vos deixeis levar. O ano está a começar tão bem que apetece dizer: Every little thing is gonna be alright!




Ana Knapič, Three little birds

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mão d'Água

Baleal, 17 Dezembro 2006 (PC)

Voltámos à sopa primitiva. Um pé na areia, depressa descalço, depressa submerso com o resto do corpo. Porque o princípio foi aqui e foi assim desde o princípio. À sempre comoção do regresso colou-se-nos a comoção inédita da estreia de um de nós. Que não levou, por frágil, o costumeiro carolo dos caloiros. Antes lhe passei uma mão pelo pêlo: gelada do mar, quentinha da ternura salgada que pus no passar, morninha da mão doce que repetiu o gesto antes de agarrar a minha. Fomos felizes.

Georg Friedrich Händel, Música aquática
(sei que gostas... foi das primeiras que ouviste)

domingo, 30 de dezembro de 2007

Banho catártico


Já está. Fez doer os ossos, mas soube bem. O meu banho de Ano Novo (que às vezes, como desta, é de Ano Velho) foi no Baleal, num dia de sol a autorizar a manga curta, embora o mar fizesse jus à fama glacial que se lhe cola. Por entre surfistas de todos os tamanhos e idades, deslizava um caiaque aventureiro. Sem fato, só eu. Mergulho efémero, com passeio às Pedras Muitas como aperitivo, e um doce largartear ao sol, no pátio, como digestivo. A redenção final foi na banheira...

O ritual voltou, assim, à ilha que o acolheu durante muitos anos de adolescência. Era quase sempre às cinco da manhã do dia 1, com quantidades de comida no bucho e álcool no sangue a desaconselhar tal loucura. Nessa altura, éramos vários a cometê-la, por vezes au naturel. Nos últimos tempos, tornou-se um acto solitário, embora acompanhado por um olhar solidário. Azul, como o mar. Verde, como o mar. Cinzento, como o mar. Depende das marés e do céu.

No ano passado, dei este mergulho numa praia horrível de Marbelha cujo nome já esqueci. Há dois anos, na Concha de San Sebastián, num repente, com restos de neve sobre a areia. Riazor, na Corunha, e a mediterrânica Barceloneta também se revelaram excelentes anfitriãs. Mas em nenhuma tive a sensação de regresso à sopa primitiva que o Baleal me dá. A vida renasce, como o ano. E os ritos vão-se repetindo e renovando.