quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O ninho faz um ano!!!


A Terra deu uma volta ao Sol desde que o ninho nasceu. Nunca esperei, mas suponho que deva dizer alguma coisa. Recordemos o dia 8 de Outubro de 2007...

Não há um programa muito definido, mas este espaço vai servir para mostrar coisas novas e velhas, em rubricas fixas e móveis. Anima-me a vontade de não deixar que o tempo nos passe ao lado. Ou que a rotina contamine os tempos mortos e mate os tempos vivos.

Foi assim que o codornizes se apresentou, há um ano, sem saber bem ao que vinha. Ainda não sabe, mas penso poder dizer que tem cumprido o tal programa indefinido. Por aqui têm passado os bocados de vida que me vai apetecendo partilhar. Não sei se os melhores, sei que certamente não todos. Há uns que são só para mim ou, quando muito, para um grupo íntimo de privilegiados... ainda assim, pousei neste blogue 356 vezes, quase uma por cada dia do ano ora assinalado. O que deve querer dizer que tenho mais coisas a partilhar do que julgava antes de ter entrado nesta brincadeira.

Porque é exactamente disso que se trata: de uma brincadeira. Que é feita a sério e dá trabalho, mas não se leva demasiado a sério – isso é para a vida em carne e osso e, mesmo assim, com conta, peso e medida. Na blogosfera, a ideia é mais divertirmo-nos. E divertirmos mais alguém, se para tal chegarem engenho e arte.

A festa está aqui e é mais uma brincadeira: cada palavra deste texto é um portal para uma entrada do codornizes. Estão cá todas, todinhas! A ideia é visitá-las ao calhas. Ainda farão sentido? E os comentários que cá foram deixados, e que tanto as enriqueceram? Convido-vos a reler um ano de ninho, ao sabor do clique (consertei, para tal, todos os links perdidos).

Experimentei isto ontem e asseguro-vos que passei um bom bocado. Por isso, força! Mesmo que a coisa tenha sido escrita há muito tempo, sintam-se sempre à vontade para acrescentar qualquer coisinha. Eu prometo responder... Um ano de codornizes é caso para dizer: Parabéns, leitores. E muito obrigado a todos!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Nymphéas

Claude Monet, Nymphéas
(Musée de l'Orangerie, Paris)

Les nymphéas que font pousser
Les pinceaux de Monsieur Monet
Ont bien le goût de ta beauté
Qu'on cherche à de tout protéger

Paris, 8 Dezembro 2000

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Talvez mais à segunda-feira


REM, Everybody hurts (ouvido pela primeira vez
no Luxemburgo, há muitos anos... thanks, Tia!)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cais das Codornizes (XIV)

O cais faz um ano. Parece mentira... mas é verdade e, porque o é, apetece-nos festejar. A banda sonora não podia ser mais apropriada. É de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos e merece vozes à altura da música e da letra, preciosas. A Sofia oferece-vos Elis Regina, o Pedro escolheu o próprio Milton com Simone. Liguem o player e que cada um invente o cais onde gostaria de deitar âncora!


Milton Nascimento e Simone, Cais

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Quase toda a gente, um dia...


Nina Simone, Please don't let me be misunderstood

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Courrier Internacional n.º 152


Saiu hoje o número de Outubro do Courrier Internacional. A capa é dedicada àqueles que nem dão pelas crises económicas e financeiras que o mundo atravessa. Os que têm dinheiro para comprar as obras de Damien Hirst (conhecido por conservar tubarões, bezerros, zebras, porcos e ovelhas em formol), entre as quais se encontra a caveira que sorri aos leitores da revista. É toda ela incrustrada om 8601 diamantes, vale 50 milhões de libras (63 milhões de euros) e chama-se For the love of God, expressão utilizada pela mãe do artista britânico ao olhar para a peça em causa.

Além dos ricos, a edição n.º 152 traz reportagens sobre Frýdlant (República Checa), onde Franz Kafka terá encontrado a inspiração para o romance O castelo, e Czernowitz, localidade ucraniana que os judeus inundaram de cultura. Quem tiver curiosidade em saber o que move um terrorista suicida pode ler uma entrevista com Shifa al-Qudsi, que quis sê-lo um dia, mas hoje defende a paz e o diálogo. As cartas de Mariana Alcoforado, o negócio da água engarrafada e a dificuldade dos pássaros das cidades em fazerem-se ouvir são outros assuntos abordados, num número em que também fala Paul Ekman, perito em detecção de mentiras. E o portefólio deste mês mergulha-nos no Oceano Índico, cheio de formas e cores admiráveis.

Se isto não chega para vos fazer correr até ao quiosque, fiquem a saber que a secção multimédia é dedicada a uma nova BD indiana, de que vos recomendo esta amostra. Vá, contribuam para o sustento deste vosso bloguista!



Pink Floyd, Money

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Blogues à quinta (XX)

O meu caisEdição especial de uma rubrica que tem estado ausente. Chegámos aos 20 blogues! A escolha desta semana é deliciosamente parcial, mas teve um critério objectivo: há muito tempo que a dona do blogue não protesta por aquele ainda não ter sido contemplada. Só por isso, já merece aqui estar.

Por isso e por muito mais. O cais da Sofia K. tem a imagem de marca mais bonita da blogosfera (foto do cais com mar muito azul). Nasceu uma semana antes do codornizes e prometeu ser o lugar onde tudo chega e de onde tudo parte. E foi mesmo daquele blogue que partiu a inspiração para a criação deste. Ah, só para concluir a declaração de interesses, aquela bloguista é a outra metade da vida deste...

Este blogue capta tudo com muita atenção: paisagens, sons, aromas, palavras. Presenteia-nos com canções e poemas de outros, mas é quando mostra a sua lavra que mais dá gosto lê-lo, a sério. Mesmo a sério. Acreditem! E confirmem. Que tal?

São bocadinhos da vida da autora (com adequado equilíbrio entre exposição e contenção), capazes da dar mais vida aos instantes em que os partilhamos. Somados, formam um cais seguro, de madeira "que ginga mas não cai", como um dia escreveu um dos seus comentadores. É bom de aportar.

Viajando agora, como é hábito, pelas últimas ondas que bateram no molhe, temos uma música ternurenta, as boas-vindas da estação, o fim das férias, apontamentos sobre tempo e estrelas de amizade. Um único reparo: isto merecia ter tido continuidade! Por fim, e porque este blogue desperta em mim recordações muito queridas e saudades de amigos que já cá não estão, chamo a atenção para a seguinte trilogia: I, II, III.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O voo invejoso da codorniz (XXXII)

Avenue des Champs-Élysées, Paris, França

Que os quatro que por lá andam respirem bem a cidade. Que este que cá ficou a roer-se possa fazê-lo um destes dias. E que não tarde a encomenda, que só podia vir dali.

Joe Dassin, Aux Champs-Élysées
NOTA: Mais Paris no codornizes aqui, ali e acoli.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Esse negócio de equinócio

Virgínia Cordeiro Barros, Outono (pastel)

Chamam a este tempo singular "queda da folha". É o fall dos americanos, estação de neuras que alguém fará o favor de dizer se são pós-estivais ou pré-invernais. Diz que é por agora que mais cabelo cai e mais gente se mata... mas chamam-lhe também Outono, que vem de autumnus, palavra latina cujo radical aut- se associa ao gótico aud-, ao saxão ōt-, ao inglês arcaico ēat-. Todos eles significam "próspero, rico e feliz".

Escolher o quê? A explosão de ocres que já aí anda e que um dia gostava de ver na Nova Inglaterra - tão do agrado da autora desta pintura e minha querida Tia - ou a vasta gama de cinzentos que vai anexando o céu? A primeira chuva é bálsamo purificador ou balde de água fria num corpo ainda rescendendo a sol de Verão? Será o maior recolhimento triste sintoma de menos luz ou ocasião para gozar compotas, cereais e vinho?

Dois consolos: a dialéctica não é estrita e nem sempre o ónus da escolha recai sobre nós. Se houve anos em que só a contragosto troquei o gelado de pau pela pêra-rocha e em que o abraço amigo de uma camisola me soube a asfixia, outros vivi - como o corrente - em que nem toda a força de vontade do mundo posta ao serviço de um absurdo desejo de estar triste o lograria.



Les cowboys fringants, Toune d'Automne


Anyway chu content que tu r'viennes
T'arrives en même temps qu'l'automne

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Baú das codornizes (XI)


Falta uma lua...

e a mim apetecia-me fazer como a vaca!

NOTA: Na imagem, a canção de embalar Hey Diddle Diddle, do livro Mother Goose, com ilustrações de William Wallace Denslow (pode ser descarregado aqui)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Há amigos que percebem quase tudo

Como o Tiago, a quem deverão ser dirigidos elogios (seguramente) ou reclamações (tenho sérias dúvidas) a propósito do seguinte vídeo. Um abraço, caríssimo, para te acompanhar por longas ruas ventosas.
The Beatles, The long and winding road

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Últimos cartuchos

Ontem, numa estrada de ondas, um cheiro a maresia. Permaneceu depois de me ter metido terra adentro. Ocupou-me o nariz, feito um posseiro, até de manhã. Trago-o numa celebração do Verão já extrema-ungido.

Laurent Voulzy, Derniers baisers

Le soleil est plus pâle
Et nous n'irons plus danser
Crois-tu qu'après tout un hiver
Notre amour aura changé?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Para dois amigos


Prata (Ag): elemento 47 da Tabela Periódica (grupo 11, período 5, bloco d). Metal de transição, peso atómico 107,8682 g·mol−1, densidade 10,49 g·cm−3, ponto de fusão 961,78ºC, ponto de ebulição 2162ºC


Valor: inestimável


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Admissão de cansaço


Tina Turner, I don't wanna fight

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Codornizes desorientadas


Vem cá parar cada maluco... chegam aqui à procura das coisas mais estranhas, mas são todos bem-vindos. Quanto mais não seja pelas gargalhadas que me proporcionam, via Statcounter.

a palavra gulda vem da onde?
E vai pa onde? É que no dicionário não consta...

como faço para esticar o cabeçalho do meu blogspot
Já ouvi chamar-lhe coisas piores. Ora, experimente um certo comprimidinho azul, que dizem que faz milagres.

decoraçao de natal shoping monet santa maria
Acho cedo para pensar na quadra natalícia, mas aprecio o estilo festividade-fusão.

nomes em ingles de cavalos
Assim de repente, lembro-me do Jolly Jumper, do Silver e da fabulosa cena do My fair lady (outra paixão), em que damas de leque e chapéu desmaiam quando Eliza Doolittle diz «Come on, Dover, move that bloomin' ass!»

ojos arriba chocolate
Mentira. Fartei-me de olhar para arriba e só obtive risos dos colegas de trabalho. Não se faz!

palavras da canção eu vou a todas
Já nem me lembrava que o ilustre José Malhoa passou por este blogue... e sim, até sei o refrão, ou não fosse fã das festas do Toxofal, Ferrel e Atalaia: Quando a festa começar / E se tu fores o meu par / Eu vou a todas. As músicas, claro. Há outra versão, mais porca, mas não digo.

pedro abrunhosa e aleluia
Quéisto? Um concurso para encontrar uma interpretação mais rouca do que a do Cohen?

poema para dez anos de casamento
poema sobre espirito olimpico
poemas sobre a infância de uma adolescente

Mas isto agora é um quiosque poético ou quê? Querem um soneto sobre o espírito olímpico que é preciso para aguentar dez anos de casamento, mantendo o adolescente que somos e toda a inocência da infância? F*ck off!

relações de animais com escama
Nem vou entrar nesta. Prefiro peles mais macias.

tatiana codorniz
Era um nome giro para uma mascote deste blogue. Já a imagino a dar à cauda, cantando José Malhoa...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O voo da codorniz (XXXI)

Paço d'Arcos, Portugal

É das baías mais queridas que conheço. Os barquinhos de pesca, o pequeno areal, as árvores, Lisboa ao fundo. O repuxo dispensava-se, mas também não chateia. Amigo da Marginal, passo por aqui vezes sem conta. Gosto mais ao fim da tarde.

À vila propriamente dita ia em miúdo, a casa de uma tia, numa rua que depois mudou de nome. Ainda me lembro do número de telefone. Um dia, da varanda, vimos um veleiro que encalhara no Bugio. Outro dia, provei raclettes. E comi Nucrema.

Estive muito tempo sem pôr os pés nesta terra. Passava de carro e, não fora o paço dos arcos - amarelo e velhinho, quem cuida dele? -, nem me lembraria do seu nome. A baía era bonita e bastava. Até que a vida profissional me trouxe de volta, há três anos e meio. Não trabalho ao pé do mar, mas vejo-o da janela, por trás dos prédios feios que algum autarca-modelo deixou construir. Os prédios onde ficam uma farmácia, um multibanco, um supermercado e até uma repartição de finanças a que já me habituei. A estrada que percorro, quase todos os dias, vindo da estação de comboio, onde um letreiro impediria - caso fosse preciso - que me esquecesse do nome deste lugar.

Paço d'Arcos faz, de novo, parte da minha vida. As vivendas, o café dos Queques da Linha, a Escola Primária que o Governo quer fechar, o cão que às vezes me faz saltar, o comboio-fantasma do Isaltino, caríssimo e sempre vazio, o mercado e a estação de correios são elementos da paisagem do meu quotidiano. Desde que aqui estou, até o quartel dos bombeiros já mudou de sítio. Como não desenvolver sentimentos de pertença?

Ontem estive, pela terceira vez, nas Festas do Senhor Jesus dos Navegantes, em Paço d'Arcos. O jardim que se vê na imagem fica pejado de barracas de feirantes, quiosques de caipirinhas (e caipiroskas, ou até caipivinhos!), cachorros e farturas. Com música surpreendentemente boa em pano de fundo, passase um bom fim de tarde no final do Verão. Não andei no carrossel, mas comprei dois belos livros, comi uma bifana deliciosa, passeei, namorei a baía e não só e fui feliz. E lá somei esta à longa lista das terras a que chamo minhas...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Courrier Internacional n.º 151

Em dia de regresso ao trabalho, façamos um pouco de publicidade: o número de Setembro da minha revista está disponível desde sexta-feira. Este mês dedicamos a capa à procura de civilizações extraterrestres. A existirem alienígenas, dizem os peritos, serão completamente diferentes daquilo que imaginamos... outros temas em destaque são o bairro lisboeta de Santos, destino cada vez mais in, a candidatura do comediante Al Franken ao Senado americano, as manifestações dos frades franciscanos de Toulouse contra as desumanas condições de detenção dos imigrantes ilegais e a prostituição na ilha de Java. Leiam ainda um ensaio do italiano Edmondo Berselli contra o actual estado da televisão, um périplo pela história do povo cigano, uma reportagem sobre o negócio dos produtos halal e uma receita de gelado de alfazema. E vejam fotos sobre como se faz um monge na Tailândia. Tudo isto no Courrier Internacional. Depois digam se gostaram!



Joe Satriani, Surfing with the alien

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Não dizem nada? Levam mais!

Amuado com os leitores do codornizes, que brindaram a minha última e emocionada entrada com um ensurdecedor silêncio (já lá andámos...), atiro-lhes mais do mesmo. Eis mais uma canção do novo disco dos fantásticos La oreja de Van Gogh, que leva no título o dia da semana por que anseio. Aquele em que começam as minhas férias. Até Setembro!

La oreja de Van Gogh, Jueves

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O regresso da orelha

Os meus espanhóis-pirosos-preferidos (quase triplo pleonasmo...) resolveram a crise que os atormentava. Amaia Montero quis ir embora? Rainha morta, rainha posta: a vocalista passa a ser Leire Martínez. Este é o primeiro teledisco em que entra, do álbum ainda inédito A las 5 en el Astoria. O estilo... bom, mantém-se mais ou menos o mesmo. MAS EU GOSTO!


La oreja de van Gogh, El último vals

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quando eu era adolescente e o Verão era só despreocupação, escrevia coisas assim...

PC, 10 Maio 2008

Agosto

Dois passos
Na areia molhada
O mar que te molha os pés
A cadência
Marcada pelas marés
Levam-te sem saber
A não saber onde andas
A andar sem saberes quem és

Dois golos
Na cerveja gelada
O mar cantando uma canção
O desejo
De tocar naquela mão
Levam-te a viver
Como se afinal a vida
Fosse uma noite de Verão


Baleal, 31 Agosto 1995

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Pode o silêncio ser heróico?

Heroes del Silencio, Entre dos tierras

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Mais uma achega


Club Silencio e Llorando, in Mulholland Dr., de David Lynch (Naomi Watts, Laura Elena Harring, Richard Green, Conte Candoli, Cori Glazer, Rebekah del Río)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O voo da codorniz (XXX)

Vulcão dos Capelinhos, Faial, Açores, Portugal

Um lugar de silêncio. Desculpem, pensei que já se tinha ido embora, mas não.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Ainda não é desta que o largo

Já cá pus esta música, mas noutra versão. Hoje repito, porque o assunto pegou-se-me à pele e ainda não consegui livrar-me dele...

Simon and Garfunkel, The sounds of silence - versão de estúdio, com imagens do filme A primeira noite (The Graduate), de Mike Nichols

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Depois de três dias de silêncio

4'33'', de John Cage

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Pirosice roubada

Friends are flowers in the garden of life

Queen, You're my best friend

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Courrier Internacional n.º 150



Os números redondos valem o que valem, mas este tem um gosto especial. Está ao vosso dispor, a partir de hoje, a edição de Agosto do Courrier Internacional. Em destaque, as mudanças por que passou a vida a dois: são muitas, mas não chegam! Em mês de Jogos Olímpicos, a revista dá a conhecer os torneios de Nemea, que nos levam de volta à Grécia Antiga, e explica porque é que os islandeses são o povo mais feliz do mundo. Tempo ainda para ler as opiniões de peritos sobre a real força da Al-Qaeda e a extraordinária história do jornalista que descobriu que a namorada era... uma mercenária a soldo da guerrilha colombiana de extrema-direita. Já que é Verão, passeemos pela praia, mas em Gaza. E, a não perder, uma sugestão gastronómica para quem tiver estômago: há um restaurante em Pequim que só serve pratos à base de testículos e pénis dos mais variados animais.


Serge Reggiani, Le vieux couple

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Convenhamos que são bons!

Uma canção dedicada a duas fiéis leitoras do codornizes. A Tia Bicas, que ouviu estes senhores, ontem, na Casa da Música; e a Martini, que terá o mesmo prazer, esta noite, na Cidadela de Cascais. Todos três trocámos, nos últimos dias, palavras a propósito de outro concerto. Foi daí que surgiu a referência aos Kings of Convenience, que não verei ao vivo, porque não dá para ir a todas...


Kings of Convenience, Weight of my words

There are very many things
I would like to say to you,
but I've lost my way
and I've lost my words

There are very many places
I would like to go,
but I can't find the key
to open my door

The weight of my words
you can't feel it anymore
The weight of my words
you can't feel it anymore

There are very many ways
I would like to break the spell
you've cast upon me
'Cause all the time
I sacrificed myself
to make you want me,
has made you haunt me

The weight of my words
you can't feel it anymore

terça-feira, 22 de julho de 2008

É só um cliquezinho...


OK, não é só. É preciso ir ao site da Super Bock, fazer login, procurar o codornizes na secção de blogues pessoais e deixar lá um votozinho. Mas, se o fizerem, ficarei eternamente grato... pode ser?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Thank you, friend

Retribuo, sir, o tratamento que usou para se nos dirigir. Não levo a mal a ausência da famosa gabardina azul - que teria feito, não obstante, as delícias da queridíssima M., e ela merecia -, percebo que esteja até ao último cabelo grisalho de contar o blowjob que a Joplin lhe fez na unmade bed do Chelsea Hotel, compreendo que não se queira chamuscar de novo nas chamas que perseguem Joana d'Arc. Playlist quasi-perfeita.

A noite, que ainda o não era quando nos lançou o convite para dançar até ao fim do amor, tomando valsas, baladas, hinos e diatribes como um pássaro na corda bamba, foi suave, intensa, classy e emocionante. Opinião unânime entre os onze que acabámos pos ser (uns usaram palavras, outros gestos, à falta delas). E dos outros 8989, suponho. De um lado, o sol a inclinar-se cada vez mais. Do outro, a torre da doca, num ângulo imutável e tão elegante quanto os requebros ocasionais de V. Ex.ª, enquanto ia levitando gerações.

Supérfluos todos os agoiros relativos ao recinto e à acústica (mea maxima culpa. Risíveis os tocantes à sua forma física, friend, à voz que enleva, às putativas comparações com visitas de há décadas e cuja memória haveria, dizem, que preservar (nisto nunca alinho e até acho um bocado pedante). Foram excelentes, toda a gente sabe, que dúvida cabe? Já aqui contei a birra que fiz por não ter podido ir ao Coliseu... mas, ainda a confirmar-se a infirmada possibilidade de o senhor já não estar à altura, esquecer-se-ia alguém de noites passadas? Deixaria esta de ser memorável?

Cantámos. Unimos as vozes e o fôlego, para irritação de um indivíduo a quem tive de explicar que, para ouvir os artistas sem um belisco, é melhor ficar em casa e pôr um disco. As letras - belas e nada fáceis - vinham ter connosco. E @ parceir@ do lado servia de ponto ou cábula.

Dançámos. Com violinos em chamas, do alto da torre da canção - que já não sei se fica em Manhattan ou Berlim - à capela de Nossa Senhora do Porto, passando pelas democracias do futuro e cruzando-nos com a mulher do cigano, que nos garantiu não haver cura para o amor.

Ficaram-lhe bem, caro poeta, a simpatia para com o público e a deferência para com os que pisaram o seu palco. Exímios instrumentistas, angélicas meninas de coro, munidas de harpa e tudo. Os encores também foram bem escolhidos, e ninguém contestará que a canção bíblica (do Livro de Rute) é uma maneira de dizer adeus... isto admitindo que exista uma forma ideal de nos despedirmos de si, colocando a hipótese académica de que pudesse haver um voto contra num referendo ao público para saber quem queria que as três horas com que nos brindou se alargassem para quatro ou cinco...

...obrigado, Leonard. Valeu a pena esperar 20 anos.

Para uns recordarem e outros se consolarem, aqui fica o alinhamento de sábado passado, com vídeos da digressão que passou por Algés. A negro, filmes do nosso concerto.

Primeira parte


Primeiro encore

Terceiro encore

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bem-vindo!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Que tudo esteja realmente no coração


Fáfá de Belém, Coração Aprendiz


O que se ensina a um coração aprendiz? Há quatro cavidades tão perfeitas que estremecemos perante o desafio de preenchê-las. A boca altera-se sem pensar, com os lábios a reproduzirem, no sentido ascendente, a curva do arco aórtico, que há-de conduzir ao resto do corpo o que escolhermos para recheio desse brinquedo de corda. Amor, talvez? Amor, decerto, e algo mais, a fazer tinir uma canção de embalar que dite o ritmo do seu batimento.

Imagem da Anatomia de Gray

António Gedeão, Poema do coração
Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas (a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz nos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

quarta-feira, 16 de julho de 2008

O voo da codorniz (XXIX)

Lake Disappointment, Austrália

É um lago salgado que nem sempre existe. Quando existe, fica numa zona perdida da Austrália Ocidental. Foi baptizado por Frank Hann, que o descobriu em 1897. Chegou lá guiado por pequenos regatos e na esperança de encontrar um enorme lago de água fresca. Vivem lá muitas espécies de aves aquáticas. Nunca lá fui. Ou já?

Nota: Imagem captada pelo satélite Terra, da NASA

terça-feira, 15 de julho de 2008

Pequena valsa lisboeta

Junho de 1988. Era miúdo, tinha 9 anos e queria ir ao Coliseu. Mas não tinha idade.

- Não fiques triste, tens muito tempo para ver o Leonard Cohen quando fores crescido!
- Claro, Mãe, quando ele cá vier outra vez e já só cantar "ay, ay, ay, ay, estou tão velho que não me aguento"!
- (risos)

Triste? Fiquei lixado! Felizmente, o homem durou mais do que minhas previsões de puto amuado. Passados 20 anos, aí está Leonard Norman Cohen, em plena forma, dentro de cinco dias. Como tínhamos pedido.

Como que a dar sentido à espera, desvendaram-me há meses (mas antes de saber que ele cá vinha!) uma curiosidade sobre a minha canção preferida de Leonard Cohen, a tal cujo refrão usara na resposta agastada de há duas décadas. Chama-se Take this waltz e - foi esta a revelação, via cara-metade - é um poema de Federico García Lorca, que Cohen demorou 150 horas a traduzir. Aliança perfeita entre dois poetas, sendo tal a admiração do canadiano pelo espanhol que chamou à sua única filha... Lorca.

É uma música que cantei e dancei mil vezes, mas que nunca apareceu no codornizes. Nesta entrada, há um link para a interpretação de Cohen (encontrem-no!). E, abaixo, fica uma versão dúplice: é cover, porque quem canta é o filho de Leonard, Adam. Mas é original, porque a letra é a castelhana que Federico escreveu no seu Poeta en Nueva York. Sugiro que a ouçam e leiam como quem enceta uma contagem decrescente...

Adam Cohen, Toma este vals


Federico García Lorca, Pequeño vals vienés

En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha
Hay un salón con mil ventanas

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals con la boca cerrada

Este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar

Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals de quebrada cintura

En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos,
Hay una muerte para piano,
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados
Hay frescas guirnaldas de llanto

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals que se muere en mis brazos

Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente

Ay, ay, ay, ay,
Toma este vals del 'te quiero siempre'

En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga cabeza de río.
Mira que orillas tengo de jacintos
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Jogos florais

Belém, 19 Maio 2008

Eu: Os agapantos queriam ser
jacarandás, mas não cresceram.


Tu: E os jacarandás adoravam
durar tanto como os agapantos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Mais uma história das que por aqui se contam

Da primeira vez que me falaram desta miúda e me mostraram esta canção, percebi mal o nome. Pensei que a Belinda Carlisle tinha ressuscitado, e desta vez com boa voz. Hoje, tendo recebido a mesma faixa num e-mail do Manuel Teixeira, percebi que não. E ainda bem. Brandi Carlile é melhor do que a quasi-homónima. Revelou-se-nos com esta story, em boa hora associada - via TV - a duas coisas de que gosto: cerveja Super Bock e A anatomia de Grey. Faz sentido metê-la no blogue. É para contar histórias, afinal, que este ninho serve.


Brandi Carlile, The story

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
You do
I was made for you

You see the smile that's on my mouth
It's hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what
I've been through like you do
And I was made for you...


NOTA: Afinal, a Belinda Carlisle ressuscitou mesmo. Ao fim de dez anos sem piar, lançou um disco de covers de clássicos franceses. Ouvi alguns na Net. Eu até gostava de uma ou outra música dela, das antigas. Agora, sinceramente, escusava de se ter incomodado...

Adenda à entrada de ontem

Marion C. Honors, Grandmother

Recebi do meu Pai dois comentários que completam e enriquecem as memórias de uma ida a Paris com a minha Avó. Corrigidos e editados, a pedido dele, dão isto. Que vale a pena ser lido.

Pois, vais buscar fotografias ao Robert Doisneau e não pedes
ao Mário Cordeireau. Estive na pontinha do Vert Galant, há dias,
a respirar o ar intenso e a relembrar os teus Avós, que sempre
que iam a Paris faziam uma jura de amor nesse ponto tão enigmático.

Tu sabes, porque tiveste o privilégio de passear com ela
(até ela perder dois quilos por dia!), inclusivamente teimando
que a Bastilha ainda existia e querias ver as ruínas. E ela teve
o privilégio de passear em Paris contigo e com a tua irmã.
Bons tempos, Setembro de 1989, dito assim parece até antes
da Guerra de 14-18.

Lembras-te da ameaça de bomba correspondente a uma mala
de 20x20 centímetros (minúscula, pois) que um tal Monsieur Ubu, passageiro da Air France, teria enviado no porão (ainda mais estranho, dadas as dimensões da dita), e cujo
não se encontrava a bordo? Tivemos de fazer o reconhecimento das nossas malas e consta que fizeram explodir o "petit paquet" do Monsieur. Tudo isto em Setembro, mas antes do 9/11...

Noventa anos, pois é, o tempo passa. E lembras-te do empregado do Hotel, que passou a tratar-nos como reis depois
de recebermos a visita do Embaixador de Portugal? De pedintes a "onorevole" em menos de um fósforo. Já não contarei aqui algumas das tuas birras dos dez anos de idade, mas relembrarei o particular interesse pelo "mot de Cambronne"... na estação
do dito. Tenho
saudades. Da tua Avó, de Paris, de ti. Beijinhos, meu filho "primogénito".

terça-feira, 8 de julho de 2008

O voo da codorniz (XXVIII)

Jardin du Vert Galant, Île de la Cité, Paris, França

Fica na pontinha da ilha onde nasceu a Cidade-Luz, com o Pont Neuf - o mais velho de todos - a delinear-lhe a estrema. É pequeno, mormente à escala de Paris, mas veremos que é grande. A pequenez deste quarto de hectare resulta da concatenação de pequenezes ainda mais pequenas, ilhotas que houve no Sena em tempos idos. Numa delas, foram queimados os últimos templários.

O verde galante que dá o nome a este recanto é Henrique III de Navarra, que foi IV de França no limiar dos séculos XVI e XVII. Casou sem amor com Margarida de Valois (filha da megera Catarina de Médicis, vejam o filme com a Isabelle Adjani) e teve incontáveis amantes. Ela não se ralou, preferia o provençal Joseph Boniface de La Môle, cuja cabeça terá embalsamado quando Carlos IX o mandou esquartejar. Não divaguemos, porém: verde e galante era Henri, imortalizado em estátua no jardim que aqui nos traz. Verde e galante é este square, ainda poiso dilecto de galantes enamorados, não importa se verdes, se maduros. Quem me dera lá neste fim de tarde...

Tinha 10 anos quando visitei Paris pela primeira vez, com o meu Pai, a minha irmã Filipa e a Avó Gina. Apaixonada pelo Vert Galant, foi ela que me contou a história deste jardim, uma de muitas. E que guiou os meus primeiros passos pela cité, do alto da Torre Eiffel (que detestava) aos estaminés dos pintores da Place du Têrtre, do impressionista Quai d'Orsay à impressionante Sainte-Chappelle, y compris Louvre, grands boulevards, Quartier Latin, bouquinistes e esse bolo de noiva a que chamam Sacré-Cœur.

Há que explicar que o meu Pai ia em trabalho e só se nos juntava ao fim da tarde. Durante o dia, a Avó metia-se connosco no métro e lá íamos calcorrear Lutécia. Nós delirámos e ela também. Já voltei à cidade muitas vezes e em nenhuma deixei de sentir saudades dela e daquela estreia prodigiosa. Sempre bem disposta, aguentou uma suspeita de bomba no avião à ida (palavra!) e, com ainda maior estoicidade, ensinou Paris a dois netos frenéticos (os 11.º e 14.º dos 21 que tem, sendo que os bisnetos serão 26 antes do fim do ano). Se fosse viva, a minha Avó faria hoje 90 anos. Este apontamento sobre o seu querido Vert Galant é o beijinho de parabéns que gostava de poder dar-lhe.

NOTA: As fotos são, por ordem, de Robert Doisneau, Eugène Atget e Marcel Bovis

Melodia vespertina


Chico César, Pensar em você

Conhecias esta?
Lembrou-me isto e isto.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Courrier Internacional n.º149

Está no quiosque há uma semana a edição de Julho do Courrier Internacional. Este mês, desvendamos o reverso do conforto que garantem os telemóveis, computadores e outros aparelhos: uma incrível invasão da privacidade. Dá vontade de fugir para a Gran Sabana venezuelana, tema de outra reportagem, ou para Las Vegas, que, como poderá ler neste número, bem precisa de turistas... Outros destaques vão para um portefólio sobre um concurso de papagaios de papel gigantes no céu da indonésia, textos sobre a delinquência juvenil na Itália e a novíssima banda desenhada nigeriana e um retrato da estrela decadente Britney Spears. Fico à espera das vossas - sinceras e ferozes - reacções.


Britney Spears, Baby one more time
(não encontrei a deliciosa versão
Make my boobies one more size...)

De volta e num dia especial


Lena d'Água, Sempre que o amor me quiser

Sentir a corrente passar
E esquecer-me de mim

De mim, talvez. Mas não do dia em que esta balada foi marcha triunfal. Custa a crer que a Terra já tenha dado uma volta completa ao Sol... parabéns!