sábado, 22 de novembro de 2008

Baú das codornizes (XIV)

Esta entrada de há dias diz bem do tom por que anda afinada a minha vida. Não têm faltado nas conversas cá de casa canções de embalar, cantigas de roda, filmes da Disney, séries de desenhos animados, etc. Do Barata-Moura ao papão-vai-te-embora-para-cima-do-telhado, da Branca de Neve ao Rei Leão, do Picapau Amarelo ao pato-pata-aqui-pata-acolá, do Calimero à Abelha Maia, tem sido um desfiar de recordações...

Em boa verdade vos digo que nunca esqueci essas imagens e sons de quando era miúdo. Sempre revisitei, ao longo dos anos, cenas, músicas e personagens, gravei filmes e comprei vídeos, discos e DVDs, que agora recupero para quem de direito.

Algumas há, no entanto, que mais vale que fiquem lá no vale das memórias (posto que difícil é dar-lhes ordem de despejo). Como esta película de 1989, de talentosos autores (a equipa de Don Bluth, que fez O segredo de NIMH e Em busca do vale encantado, mais as 287 sequelas), mas muito mal conseguida. Fomos vê-la, perto do Natal, éramos um grupo de dez ou mais, entre miúdos e adultos. Ninguém gostou e ainda hoje a obra é motivo de gozo em conversas familiares. A história era fraca, a animação muito vista, a banda sonora ensurdecedora. Não sei mesmo se não foi daí que nasceu a expressão "Tirem-me deste filme!".

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O voo da codorniz (XXXIV)

Planalto das Cesaredas, Lourinhã, Portugal

Terra de passeios por entre pedras, de pão por entre pedras, de cavalos por entre pedras, de febras, de castanhas, de água-pé por entre pedras. Caminhantes às dezenas, por entre pedras, como numa procissão a santo nenhum, sem mais deus do que o prazer de andar, olhar, sentir.

Céu azul de encomenda, o Verão de São Martinho a proporcionar o constraste perfeito com o verde-escuro dominante e o cinzento - perdão, os cinzentos, pois que a gama é vasta - da pedra que aflora por toda a parte. Surge a meio de uma verda, encostada a uma casa ou no meio de um pátio onde os miúdos brincam e alguém teve a boa ideia de instalar luzes. Havemos de cá voltar.

Há quem diga que o caminho se faz caminhando e este abre-se-nos a cada passo, com vontade. Inflecte, às vezes, por um desvio improvável, uma descida até a um ribeiro com ancestrais estruturas hidráulicas, uma subida que nos deixa aos pés de um moinho eólico. No fim, o consolo do repasto, do convívio e uma sensação efémera, mas gloriosa: quem chegou até aqui pode chegar onde quiser.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Baú das codornizes (XIII)


Baby mine, do filme Dumbo, de Walt Disney (voz de Betty Noyes)

Haverá melhor do que rever
esta cena com um bebé ao colo?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Tentar

Esta música já se meteu comigo duas vezes, só nesta semana, e sempre via rádio do carro. Não a ouvia há séculos, mas foi-me dado, numa destas noites, partilhá-la com alguém a quem poderia cantá-la. Da segunda vez, matou-me as saudades dessa pessoa.


Macy Gray, Try

Games, changes and fears
When will they go from here
When will they stop

I try to say goodbye and I choke
Try to walk away and I stumble
Though I try to hide it, its clear
My world crumbles when you are not here

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Baú das codornizes (XII)

Remember remember
the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason
why gunpowder, treason
Should ever be forgot...

No dia 5 de Novembro de 1605, Guy Fawkes e mais uma catrefada deles tentaram rebentar com o Parlamento inglês enquanto Jaime I discursava. O rei era protestante, os conspiradores católicos. A brincadeira valeu-lhe se enforcado, arrastado e esquartejado (hung, drawn and quartered, uma tradição lá das ilhas).

O rei quis, naturalmente, que o caso não fosse esquecido. E alguém teve a arte de transformar tão hedionda história numa nursery rhyme, para incutir nas novas gerações o respeitinho-que-é-bom-e-a-gente-gosta (há outras mais inócuas).

A miudagem adora a efeméride, comemorada com fogos-de-artifício e fogueiras, nas quais é imolado um boneco que representa Guy Fawkes, e que as próprias crianças fazem com roupas velhas, jornais, etc. Há quem o exiba, antes da hora da queima, pedindo a penny for the guy. Quando vivi em Oxford, fizemos um boneco destes na escola e comemos batatas assadas enquanto o dito ardia. Que saudades...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Courrier Internacional n.º153


Não se assustem, que não é nenhum morto-vivo a irromper do solo para celebrar o Dia das Bruxas... é só (e já é tanto!) o Courrier Internacional de Novembro, que saiu hoje. E que dedica a capa à bonança que há-de vir após a tempestade, isto é, ao novo equilíbrio que poderá resultar da crise financeira.

Há mais assuntos em destaque: as cartas de Fernando Pessoa, as implicações do aquecimento global para o turismo, uma viagem à luminosa (e ainda muito portuguesa) Goa, o charme dos espargos, a reinvenção do folclore colombiano, os misteriosos círculos que alguém (extraterrestres?) desenha nas searas inglesas, os perigos dos canais de TV para bebés e um passeio em vol d'oiseau pelo "Arquipélago Europa", um retrato actualíssimo do Velho Continente.

Corram para o quiosque... vá lá, pode ser amanhã, só vos fica bem o gesto de pão-por-Deus!


This is Halloween, de Danny Elfman
(do filme O estranho mundo de Jack, de Tim Burton)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

No meu ninho por engano

Vieram à procura de coisas mirabolantes. Encontraram, porventura, coisas que o não eram menos... Eis, segundo o Statcounter, o que motivou alguns visitantes do codornizes nos últimos tempos.

anteontem 9 anos hoje 12
Ó tempo, volta para trás... dá-me tudo o que eu perdi... Mas, aos 12 anos, ainda há tanto tempo pela frente que a situação não é dramática!

brandi carlile e belinda carlile são família?
Não. Belinda é Carlisle. Brandi tem melhor voz. Dito isto, ambas acabam por ser um pouco iguais a si próprias.

erros meus, má fortuna, amor ardente explicado
Amor explicado não ficará um pouco menos ardente?

fotos de amy winsor
Desconheço... já por aqui passou outra Amy, mas duvido que alguém googlasse fotos dela nesse tom matreiro. Gross!

msn de meninas
Não queriam mais nada! Era isso e telemóveis! E fotos também, já agora!?

mundo da chucha
Esta até percebo, dadas as notícias que inevitavelmente circularam por aí. Mas não, é acessório que não mora cá no ninho. Chuchar, só se for no dedo.

passos para fazer um quadro impressionista
Se eu soubesse não dizia, até porque os impressionistas, coitados, sempre viveram meio na pobreza, não é? Dois deles passaram por aqui recentemente.

qual é a época da truta?
Esteve no codornizes a 20 de Dezembro de 2007, mas sabe bem em qualquer altura do ano.

quero saber a resposta do código secreto do littlest pet shop
Para comprar sweet fluffy microbes e passeá-los pela trela, com certeza.

ver uma cabeça de abóbora no dia das bruxas
Abordagem positiva: há coisas piores para ver no Dia das Bruxas e há dias piores para ver uma cabeça de abóbora.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Fim-de-semana campestre


No doubt, Greener pastures

Would you say they find me unstable
'Cause they see me act a little bit different
But I know my way to greener pastures and

Think about it, won't you think it over
Please

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O voo da codorniz (XXXIII)

Sarrià, Barcelona, Catalunha, Espanha

Um gesto amigo lembra-me outro amigo. Saudades de um acentuam as saudades do outro. A viagem daquele à cidade deste, a que também chamo minha, dá-me vontade de lá voltar. E de aterrar como da última vez, depois de sobrevoar toda a linha costeira, do Llobregat ao Besòs, dos contentores da Zona Franca aos toldos das varandas da Barceloneta, aqui o mar, ali a cidade, lá atrás o Tibidabo, deste lado Montjuïc. Una abraçada, Miquel i Oriol!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Dois dardos na codorniz

Duas talentosas bloguistas - a Mateso e a Addiragram - deram ao codornizes este presente. Foi uma surpresa muito gratificante, tanto pelo significado do Prémio Dardos como pelo apreço que merecem as autoras destes tiros pacíficos no ninho. Muito obrigado, só espero estar à altura.

Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve seguir algumas regras:
1. Exibir a distinta imagem;
2. Linkar o blogue pelo qual recebeu o prémio;
3. Escolher 15 outros blogues a que entregar o Prémio Dardos.


Esta última parte é a mais tramada, mas vamos lá tentar aplicar os critérios (felizmente muito abertos). Olhem, o que me saiu foi, sem ordem de precedência:

8ª edição da JRL
À esquerda de Marte da Martini
Algeroz ! do miguel
A ver o mar... da Sophiamar
Beatles forever! da Teresa
Blue Moleskin da Cláudia Santos Silva
Bom jardim do Alf
Dias que voam de vários autores
Lord Broken Pottery de Lord Broken Pottery
O espaço azul entre as nuvens do Mário
O mito do celofane da M.
O privilégio dos caminhos da Júlia ML
Porta do Vento da ana v.
Sub Rosa da Meg
Um lugar ao sol da María del Sol

domingo, 19 de outubro de 2008

Adeus, Mirita

Hei-de olhar à volta da cozinha velha antes de pôr a fruta ao lume. Não propriamente à sua procura. Sei, desde há muito, que não volto a vê-la encostada à mesa de ardósia, o sorriso nos lábios e ainda mais no olhar azul. Mas sei, desde sempre, que vai estar connosco, todos os anos, na odisseia das compotas, marmeladas e geleias. Prometo acompanhar de um sorriso o suspiro que hei-de lançar. Onde quer que esteja, Mirita, quero que sinta o cheiro do açúcar a ferver, à procura de um ponto que aprendi consigo. Um beijinho grande, querida amiga.



Elton John, Skyline pigeon


For just a skyline pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
She can spread her wings
And fly away again

sábado, 18 de outubro de 2008

Já ia sendo hora...

...de os céus se manifestarem!



Johnny Mathis, When a child is born

Nota: Este quadro impressionista era o que se via da nossa janela há umas horitas. Ninguém me tira da cabeça que a saraivada de calibre malteser foi uma salva de boas-vindas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

E assim continua


Paul Simon, Born at the right time

Never been lonely
Never been lied to
Never had to scuffle in fear
Nothing denied to
Born at the instant
The church bells chime
And the whole world whispering
Born at the right time

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

É só isto

Joanne Swansborough
roubado ao blogue O meu cais




Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
espalhem a notícia
do que é quente e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
do ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
o ventre de que falo
como um riotransbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume,
foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor
meia palavrabasta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
bonita

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Se eu soubesse, dizia-te


Se eu voar sem saber onde vou
Se eu andar sem conhecer quem sou
Se eu falar e a voz soar com a manhã
eu sei...

Vincent van Gogh, Esplanada do café à noite
(Arles, 1888)

Sei que dás por ti a meio do voo e, à falta de melhor conselho, digo-te que esqueças as vertigens. Intuo a tentação de não desceres à Terra entre cada duas nuvens e prometo não franzir o sobrolho julgador. Engulo o arrepio egoísta de não poder dizer se te reservam liras ou trovoadas, chuva ou algodão-doce. Guarda o pára-quedas para outros abismos, na verdade, porque não hás-de continuar a voar, sem mais fim que descobrir o destino do voo?

É quase, verás, como as caminhadas em que me lanço ao deus-dará. Deixo aos pés a condução e acho sempre que vou perceber onde a vida me leva. Às vezes distraio-me a tentar ler o desenho que algum avião ou criatura voadora faz no céu e trauteio aquela canção do Reggiani, que não conheces. Daí, talvez te prenda a atenção o contorno que os meus passos esboçam nas superfícies irregulares que calcorreio. Lembras-te dos livros de passatempos de quando éramos miúdos: una os pontos? Se adivinhares o que é, diz qualquer coisa.

Sei que falas sem saber a que vai soar a voz. Tenho de recordá-lo constantemente à sobrancelha teimosa e a mais do que um coração. Não tem de vir na manhã o teu momento de glória (desde que venha!), já partilhámos minutos pouco memoráveis à mesa dos cafés. Rio sem parar de noites que foram tuas, de destrinçar no teu rosto os rubores distintos dos copos e da história que eles promoveram ou tentaram apagar. Rio quando os nossos dias têm sabor, porque gosto do que acontece em ti.

Banda sonora adicional: A mesma música pela Sara Tavares (num belíssimo blogue), a que gostava que conhecesses e uma que quem tiver de perceber percebe.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Terra molhada


Às vezes a chuva é tão forte
Que a terra, de tão molhada,
Parece cheirar a morte.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Vou p'rá terra...

Toxofal de Baixo (PC, 29 Março 2008)



E antevejo-o nesta canção, de que vos deixo três belas versões, para que digam de qual gostam mais... ai, a falta que me faz o blogue da cara-metade, para estas brincadeiras musicais!







Michael Stipe e Fautline, Greenfields


You can't be happy, while your heart's on the roam
You can't be happy until you bring it home
Home to the green fields, and me once again

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Muito obrigado...

...a quantos têm assinalado o primeiro aniversário do codornizes. Espero que continuem a fazê-lo e, se passarem pelas entradas antigas, deixem lá o vosso ovo. A festa continua, com este número musical: como não poderia deixar de ser, ouviremos a música que abriu este blogue e dele se tornou hino não-oficial.

Luciano Pavarotti, Josep Carreras e Plácido Domingo, Moon river

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O ninho faz um ano!!!


A Terra deu uma volta ao Sol desde que o ninho nasceu. Nunca esperei, mas suponho que deva dizer alguma coisa. Recordemos o dia 8 de Outubro de 2007...

Não um programa muito definido, mas este espaço vai servir para mostrar coisas novas e velhas, em rubricas fixas e móveis. Anima-me a vontade de não deixar que o tempo nos passe ao lado. Ou que a rotina contamine os tempos mortos e mate os tempos vivos.

Foi assim que o codornizes se apresentou, um ano, sem saber bem ao que vinha. Ainda não sabe, mas penso poder dizer que tem cumprido o tal programa indefinido. Por aqui têm passado os bocados de vida que me vai apetecendo partilhar. Não sei se os melhores, sei que certamente não todos. uns que são para mim ou, quando muito, para um grupo íntimo de privilegiados... ainda assim, pousei neste blogue 356 vezes, quase uma por cada dia do ano ora assinalado. O que deve querer dizer que tenho mais coisas a partilhar do que julgava antes de ter entrado nesta brincadeira.

Porque é exactamente disso que se trata: de uma brincadeira. Que é feita a sério e trabalho, mas não se leva demasiado a sérioisso é para a vida em carne e osso e, mesmo assim, com conta, peso e medida. Na blogosfera, a ideia é mais divertirmo-nos. E divertirmos mais alguém, se para tal chegarem engenho e arte.

A festa está aqui e é mais uma brincadeira: cada palavra deste texto é um portal para uma entrada do codornizes. Estão todas, todinhas! A ideia é visitá-las ao calhas. Ainda farão sentido? E os comentários que foram deixados, e que tanto as enriqueceram? Convido-vos a reler um ano de ninho, ao sabor do clique (consertei, para tal, todos os links perdidos).

Experimentei isto ontem e asseguro-vos que passei um bom bocado. Por isso, força! Mesmo que a coisa tenha sido escrita muito tempo, sintam-se sempre à vontade para acrescentar qualquer coisinha. Eu prometo responder... Um ano de codornizes é caso para dizer: Parabéns, leitores. E muito obrigado a todos!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Nymphéas

Claude Monet, Nymphéas
(Musée de l'Orangerie, Paris)

Les nymphéas que font pousser
Les pinceaux de Monsieur Monet
Ont bien le goût de ta beauté
Qu'on cherche à de tout protéger

Paris, 8 Dezembro 2000

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Talvez mais à segunda-feira


REM, Everybody hurts (ouvido pela primeira vez
no Luxemburgo, há muitos anos... thanks, Tia!)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cais das Codornizes (XIV)

O cais faz um ano. Parece mentira... mas é verdade e, porque o é, apetece-nos festejar. A banda sonora não podia ser mais apropriada. É de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos e merece vozes à altura da música e da letra, preciosas. A Sofia oferece-vos Elis Regina, o Pedro escolheu o próprio Milton com Simone. Liguem o player e que cada um invente o cais onde gostaria de deitar âncora!


Milton Nascimento e Simone, Cais

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Quase toda a gente, um dia...


Nina Simone, Please don't let me be misunderstood

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Courrier Internacional n.º 152


Saiu hoje o número de Outubro do Courrier Internacional. A capa é dedicada àqueles que nem dão pelas crises económicas e financeiras que o mundo atravessa. Os que têm dinheiro para comprar as obras de Damien Hirst (conhecido por conservar tubarões, bezerros, zebras, porcos e ovelhas em formol), entre as quais se encontra a caveira que sorri aos leitores da revista. É toda ela incrustrada om 8601 diamantes, vale 50 milhões de libras (63 milhões de euros) e chama-se For the love of God, expressão utilizada pela mãe do artista britânico ao olhar para a peça em causa.

Além dos ricos, a edição n.º 152 traz reportagens sobre Frýdlant (República Checa), onde Franz Kafka terá encontrado a inspiração para o romance O castelo, e Czernowitz, localidade ucraniana que os judeus inundaram de cultura. Quem tiver curiosidade em saber o que move um terrorista suicida pode ler uma entrevista com Shifa al-Qudsi, que quis sê-lo um dia, mas hoje defende a paz e o diálogo. As cartas de Mariana Alcoforado, o negócio da água engarrafada e a dificuldade dos pássaros das cidades em fazerem-se ouvir são outros assuntos abordados, num número em que também fala Paul Ekman, perito em detecção de mentiras. E o portefólio deste mês mergulha-nos no Oceano Índico, cheio de formas e cores admiráveis.

Se isto não chega para vos fazer correr até ao quiosque, fiquem a saber que a secção multimédia é dedicada a uma nova BD indiana, de que vos recomendo esta amostra. Vá, contribuam para o sustento deste vosso bloguista!



Pink Floyd, Money

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Blogues à quinta (XX)

O meu caisEdição especial de uma rubrica que tem estado ausente. Chegámos aos 20 blogues! A escolha desta semana é deliciosamente parcial, mas teve um critério objectivo: há muito tempo que a dona do blogue não protesta por aquele ainda não ter sido contemplada. Só por isso, já merece aqui estar.

Por isso e por muito mais. O cais da Sofia K. tem a imagem de marca mais bonita da blogosfera (foto do cais com mar muito azul). Nasceu uma semana antes do codornizes e prometeu ser o lugar onde tudo chega e de onde tudo parte. E foi mesmo daquele blogue que partiu a inspiração para a criação deste. Ah, só para concluir a declaração de interesses, aquela bloguista é a outra metade da vida deste...

Este blogue capta tudo com muita atenção: paisagens, sons, aromas, palavras. Presenteia-nos com canções e poemas de outros, mas é quando mostra a sua lavra que maisgosto lê-lo, a sério. Mesmo a sério. Acreditem! E confirmem. Que tal?

São bocadinhos da vida da autora (com adequado equilíbrio entre exposição e contenção), capazes da dar mais vida aos instantes em que os partilhamos. Somados, formam um cais seguro, de madeira "que ginga mas não cai", como um dia escreveu um dos seus comentadores. É bom de aportar.

Viajando agora, como é hábito, pelas últimas ondas que bateram no molhe, temos uma música ternurenta, as boas-vindas da estação, o fim das férias, apontamentos sobre tempo e estrelas de amizade. Um único reparo: isto merecia ter tido continuidade! Por fim, e porque este blogue desperta em mim recordações muito queridas e saudades de amigos que já cá não estão, chamo a atenção para a seguinte trilogia: I, II, III.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O voo invejoso da codorniz (XXXII)

Avenue des Champs-Élysées, Paris, França

Que os quatro que por lá andam respirem bem a cidade. Que este que cá ficou a roer-se possa fazê-lo um destes dias. E que não tarde a encomenda, que só podia vir dali.

Joe Dassin, Aux Champs-Élysées
NOTA: Mais Paris no codornizes aqui, ali e acoli.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Esse negócio de equinócio

Virgínia Cordeiro Barros, Outono (pastel)

Chamam a este tempo singular "queda da folha". É o fall dos americanos, estação de neuras que alguém fará o favor de dizer se são pós-estivais ou pré-invernais. Diz que é por agora que mais cabelo cai e mais gente se mata... mas chamam-lhe também Outono, que vem de autumnus, palavra latina cujo radical aut- se associa ao gótico aud-, ao saxão ōt-, ao inglês arcaico ēat-. Todos eles significam "próspero, rico e feliz".

Escolher o quê? A explosão de ocres que já aí anda e que um dia gostava de ver na Nova Inglaterra - tão do agrado da autora desta pintura e minha querida Tia - ou a vasta gama de cinzentos que vai anexando o céu? A primeira chuva é bálsamo purificador ou balde de água fria num corpo ainda rescendendo a sol de Verão? Será o maior recolhimento triste sintoma de menos luz ou ocasião para gozar compotas, cereais e vinho?

Dois consolos: a dialéctica não é estrita e nem sempre o ónus da escolha recai sobre nós. Se houve anos em que só a contragosto troquei o gelado de pau pela pêra-rocha e em que o abraço amigo de uma camisola me soube a asfixia, outros vivi - como o corrente - em que nem toda a força de vontade do mundo posta ao serviço de um absurdo desejo de estar triste o lograria.



Les cowboys fringants, Toune d'Automne


Anyway chu content que tu r'viennes
T'arrives en même temps qu'l'automne

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Baú das codornizes (XI)


Falta uma lua...

e a mim apetecia-me fazer como a vaca!

NOTA: Na imagem, a canção de embalar Hey Diddle Diddle, do livro Mother Goose, com ilustrações de William Wallace Denslow (pode ser descarregado aqui)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Há amigos que percebem quase tudo

Como o Tiago, a quem deverão ser dirigidos elogios (seguramente) ou reclamações (tenho sérias dúvidas) a propósito do seguinte vídeo. Um abraço, caríssimo, para te acompanhar por longas ruas ventosas.
The Beatles, The long and winding road

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Últimos cartuchos

Ontem, numa estrada de ondas, um cheiro a maresia. Permaneceu depois de me ter metido terra adentro. Ocupou-me o nariz, feito um posseiro, até de manhã. Trago-o numa celebração do Verão já extrema-ungido.

Laurent Voulzy, Derniers baisers

Le soleil est plus pâle
Et nous n'irons plus danser
Crois-tu qu'après tout un hiver
Notre amour aura changé?

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Para dois amigos


Prata (Ag): elemento 47 da Tabela Periódica (grupo 11, período 5, bloco d). Metal de transição, peso atómico 107,8682 g·mol−1, densidade 10,49 g·cm−3, ponto de fusão 961,78ºC, ponto de ebulição 2162ºC


Valor: inestimável


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Admissão de cansaço


Tina Turner, I don't wanna fight

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Codornizes desorientadas


Vem cá parar cada maluco... chegam aqui à procura das coisas mais estranhas, mas são todos bem-vindos. Quanto mais não seja pelas gargalhadas que me proporcionam, via Statcounter.

a palavra gulda vem da onde?
E vai pa onde? É que no dicionário não consta...

como faço para esticar o cabeçalho do meu blogspot
Já ouvi chamar-lhe coisas piores. Ora, experimente um certo comprimidinho azul, que dizem que faz milagres.

decoraçao de natal shoping monet santa maria
Acho cedo para pensar na quadra natalícia, mas aprecio o estilo festividade-fusão.

nomes em ingles de cavalos
Assim de repente, lembro-me do Jolly Jumper, do Silver e da fabulosa cena do My fair lady (outra paixão), em que damas de leque e chapéu desmaiam quando Eliza Doolittle diz «Come on, Dover, move that bloomin' ass!»

ojos arriba chocolate
Mentira. Fartei-me de olhar para arriba e só obtive risos dos colegas de trabalho. Não se faz!

palavras da canção eu vou a todas
Já nem me lembrava que o ilustre José Malhoa passou por este blogue... e sim, até sei o refrão, ou não fosse fã das festas do Toxofal, Ferrel e Atalaia: Quando a festa começar / E se tu fores o meu par / Eu vou a todas. As músicas, claro. Há outra versão, mais porca, mas não digo.

pedro abrunhosa e aleluia
Quéisto? Um concurso para encontrar uma interpretação mais rouca do que a do Cohen?

poema para dez anos de casamento
poema sobre espirito olimpico
poemas sobre a infância de uma adolescente

Mas isto agora é um quiosque poético ou quê? Querem um soneto sobre o espírito olímpico que é preciso para aguentar dez anos de casamento, mantendo o adolescente que somos e toda a inocência da infância? F*ck off!

relações de animais com escama
Nem vou entrar nesta. Prefiro peles mais macias.

tatiana codorniz
Era um nome giro para uma mascote deste blogue. Já a imagino a dar à cauda, cantando José Malhoa...

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O voo da codorniz (XXXI)

Paço d'Arcos, Portugal

É das baías mais queridas que conheço. Os barquinhos de pesca, o pequeno areal, as árvores, Lisboa ao fundo. O repuxo dispensava-se, mas também não chateia. Amigo da Marginal, passo por aqui vezes sem conta. Gosto mais ao fim da tarde.

À vila propriamente dita ia em miúdo, a casa de uma tia, numa rua que depois mudou de nome. Ainda me lembro do número de telefone. Um dia, da varanda, vimos um veleiro que encalhara no Bugio. Outro dia, provei raclettes. E comi Nucrema.

Estive muito tempo sem pôr os pés nesta terra. Passava de carro e, não fora o paço dos arcos - amarelo e velhinho, quem cuida dele? -, nem me lembraria do seu nome. A baía era bonita e bastava. Até que a vida profissional me trouxe de volta, há três anos e meio. Não trabalho ao pé do mar, mas vejo-o da janela, por trás dos prédios feios que algum autarca-modelo deixou construir. Os prédios onde ficam uma farmácia, um multibanco, um supermercado e até uma repartição de finanças a que já me habituei. A estrada que percorro, quase todos os dias, vindo da estação de comboio, onde um letreiro impediria - caso fosse preciso - que me esquecesse do nome deste lugar.

Paço d'Arcos faz, de novo, parte da minha vida. As vivendas, o café dos Queques da Linha, a Escola Primária que o Governo quer fechar, o cão que às vezes me faz saltar, o comboio-fantasma do Isaltino, caríssimo e sempre vazio, o mercado e a estação de correios são elementos da paisagem do meu quotidiano. Desde que aqui estou, até o quartel dos bombeiros já mudou de sítio. Como não desenvolver sentimentos de pertença?

Ontem estive, pela terceira vez, nas Festas do Senhor Jesus dos Navegantes, em Paço d'Arcos. O jardim que se vê na imagem fica pejado de barracas de feirantes, quiosques de caipirinhas (e caipiroskas, ou até caipivinhos!), cachorros e farturas. Com música surpreendentemente boa em pano de fundo, passase um bom fim de tarde no final do Verão. Não andei no carrossel, mas comprei dois belos livros, comi uma bifana deliciosa, passeei, namorei a baía e não só e fui feliz. E lá somei esta à longa lista das terras a que chamo minhas...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Courrier Internacional n.º 151

Em dia de regresso ao trabalho, façamos um pouco de publicidade: o número de Setembro da minha revista está disponível desde sexta-feira. Este mês dedicamos a capa à procura de civilizações extraterrestres. A existirem alienígenas, dizem os peritos, serão completamente diferentes daquilo que imaginamos... outros temas em destaque são o bairro lisboeta de Santos, destino cada vez mais in, a candidatura do comediante Al Franken ao Senado americano, as manifestações dos frades franciscanos de Toulouse contra as desumanas condições de detenção dos imigrantes ilegais e a prostituição na ilha de Java. Leiam ainda um ensaio do italiano Edmondo Berselli contra o actual estado da televisão, um périplo pela história do povo cigano, uma reportagem sobre o negócio dos produtos halal e uma receita de gelado de alfazema. E vejam fotos sobre como se faz um monge na Tailândia. Tudo isto no Courrier Internacional. Depois digam se gostaram!



Joe Satriani, Surfing with the alien